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Jihadismo ameaça África Ocidental

A guerra jihadista estendeu-se do Mali para o Burkina Faso, Níger, Chade, Mauritânia, Nigéria, Togo,  Benin e Costa do Marfim, constituindo uma ameaça para toda a África Ocidental, e não só. Cabo Verde, por ser um arquipélago fisicamente distante do seu continente, tem sido poupado até aqui. 
Porém, com a chegada de cidadãos oriundos de alguns desses países a pergunta que se coloca é até quando este país vai continuar a ser um “oásis” numa sub-região cada vez dominada pelo islão radical. 
No Sahel e na África Ocidental, os diferentes grupos armados conseguiram reorganizar-se para enfrentar a força francesa Barkhane e a Missão Multidimensional Integrada da ONU para a Estabilização do Mali (MINUSMA) e as forças armadas locais.
Dados existentes indicam que desde Março de 2017, o grupo de apoio ao islão e aos muçulmanos (GSIM ou JNIM), de Jama’a Nusrat ul-Islam wa al-Muslimi, aliou-se aos responsáveis terroristas do “Iyad Ag Ghali”, um grupo composto pelo “Ansar Dine, al-Mourabitoune, Emirado de Tombouctou” (antigo katiba saheliano da al-Qaïda no Maghreb islâmico), ao Katiba Macina e ao katiba el-Kassam.
O Ansarul Islam é, por seu turno, um grupo particularmente muito activo no Burkina Faso, como o é o EI (Estado Islâmico) no Grande Sahara (EIGS). O EIGS está também solidamente implantado no Mali e no Níger, desconfiando-se que tenha laços com a organização “Província da África Ocidental do Estado Islâmico” (ISWAP), uma facção do grupo Boko Haram, da Nigéria, um dos grupos mais sangrentos de que se tem notícia. 
Não se descarta a possibilidade de que o EI, do Grande Sahara, e o grupo Província da África Ocidental, do EI, tenham cooperado no ataque às forças nigerinas, em Tongo Tongo, em Maio de 2019, e que matou mais de 20 soldados governamentais.
Ventila-se também o facto de o mesmo grupo estar a criar uma base de apoio logístico na cidade de Sokoto, na Nigéria, refere um relatório da ONU. 
 
Objectivos dos terroristas
Segundo o vigésimo quarto relatório da equipa da ONU no Sahel, “a ambição e o controlo crescente do Sahel e da África Ocidental pelos jihadistas do Al-Qaida e do EI visam minar a autoridade das jurisdições nacionais frágeis”.
De acordo com o documento, publicado no fim do mês de Julho de 2019, o número de Estados da região susceptíveis de ver os movimentos insurreccionais do Sahel e da Nigéria atravessarem as suas fronteiras, aumentou. 
E, nessa perspectiva, “a porosidade das fronteiras e a falta de meios das autoridades para enfrentar a ameaça agravam a situação”. 
O documento da ONU aponta o norte do Mali como sendo o “centro de gravidade” do grupo de apoio ao islão e aos muçulmanos (GSIM), que exerce uma “influência decisiva”, apoiando-se nos vários “katibas”, para continuar com o seu objectivo de radicalizar a população”.
O relatório indica que os apoiantes do GSIM “abriram cerca de 650 escolas na região, com o intuito de transformar a sociedade segundo os preceitos do grupo, enquanto no centro do Mali, os mesmos alimentam violências inter-étnicas, procurando favorecer a radicalização”, através de “Bah Ag Moussa, que facilita a ligação entre o Emirado de Tombouctou e a Katiba de Macina” que se apoiou nos sucessos operacionais para criar uma nova zona de operações”.
Para o diplomata francês Jean-Marie Guéhenno, uma parte importante da resposta que a região do Sahel enfrenta passa por um forte engajamento da Comunidade Internacional, que deve atacar na raiz as causas do sucesso dos islamistas. 
Isso, como escreve, implica a implementação, em parceria com os estados da região e o apoio da União Européia, de um plano de desenvolvimento real para o Sahel. 
“A Aliança do Sahel, liderada pela Agência Francesa de Desenvolvimento, tem um papel fundamental a desempenhar nesse esforço. Mas a resposta militar também deve ser repensada. O G5 Sahel, que reúne os estados da região, não cumpre suas promessas, principalmente porque o acréscimo de pontos fracos não faz força”.
DA
(Publicado no A NAÇÃO impresos, nº 642, de 19 de Dezembro de 2019)

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