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Covid-19

Produção de livros ressente-se da covid-19

Um ano após a chegada da covid-19 a Cabo Verde, os efeitos são ainda sentidos em várias áreas. No ramo cultural, em específico no da produção de livros, as editoras e livrarias recordam-se de um ano “para esquecer”. A Rosa de Porcelana e a Pedro Cardoso, as que mais se têm destacado no domínio da produção editorial, sofreram impactos negativos, mas vêem no fim do túnel uma luz, mesmo que fraca ao longo de 2021. 

A chegada da covid-19 ao país, em Março do ano passado, desestabilizou por completo o ramo editorial, quebrando a dinâmica que se vinha verificando nos últimos anos a esta parte. Mesmo com a pandemia, a Rosa de Porcelana conseguiu publicar, ao longo de 2020, dez títulos, embora sem poder explorar os efeitos dos lançamentos que normalmente cada nova obra exige.

A distribuição e a circulação de livros, assim como a disponibilidade dos parceiros em participar no patrocínio editorial estiveram comprometidos, o que, segundo Márcia Souto, administradora da Rosa de Porcelana, impactou negativamente a sustentabilidade da dinâmica da editora. 

“Naturalmente que ficámos muito condicionados pela pandemia, em especial pelos sucessivos estados de emergência tanto em Cabo Verde como em Portugal, mercados onde operamos de forma mais sistemática. Neste primeiro trimestre de 2021, estamos a carregar os sinais da crise vindo do ano passado, embora não tenhamos parado a editoração”, faz saber ao A NAÇÃO. 

Várias obras ficaram por lançar devido a pandemia, assegura Márcia Souto, estando livros por lançar na Praia, Mindelo, Lisboa, Paris e Roma, alguns já editados e outros em finalização. São os casos de “Um mar de conflitos”, do historiador Daniel A. Pereira, um volumoso trabalho sobre uma das figuras mais controversas do período colonial, António Manuel Martins, ou então a biografia de “Cesária Évora”, da polaca Elzbieta Sieradzinjka.

O festival Literatura do Mundo, organizado pela Rosa de Porcelana, na ilha do Sal, foi também cancelado em 2020 e este ano reina a incerteza.

Pedro Cardoso retoma Leitura

Em situação não muito diferente está também a editora Pedro Cardoso, que também engloba uma livraria, acentuando as dificuldades económicas em tempos de Covid-19.

A editora e livraria se ressentiram igualmente da pandemia, afectando não só a produção de livros, como também todas as actividades programadas, desde feiras, debates, conferências e suspensão da revista Leitura, segundo conta Mário Silva, administrador da Pedro Cardoso. 

Igualmente, livros ficaram por lançar e a livraria Pedro Cardoso também esteve condicionada com a circulação restrita das pessoas e poucas vendas. 

Lançamentos

Apesar dos efeitos negativos de um “ano para esquecer“, a Pedro Cardoso perspectiva 2021 como um ano dinâmico em termos de lançamento de livros. Para este ano, segundo Mário Silva, está em agenda, até agora, o lançamento de pelo menos seis títulos de autores como Tchalê Figueira, Gualberto do Rosário, Osvaldo Lopes da Silva, entre outros.

Para já, a revista Leitura foi retomada ontem, quarta-feira, 17, após a interrupção por motivos de Covid-19. Nesta nona edição, esse periódico escreve sobre a trajectória do ensino liceal em Cabo Verde de 1860 a 1975, tendo a investigadora Adriana Sousa como capa.

Já em relação à Rosa de Porcelana, Márcia Souto reconhece que o ano de 2021 não está perdido, mas que é preciso que haja uma distensão da pandemia, com a imunização de grupo, através da vacinação, para que a luz no fim do túnel deixe de ser ténue.

“Se as condições melhorarem, temos os livros de Clara Silva e Maria de Lourdes, o livro de poemas de Haydeia Avelino Pires, o de história de Daniel A. Pereira, o autobiográfico de António Castro Guerra e o biográfico de Elzbieta sobre Cesária Évora, além dos romances de Carlota de Barros e José Pedro Oliveira, e a antologia poética de Ana Mafalda Leite”, informa aquela fonte.

Ambas as editoras esperam por dias melhores em que a covid-19 deixe de impactar o mundo real e se torne apenas temas de ficção e de livros de história.                                        

(Publicada na edição semanal do jornal A NAÇÃO, nº 707, de 18 de Março de 2021)

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