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Opinião

A qualidade de vida no trabalho (QVT)

Por: Eduardo Sousa*
Qualidade de vida no trabalho (QVT),  além de requer a saúde e segurança dos trabalhadores, ainda poderá ser vista sob duas maneiras que são um pouco diferentes entre si. Uma é a reivindicação dos colaboradores quanto ao bem estar e satisfação no trabalho, e a outra diz respeito ao interesse das organizações quanto aos seus efeitos potencializadores sobre a produtividade e qualidade.
O que é a qualidade de vida no trabalho (QVT)?
Da qualidade de vida, utilizada pela Organização  Mundial de Saúde (OMS), refere-se a um estado de pleno bem-estar físico, mental e social e que, por isto, engloba aspectos diversos como  motivação, satisfação, condições de trabalho, stress, estilos de liderança, entre outros.
Da qualidade de vida no trabalho, por sua vez enquadra: Sentir-se realizado ao fim de um dia de trabalho cansativo; sentir-se confortável com as condições de trabalho; sentir-se  compensado pelo trabalho que realiza; sentir-se seguro e respeitado; sentir-se parte integrante da equipa; sentir-se  estável e motivado; sentir-se que o tempo com a família é valorizado, entre outros.
A QVT visa não só a melhoria salarial, mas também sobretudo,   combater o nível de absentismo  e rotatividade de trabalhadores dentro das empresas e serviços, optando por uma gestão que tenha sempre em conta a importância do trabalhador/colaborador. Pelo que se deve compreender e transparecer os benefícios que a QVT tem para os serviços. Melhor conforto, melhor ambiente, melhor estímulo, resulta em maior e melhor produtividade.
A origem do  conceito está ligada às condições humanas e a ética do trabalho, que compreende em: Bem-estar; segurança e saúde, formação; bom uso da energia pessoal. Em pesquisa mundial sobre a QVT e bem-estar no ambiente de trabalho, apontou que os programas visando este propósito vem aumentando ao longo dos últimos anos.
A origem do movimento de QVT remonta a 1950, com o surgimento da abordagem sociotécnica que influencia factores psicológicos e sociais nas organizações. Só por volta de 1960, é que cientistas, governos, gestores e outros, procuraram encontrar melhores formas de organização  do trabalho, com o objectivo de minimizar os efeitos negativos do emprego na saúde e no bem-estar geral dos trabalhadores. Então na década de 1970, surgiu um movimento pela QVT, nos Estados Unidos da América, denominado “National Comissionon Produtivity; National Center form Quality of Working Life”. 
A partir dali, as empresas têm estado mais empenhadas e preocupadas em oferecer aos seus trabalhadores programas com esse objectivo. Em 2016, cerca de 69 por cento (%) das multinacionais afirmaram que possuem uma estratégia global para a saúde e bem-estar, comparado com 56% em 2014. Isto porque constataram, que a partir  da sua implementação, o nível da produtividade tem aumentado satisfatório.
Actualmente, estima-se que a diminuição dos factores de riscos nas empresas que adotam o programa de qvt no ambiente de trabalho, foi tão relevante ao ponto de alcançar uma redução de cerca de 20%, os custos médios anuais com assistência médica em adultos com idade produtiva, além da redução das faltas ao trabalho e o aumento do desempenho dos trabalhadores na produtividade.       
Os programas da implementação da QVT, têm como objectivo, melhorar a performance,  a produtividade, e o engajamento do trabalhador. Em relação à saúde, diminuindo o indíce de stress, de obesidade, o número de fumadores, a incidência no nível de Colesterol, e aumenta o número de trabalhadores que pratiquem exercícios físicos, e ainda estimula-se uma educação contínua, e   adoção  de novos hábitos, dentro e fora do ambiente de trabalho. 
A importância da qualidade de vida dos trabalhadores, traduz na conscientização dos mesmos, a cuidarem da própria saúde, e não depositar esforços excessivos no trabalho. Pois a ciência já comprovou que altos níveis de stress pode causar danos à saúde e desenvolver sérios problemas do coração. E o excesso  de trabalho é um dos principais factores que elevem o nível de stress dos profissionais. Um dos principais motivos que levem trabalhadores a pedirem a demissão, é o esgotamento. Pois, este advém de excesso de trabalho, altos níveis de stress, poucas horas de sono, chefes ruins, alta demanda e clima organizacional desfavorável, são alguns dos factores que levam um trabalhador a Burn-Out, e prejudicam seu desempenho, sua motivação, seu engajamento e no pior cenário o leva a um pedido de demissão. Possivelmente em Cabo Verde, alguns milhares de trabalhadores e profissionais padecem destas sintomas e doenças, que infelizmente, ainda na sua grande maioria, são como que  submarinos, isto apesar da república, tem tido um desenvolvimento económico considerável e um desenvolvimento razoável nas questões de saúde.
 
