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Diáspora

“Joe” da Moura dirige Museu  Cabo-Verdiano-Americano de Pawtucket

José “Joe” Da Moura nasceu em Assomada, em Santa Catarina (no interior da Ilha de Santiago, em Cabo Verde), rumando para os EUA aos seis anos de nascença. Por lá está há mais de 40 anos, sendo professor e, também, produtor e apresentador de Rádio. De há dois anos a esta parte, preside o Museu Cabo-Verdiano-Americano da Cidade de Pawtucket, dedicando-se, “de corpo inteiro, alma e coração”, à preservação da História e da Cultura dos dois povos, cuja génese já  supera os 200 anos. 

A NAÇÃO – Faça-nos uma sucinta apresentação do Museu que dirige.
Joe da Moura – O Museu Cabo-Verdiano-Americano foi iniciativa de uma cabo-verdiano-americana, a conhecida e bem cotada Denise Oliveira. Foi registado no ano 2000, como uma Organização sem fins lucrativos. Seguidamente, foi escolhido um Conselho de Administração (CA), com a missão de  arrecadar o financiamento necessário para as suas operações.  Em 2005, abriu-se a porta da Sede actual, na Cidade de East Providence, em Rhode Island.

Como está estruturado o actual  CA?
É composto por nove membros, sendo cinco mulheres e quatro homens. Recentemente “perdemos” dois membros do CA. Estamos no processo de recrutar os substitutos para esses dois lugares no Conselho…

Já há candidatos?
Temos dois pretendentes, com perfis fortes e marcantes, pendentes no nosso “pipeline”.  

Como vai ser o Museu, após o preenchimento das vagas?
Com toda a certeza, vai ter um CA mais forte que este Museu poderia ter…

Porque diz isso?
Devido às competências dos candidatos, ampla gama de experiências, aliado a um conjunto de habilidades e talentos. 

 Já agora: quem são os potenciais novos conselheiros?
Nós temos, na grelha de partida, o Dr. Isadore Ramos, que foi o primeiro presidente de uma Câmara “cabo-verdiana” nos EUA; a par da Senhora Virginia Gonsalves, uma professora reformada, que veio para a América com dez anos. Portanto, vive cá há mais de 70 anos. São apenas alguns dos exemplos da qualidade dos futuros conselheiros.

Voluntariado

Há quanto tempo lidera o Museu, enquanto presidente?
Há dois anos que me dedico a ele – como disse já! -, de corpo inteiro, alma e coração. Antes disso, fui seu director, também, por dois anos. 

No vosso Organigrama, existe, também,  uma Comissão Administrativa. Qual a sua tarefa específica?
Exacto! A actual responsável (directora) pela Administração do dia-dia do Museu,  é  Denise Oliveira, que, como disse antes, foi a sua fundadora… 

Em concreto, o que ela faz?
A Denise exerce a função de directora-administrativa do Museu, durante os seis meses do ano…

Porquê?
No resto dos seis meses, ela reside no Estado da Flórida. 

E quem assume as rédeas no restante meio ano?
Sou eu. Na verdade, nós dois, compartilhamos essa responsabilidade, mas, quem carrega o tal título, é ela. 

São remunerados?
Não! Nenhum de nós somos recebemos nada pelo desempenho das nossas responsabilidades administrativas, junto da Organização. Todo o trabalho feito,  é na base do voluntariado. Já agora, é  justo remarcar e reconhecer que Ivonne Smart e  Virginia Gonçalves são, verdadeiramente, as duas pessoas que, realmente, dão as suas caras e estão sempre presentes, na maioria das vezes, nos “tours” que  os visitantes fazem ao nosso benquisto e querido Museu. 

 Objectivos principais

Quais as vossas acções de destaque?
Um dos principais objectivos do nosso Museu é a apresentação da sua Exposição anual. 

Em que consiste?
É dedicada à preservação da História e da Cultura Cabo-Verdiana; e, Cabo-Verdiano-Norte-Americana, nos Estados Unidos. 

Afora isso – que não deve ser pouca coisa! -, que acontece, anualmente, em que outras  actividades estão envolvidos, no marco do processo educativo dos jovens cabo-verdiano-americanos – e não só?
Ao longo do ano, promovemos e recebemos, diversas visitas dos alunos de toda a Região da Nova Inglaterra. De ressaltar, também, que o Museu organiza exposições itinerantes – ao longo do ano! -, levando os nossos programas culturais e educativos às escolas, sem se esquecer de colaborações com outros grupos na Cidade de Pawtucket, durante o evento anual, ao ar livre, do Dia das Crianças…

 …ainda está em Pauta, o vosso “Hall of Fame”?
Com certeza! O “Hall of Fame”, ou seja, o Salão da Fama, +e um evento onde são empossados e apresentados, anualmente, os cabo-verdianos que são líderes e pioneiros que se destacam na Diáspora Cabo-Verdiano-Americana. Realizamos, também, iniciativas várias, designadamente, a “Tardi Kultural”  – duas a quatro vezes por ano! -, que é o momento de arrecadarmos alguns recursos financeiros, enquanto exibimos a nossa rica Cultura Geral e Herança cabo-verdianas, tais como: Música, Poesia, Dança, palestras e conversas em torno de figuras históricas marcantes e incontornáveis. 

