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Senegal: onda de protestos em massa já fizeram cinco mortos

O Senegal enfrenta, há quase uma semana, uma onda de protestos em massa pela prisão do líder da oposição, Ousmane Sonko, e pelas desigualdades económicas e preocupações com o padrão de vida dos jovens agravadas pela pandemia da covid-19.

As agências internacionais de notícias dão conta que uma nova onda de protestos foi planejada a partir de hoje, segunda-feira, já que o líder da oposição, Ousmane Sonko, preso na semana passada, deve comparecer esta Segunda-feira ao tribunal na capital, Dacar, onde enfrenta uma acusação de estupro, que os seus apoiantes dizem ter motivações políticas.

A aliança de oposição, conhecida como Movimento pela Defesa da Democracia (M2D), que está por trás das manifestações, anunciou mais três dias de protestos a partir de hoje, segunda-feira.

Na onda de protestos desencadeada pela prisão do líder da oposição, Ousmane Sonko, os manifestantes atearam fogo em carros, saquearam lojas e atiraram pedras contra a polícia. Durante esses protestos anti-governamentais também destacaram-se queixas pela queda dos padrões de vida durante a pandemia.

Cinco pessoas, incluindo um estudante, morreram durante as manifestações e, na sequência, as escolas foram fechadas por uma semana.

Entre Quinta-feira, 4, e Sexta-feira, 5, também foram cortadas as transmissões de duas televisões que transmitiam imagens dos protestos. Foi igualmente restringido o envio de arquivos multimídia por meio das redes sociais como WhatsApp ou YouTube.

O governo senegalês alertou, sexta-feira, 5, em comunicado “sobre a cobertura tendenciosa dos acontecimentos por parte de alguns meios de comunicação, que podem alimentar o ódio e a violência” e garantiu que “continuará a tomar as medidas necessárias para manter a lei e a ordem”.

Alioune Badara Cissé, alto funcionário senegalês

 

Alioune Badara Cissé, um alto funcionário senegalês, citado pela agência de notícias BBC, afirmou em conferência de imprensa que as autoridades “precisam fazer uma pausa e falar com nossos jovens”, alertando que o país pode estar “à beira de um apocalipse”.

O alerta de Alioune Badara Cissé, foi feito um dia depois de um adolescente na cidade de Diaobe se tornar a quinta pessoa conhecida a morrer em confrontos com as forças de segurança em várias partes do país.

 

Ministro do Interior promete retorno à ordem

Antoine Felix Abdoulaye Diome, ministro do Interior

Sexta-feira, 05, após a violência na capital, Dacar, e em outros lugares, o ministro do Interior, Antoine Felix Abdoulaye Diome, descreveu os protestos como “actos de natureza terrorista” e apontou que “eles constituem uma manifesta violação do estado de catástrofe da saúde” declarada por causa da covid-19 e para a qual um toque de recolher foi imposto nas regiões de Dacar e Thiès, que não foi respeitado pelos manifestantes.

Antoine Felix Abdoulaye Diome, prometeu usar “todos os meios necessários para o retorno à ordem”. “Todos os autores de atos criminosos serão revistados, presos, perseguidos e levados à justiça”, disse, pedindo “à população que se acalme” e indicando que o Governo “colocará todos os meios necessários para garantir a manutenção e restauração da ordem pública. “.

Falando para a rede nacional de TV, Diome acusou Ousmane Sonko de “fazer apelos à violência”.

Reações da ONU e da CEDEAO

Mohamed Ibn Chamba, Representante da ONU na África Ocidental

O representante especial das Nações Unidas na África Ocidental, Mohamed Ibn Chambas, lamentou, Sexta-feira, 6, os actos de violência e pediu “moderação e calma”.

Por sua vez, o grupo regional da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), já condenou a violência, apelando a “todas as partes para exercerem contenção e permanecerem calmas”.

A CEDEAO recomenda ainda que as autoridades devem “tomar as medidas necessárias para aliviar as tensões e garantir a liberdade de manifestação pacífica”.

Quem é Ousmane Sonko

Ousmane Sonko, líder da oposição senegalesa

 Segundo relata a BBC, Ousmane Sonko, 46 anos, é particularmente popular entre os jovens senegaleses e considerado o “único adversário sério” do actual presidente, Macky Sall a quem Sonko acusa de tentar afastar os potenciais adversários antes das eleições presidenciais de 2024.

Ele tornou-se no principal líder da oposição depois de o candidato que ficou em segundo lugar nas presidenciais de 2019, Idrissa Seck, se ter juntado, no ano passado, à maioria no governo.

Conhecido pelo seu discurso “anti-sistema”, criticando a má governança, a corrupção e o neocolonialismo francês, Ousmane Sonko fundou em 2014 o seu próprio partido político, Pastef-Les Patriote. Nas eleições presidenciais de 2019, nas quais Macky Sall revalidou o poder pela segunda e última vez, ficou em terceiro lugar com 15% dos votos.

A BBC também recorda que dois outros líderes da oposição foram excluídos da eleição de 2019 depois de serem condenados por acusações que dizem ter motivação política. Há igualmente relatos de que Macky Sall pode tentar mudar a constituição para permitir que ele concorra a um terceiro mandato.

Recorde-se que Sonko, acusado de estupro em Fevereiro último, foi preso na quarta-feira, 03 do corrente, por perturbar a ordem pública, quando a sua caravana, cercado por dezenas de seguidores, se dirigia ao tribunal de Dacar, onde foi intimado após ser acusado de estuprar e ameaçar matar um funcionário de uma casa de massagens e beleza.

Com agências BBC, FEE, Reuters e AFP.  

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