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Covid-19

No meu “quintal” não se cumpre à risca o Estado de Emergência

Por: Jason Fortes

Eis que a retoma da normalidade oficialmente passa a ser uma realidade em São Vicente. Digo oficialmente porque na prática, por estes lados, o Estado de Emergência, na sua vertente confinamento, não foi cumprido à risca. 

Por um lado e salvo raras excepções, no centro da cidade do Mindelo, as constantes patrulhas policiais fizeram com que poucas pessoas estivessem nas ruas, o que já não se pode dizer dos bairros periféricos, mas já lá vamos.

Muita gente a passar por sérias dificuldades 

O Estado de Emergência, ditado pela Covid-19, no território nacional, pôs em evidência várias questões: a primeira é que em São Vicente, assim como noutras ilhas, há gente a passar por sérias dificuldades e, se dúvidas houvessem, já esta semana o deputado João Gomes fez questão de as desfazer; a segunda é que a diáspora cabo-verdiana e outras ajudas internacionais continuam sendo uma das nossas maiores aliadas quando o assunto é solidariedade; e a terceira é que ninguém gosta de ficar confinado, ainda que seja para preservar a própria segurança. 

O primeiro e até então único caso positivo de Covid-19 registado em São Vicente, inicialmente pôs os mindelenses em sentido, com o receio de vir a acontecer o que na altura se passava na ilha da Boa Vista. Na altura, nada levava a crer que o pior estava por chegar na ilha de Santiago. 

Até então pode-se dizer que São Vicente tem passado com distinção pelo Estado de Emergência. Entretanto, nos bairros mais periféricos da ilha, o cumprimento do distanciamento social e outras medidas preventivas, como já tinha dito, não foi assim tão respeitados. 

Estado de Emergência na Ribeirinha

Na Ribeirinha, um dos mais extensos e populosos de São Vicente, por exemplo, lembro-me perfeitamente de como foram as “boas-vindas” ao Estado de Emergência. 

Não há aulas, logicamente as crianças interpretaram isso como férias de verão antecipadas, apesar de ainda se estar no terceiro trimestre do ano lectivo. 

Dizia eu, crianças a brincar nas ruas e jovens nas esquinas, isto tudo bem organizadinho para dizer que aglomerações desnecessárias não faltaram. 

Só havia tréguas, quando passava alguma patrulha policial por estes lados. Numa primeira abordagem, os agentes ordenavam-te a ir para casa. Se tivesses o azar de cruzar com a mesma patrulha no mesmo dia, sem ter uma justificação plausível, as coisas poderiam ficar feias para o teu lado.

Raras foram as vezes que me desloquei à “Morada” e quase sempre tive que recorrer a um táxi, porque estando apenas um autocarro na linha dois da Transcor, mais valia deslocar-me a pé. 

Passando por Alto Sentina, notava-se quase sempre uma aglomeração, aguardando impacientemente a sua vez quer à frente do BCA, quer do posto de cobranças da ELECTRA. 

Mercado de verduras da Praça Estrela. 

Um pouco mais ao centro do Mindelo, arrisco-me a dizer que um dos lugares mais críticos no que a aglomerações diz respeito foi e continua sendo o mercado de verduras da Praça Estrela. É que aqui convergem vários pequenos negócios, desde a venda de verduras, pescado aos hiaces que se deslocam para São Pedro, Calhau, Baía e Salamansa.

De volta a Ribeirinha e uma semana e meia após ser levantado o estado de emergência, o confinamento deixou de ser um imperativo, mesmo que não tenha sido cumprido à risca. Para assinalar este “marco” não foram poucos os convívios realizados, como se do Dia de Acção de Graças se tratasse. Vamos na base da fé, mas para os mais distraídos, nunca será demais relembrar que o fim do estado de emergência não significa o fim da pandemia, já dizia o Director Nacional de Saúde, Artur Correia.

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