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Sociedade

Fogo: Dezenas de peregrinos deslocam-se a pé de São Filipe até ao santuário de Nossa Senhora do Socorro

Não obstante a situação de pandemia de novo coronavírus, com as medidas de restrição e de distanciamento social, e do apelo das autoridades religiosas em limitar o acesso ao espaço, dezenas de fiéis da cidade de São Filipe, cumpriram religiosamente a tradicional peregrinação, deslocando-se, a pé, até ao santuário da Nossa Senhora do Socorro. O santuário fica situado a cerca de 10 quilómetros, a sul da cidade de São Filipe.

Por volta das 05h00 horas da manhã e aproveitando a luz prateada irradiada pela lua, dezenas de pessoas fizeram-se à estrada rumo ao santuário de modo a evitar o sol escaldante que por esta altura do ano provoca calor intenso nesta região.

História

A capela, hoje santuário, foi construída pelo Padre Amaro Monteiro Pereira Rebelo nos meados do século XVIII e sempre foi uma capela particular à semelhança de outras que existem em várias localidades da ilha, passando a ser propriedade do sobrinho mais velho do Padre, depois da morte deste e da irmã, Maria Fidalga Monteiro Pereira de Rebelo.

Em 1999 com a morte da última proprietária, Ana Gisela, o seu filho residente nos Estados Unidos da América, vendeu o santuário aos amigos da família, os capuchinhos.

Dados históricos apontam pela ocorrência de vários incêndios na capela devido às velas deixadas acesas, tendo o último incêndio ocorrido no tempo de José Joaquim Barbosa Vicente, nos finais de 1800, tendo sido restaurada no princípio de 1900.

Lendas

A construção da capela de Nossa Senhora do Socorro envolve algumas lendas e, por exemplo, conta-se que um pastor teria encontrado a estatueta da santa numa escavação da rocha de António de Pina, perto do local onde foi erguida a capela, e a teria levado para a então vila de São Filipe (actual cidade).

O pároco teria colocado a estatueta no altar, mas, no dia seguinte, quando o pastor foi à igreja, encontrou a estatueta atrás da porta, tendo-a colocada de novo no altar. Três dias depois a imagem da Santa voltou ao local inicial e, conforme a lenda, a santa teria conversado com o pastor.

Na data da construção da capela, reza a história, não havia material de construção civil (madeira) na ilha, mas foram encontradas, numa pequena praia, próxima do local onde se veio a erguer a capela, pranchas de madeiras que foram usadas na sua construção, facto que as pessoas consideraram na altura como milagre da Nossa Senhora do Socorro.

Para algumas pessoas a madeira provinha de um barco que teria naufragado nas proximidades e a estatueta deveria pertencer a um dos passageiros, já que a Nossa Senhora é padroeira dos viajantes e náufragos.

Até hoje permanece a superstição de que se algum membro da família quisesse construir uma casa perto da capela acabaria por morrer antes da sua conclusão, e, por coincidência ou não, um elemento da família que quis construir uma casa nas proximidades da capela para criar melhores comodidades para os que preparavam banquete para o dia 05 de Agosto, morreu antes da sua conclusão.

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