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Economia

Empresas: Marmod quer apostar na cadeia integral do transporte porta-a-porta

A NAÇÃO – A operar em Cabo Verde desde 1993, esta é a 23ª participação da MARMOD na FIC. Que
estratégia/objectivo tem estado por detrás dessa presença?
António Dias – A MARMOD é um dos mais importantes transitários a operar no mercado de Cabo Verde, há já
26 anos, e temos uma posição de liderança neste mercado. Esta feira proporciona-nos a oportunidade de
interagirmos e conectarmo-nos com os nossos atuais e potenciais clientes e é uma forma muito eficiente de
comunicar os nossos serviços ao mercado.
O que esperam da FIC deste ano?
A FIC constitui um fórum privilegiado para estar à disposição dos nossos clientes, recebendo-os no nosso
stand, bem como para estabelecer novos contactos e prestar os esclarecimentos a potenciais novos clientes.
Como tem sido o vosso percurso no mercado nacional?
Cabo Verde teve um nível de desenvolvimento extremamente positivo, ao longo dos últimos 20 anos e, hoje, o
nível de exigência dos clientes é completamente diferente daquele que era quando a MARMOD cá chegou.
O mercado de transportes para Cabo Verde, fruto do desenvolvimento da economia assente no crescimento do
turismo e dos serviços, tornou-se mais complexo e rigoroso. Hoje em dia, a regularidade, a qualidade de serviço
(por exemplo, a manutenção rigorosa da cadeia de frio nos produtos perecíveis), e a rapidez na rotação de stocks
dos operadores económicos, são fatores que nos têm obrigado a inovar e a sermos mais competitivos do que há
25 anos.
Exigência em que aspectos?
A MARMOD é um transitário e operador logístico e, neste âmbito, a exigência dos clientes revela-se na
qualidade do serviço e dos equipamentos, bem como na regularidade na entrega das mercadorias. Viemos de um
serviço irregular no passado, com navios antigos e de baixa qualidade, e evoluímos até aos dias de hoje,
dispondo de navios de última geração, com escalas semanais e, sobretudo, com previsibilidade nas ligações com
o exterior.
Falou da regularidade e qualidade, como factores competitivos. Num sector tão especial como este,
como é que se consegue manter padrões de qualidade?
Há três aspectos que concorrem para a qualidade do serviço. Primeiro, os recursos humanos. Hoje
dispomos de 11 colaboradores em quatro ilhas de Cabo Verde. Com excepção de um colaborador, são todos
cabo-verdianos e têm-se revelado uma excelente prestação na resposta às solicitações, o que constitui uma
grande vantagem e benefício para os clientes.
Um segundo aspecto prende-se com a qualidade dos equipamentos, em especial os contentores, para dar
resposta às necessidades dos clientes, preservando as melhores condições de acondicionamento da sua carga.
Um outro aspecto não menos importante é o facto da MARMOD, em conjunto com a AGEMAR, formarem uma
só entidade, traduzindo-se em valor acrescentado em todos os serviços que prestamos de todo o Mundo para
Cabo Verde.
Quais têm sido os principais constrangimentos a operar no mercado cabo-verdiano?
Cabo Verde é uma realidade arquipelágica, caracterizada por mercados de pequena dimensão. Com estas
características, é mais difícil optimizar as operações, mas, fruto da nossa experiência e longevidade no mercado,
soubemos construir uma cadeia de abastecimentos muito focada no cliente, com resultados muito bons, fruto do
conhecimento que adquirimos deste mercado.
Mas, a MARMOD/AGEMAR prestam apenas serviços marítimos?
Prestamos serviços integrados em regime cais-cais e em regime porta-a-porta, no âmbito marítimo e de carga
aérea, procurando apresentar sempre a solução mais conveniente aos clientes.
Que meios são utilizados para dar resposta às necessidades?
A nossa parceria com a PCI/GSLINES para o transporte marítimo, oferecendo o trajecto mais rápido na ligação
Lisboa-Praia, em apenas cinco dias, com garantia de quatro saídas por mês, bem como a nossa relação com a
TAP e a CVA são o garante da fiabilidade e regularidade dos serviços de transporte.
Nunca equacionaram entrar na gestão dos transportes marítimos inter-ilhas e, mesmo, na concessão
dos Portos de Cabo Verde, como forma de expandir o negócio?
Enquanto transitário e operador logístico, a MARMOD assegura o serviço para qualquer ilha de Cabo Verde,
uma vez que está focada em satisfazer as necessidades dos seus clientes. Quanto às questões que coloca
acerca da gestão dos transportes marítimos inter-ilhas e da concessão dos portos de Cabo Verde, essas dizem
respeito, exclusivamente, aos armadores e aos operadores portuários, respectivamente.
No transporte de carga aérea, existem inúmeros constrangimentos. Por exemplo, São Vicente-Europa,
há uma grande demanda e a TAP não satisfaz. Nunca equacionaram entrar nesse sector para garantir
melhor os vossos serviços?
A MARMOD, enquanto operador logístico, compra espaços nos aviões para a carga dos seus clientes. Não
está no nosso âmbito sermos operadores de aviação. Nesse sentido, também sofremos com as consequências
dos problemas que elencou.
Alargamento de operações
Cabo Verde tem servido ou pretende servir de alguma forma como uma porta de entrada no mercado
africano?
Já estamos a operar, com regularidade, com os mercados da Guiné-Bissau, mercado em que o Grupo Sousa
opera com navios próprios e, em São Tomé e Angola, através da compra de espaços em navios de terceiros. Para
já, esta é a nossa realidade. No futuro, não descartamos a hipótese de alargar as nossas operações em África.
Quais os projetos para o futuro no mercado nacional?
Os nossos planos passam pelo desenvolvimento da cadeia integral do transporte porta-a-porta. A economia de
Cabo Verde está em desenvolvimento acelerado, constituindo o turismo e os serviços, os pilares desse
desenvolvimento. Com maior complexidade, a economia vai necessitar de uma maior integração logística e
serviços em outsourcing de valor acrescentado (armazenagem de produtos, gestão de carga, entregas
capilares, etc.). Outro campo de atuação com grande impacto futuro é o comércio eletrónico e as entregas
finais na casa do cliente.
*Esta entrevista foi publicada na edição 637 do Jornal A NAÇÃO.

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