O que é Síndrome de Burnout e quais são os sintomas? 
“Síndrome de Burnout” é um estresse excessivo e crônico provocado por sobrecarga ou excesso de trabalho. 
O nome “burnout” vem do inglês e significa, literalmente, “queimar até o fim”. Trata-se, portanto, de um esgotamento físico e mental decorrente de uma vida profissional desgastante e sobrecarregada.
Os sintomas da Síndrome de Burnout incluem exaustão física e emocional, ansiedade, desânimo acentuado, dificuldade de sentir prazer, dificuldade de raciocinar, irritabilidade, preocupação, alterações do sono, sentimentos de incapacidade ou inferioridade, falta de motivação e criatividade.
Com a evolução do quadro, podem surgir transtornos mentais como depressão, além de doenças físicas. Dentre os sinais e sintomas físicos da síndrome de burnout estão dor de cabeça, enxaqueca, transpiração, fadiga, pressão alta, alteração nos batimentos cardíacos, dores musculares, problemas gastrointestinais, entre outros.
O consumo de bebidas alcoólicas, tabaco, medicamentos sem prescrição médica e drogas ilícitas como forma de alívio é frequente, o que só piora a condição física e mental da pessoa
A Síndrome de Burnout ocorre, principalmente, em pessoas que se dedicam muito à vida profissional e depois se sentem frustradas por acharem que o seu trabalho não é devidamente reconhecido ou valorizado.
Essas pessoas podem ser divididas em dois grandes grupos. O primeiro é formado por indivíduos muito competitivos, ambiciosos e que têm tendência para não delegar funções, acumulando para si todo o trabalho e responsabilidade. O segundo é composto por pessoas inseguras que precisam de reconhecimento dos outros e têm dificuldade em dizer “não”, sendo por isso capazes de abdicar das suas próprias necessidades em função do trabalho». 
Cabo Verde na qualidade de um país subdesenvolvido,  que ambiciona ser desenvolvido a seu tempo, deve dispôr de planos para o desenvolvimento da sua economia, através da produtividade e  rentabilidade   das suas empresas e dos seus serviços, em todos os sectores de actividades, quer públicos ou privados. 
Considerando que a QVT constitui um factor muito importante neste sentido, então, porque não planejar a implementação de programas e projectos desta natureza nos locais de trabalho, para melhorar a qualidade de vida, e que incentivem os trabalhadores no aumento e melhoria da sua produtividade?   
Em jeito de resumo da problemática acima desenvolvida, e para o bem dos nossos trabalhadores e da nossa população, deixo em baixo estas simples questões: 
-Em Cabo Verde, será  que exista dados quantitativos e qualitativos oficiais, sobre esta matéria, tão iportante para a nossa sociedade em geral, e para o mundo laboral em particular?
-Existem dados quantitativos e qualitativos oficiais, sobre o absentismo laboral e  suas causas?
-Existem dados quantitativos e qualitativos oficiais, sobre as incidências nas origens das baixas médias, aposentações e óbitos dos trabalhadores?
-Existem elementos quantitativos e qualitativos oficiais, sobre os acidentes de trabalho e doenças profissionais?  
-Existem dados quantitativos e qualitativos oficiais, sobre as causas dos procedimentos disciplinares aos trabalhadores?
-Existe hospitais ou centros de Saúde Ocupacional, que permitam  diagnosticar, em tempo oportuno, doenças ocupacionais e/ou Síndrome de Burnout? 
*Especialista em Segurança no Trabalho 

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