 De onde chega a maior parte do financiamento do Museu?
Neste momento, chega em forma de doações dos nossos visitantes e dos nossos parceiros, os quais nos vêm apoiando, incansavelmente, ao longo dos nossos anos de existência. 

 Em processo de mudança…  

O Museu está em processo de mudança da Cidade de East Providence, para a de Pawtucket. Quais as verdadeiras razões?
A Direcção do Museu considera que é do maior interesse, a longo prazo, e no marco da materialização dos seus planos estratégicos, possuir o seu próprio espaço, e, ao mesmo tempo, sentimos que deveria estar localizado no Centro da maior e da mais vibrante Comunidade Cabo-Verdiana, mais concretamente, no Estado de Rhode Island, que é a Cidade de Pawtucket.

De que está dependendo esta mudança?
Para que esta deslocalização seja possível, com o mínimo de interrupção possível, precisamos de ajuda financeira, bem como de donativos da nossa Comunidade. Esperamos, também, algum auxílio…

 …de quem?
Referimo-nos, concretamente, de algum tipo de subsídio do Governo da República de Cabo Verde, mais especificamente, dos ministérios da Cultura e Indústrias Criativas e das Comunidades, para que possamos conseguir este tão almejado objectivo. Após a deslocalização do Museu, como Organização, vamo-nos qualificar para algum tipo de financiamento adiccional do Estado de Rhode Island, assim como,  do Governo Federal dos Estados Unidos, que ajudará no processo de manutenção das nossas operações.

“Crowfunding”: já há generosos! 

Como decorre a vossa Campanha de “Crowdfunding”?
Lançamos a Iniciativa, sozinhos…

 Já obtiveram retorno?
O nosso principal parceiro é a nossa Comunidade…

 Insistimos: em concreto, como estão as coisas?
As comunidades Cabo-Verdiana e a Americana têm sido um grande parceiro. Abraçaram o nosso Projecto, logo após à sua  apresentação. De destacar, também, que temos um doador privado anónimo, que tem sido muito generoso com o Museu, ao longo dos anos. A Comunidade Cabo-Verdiano-Americana tem respondido, lentamente, mas já deu sinal de vida. É de não se esquecer que estamos passando por uma grave Pandemia Global (de COVID-19!), que causou e está provocando uma grave e jamais vista recessão na Economia dos Estados Unidos América. 

Registo

Como estão os vossos registos históricos?
Sem falsa modéstia, o nosso Arquivo de Vídeos/Documentários, é considerado um dos maiores do género na Região. 

Porquê essa classificação?
Porque dispomos de rico e variado espólio, que pode auxiliar e servir de suporte a qualquer pessoa que esteja a realizar todo o tipo de investigação, especialmente, aos estudantes dos ensinos secundário e  universitários – incluindo os de pós-graduação! Aproveitamos o ensejo para convidar os estudiosos a visitarem a Biblioteca do nosso Museu, de modo a inteirarem-se e  consultarem a nossa extensa Colecção de Vídeos/Documentários, nas área da Cultura e da História de  Cabo Verde, com ênfase, particularmente, na nossa Comunidade Cabo-Verdiano-Americana, radicada na Região da Nova Inglaterra.

Ensino Bilingue 

Que papel poderá desempenhar o Museu, no marco da materialização do Programa de Ensino Bilingue nas Escolas Públicas?
Já estamos desempenhando um papel co-adjuvante…

Como assim?
Nas nossas visitas às escolas, com as exposições itinerantes, as escolas estão a cumprir o seu papel,  incluindo nos seus  currículos, por exemplo, o Ensino do Crioulo. Pessoalmente, fui convidado e, actualmente, participo no Grupo do Departamento de Educação de Rhode Island, com a missão de  reestruturar o Currículo de Estudos Sociais, para adiccionar a diversidade, graças ao meu papel desempenhado no Museu.

O Jornal  A NAÇÃO sabe que planificam, no futuro, oferecer serviços adiccionais à Comunidade. Em que consiste?
Figura na nossa Agenda, o Ensino/Aprendizado da Língua Crioula, como modo de ajudar os cabo-verdiano-americanos, mas, também, aos americanos que desejem aprender a nossa Língua Nativa. Aliás, o ESL (“English as Second Language”) já está disponível em outros centros, nomeadamente, o CACD (“Cape-Verdean Community Development”). Nós, na parte que nos toca, estamos mais interessados em fornecer o que está faltando no seio da nossa Comunidade. 

A modos de remate: qual é o horário de operações do vosso Museu, no caso de algumas pessoas estiverem interessadas em visitar-vos?
Estamos abertos ao público, nas quintas e sextas-feiras, das 13 até às 18 horas da tarde. Nos primeiros sábados de cada mês, atendemos das 13 às horas da tarde. Recentemente, incluímos os domingos nas nossas horas de operações, das 14 às 18. Infelizmente, nesse novo horário dos domingos, ainda nunca foi implementado, devido à Pandemia de COVID-19. 

 *Com a prestimosa colaboração de Tony Araújo, a partir dos EUA

(Publicada na edição semanal do jornal A NAÇÃO, nº 702, de 11 de Fevereiro de 2021)

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