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Economia

Falta de água ameaça gota a gota na Ribeira de São Miguel

Mulheres da Ribeira de São Miguel beneficiadas com o programa de rega gota-a-gota dizem-se aflitas por estarem a ver o seu modo de sustento ameaçado devido à falta de água. Tendo conhecimento do problema, a Câmara Municipal diz que se está a trabalhar em busca de uma solução para o problema.

Antonina Tavares e Danilsa Moreira são duas chefes de família da Ribeira de São Miguel que foram beneficiadas com o programa de rega gota a gota da autarquia micaelense. Graças a isso passaram a poder cuidar do sustento diário e da educação dos filhos; agora, com a falta de água, afirmam ver o futuro com preocupação.

Com a gota a gota, havendo água, “é possível conseguirmos produtos suficientes para satisfazer as nossas necessidades e vender o excedente”, diz Danilsa Monteiro que abraçou o sistema da gota a gota no ano passado. “Trabalhei durante a época das chuvas, terminando, não tive como continuar porque não dispunha de água para regar as plantações”.

Antonina Tavares, que aderiu à gota a gota há cerca de dois anos, também enfrenta o mesmo problema da sua colega. “Neste momento toda a produção se encontra parada porque não dispomos de água”, disse ao A NAÇÃO.

Sustentabilidade ameaçada

Nas respectivas parcelas de terra, as duas mulheres ouvidas por esta reportagem cultivam hortaliças como tomate, pepino, abobrinha, entre outros. Durante o período das águas, altura em que a produção é boa, as duas vendem os seus produtos nos mercados da Assomada, Calheta e arredores.

No âmbito da expansão do sistema gota a gota, em curso em Santiago, as primeiras sementes foram oferecidas, de modo a servirem para testar a fertilidade do solo. Com a sua germinação e crescimento as duas agricultoras puderam garantir as próprias plantas para o restante cultivo.

“Se tivermos água, o rendimento é suficiente para satisfazer todas as necessidades da casa, e falo isso com base na colheita que tivemos durante o período das chuvas”, diz Antonina.

 “A nossa garantia é a água, se tivermos água com os nossos cultivos cuidamos do nosso sustento diário e da educação dos nossos filhos”, reitera Danilsa Moreira.

As duas cidadãs dizem ainda que terminando o período das chuvas fizeram um esforço para ver se o projecto avançava, “mas nesta Ribeira, sem água, é impossível», garante Antonina.

Solução ineficaz

Para resolver o problema da água, as duas agricultoras dizem já ter comunicado o problema aos serviços camarários. “Os responsáveis já têm conhecimento da questão, disseram-nos que que estavam a tentar contorná-lo com o uso de autotanquante e bombeiros para disponibilizar a água, mas, mesmo assim, a água não é o suficiente para resolver esta questão”, explica Antonina.

Tendo em conta a importância da água para a rega, e da gota a gota para as famílias, as agriculturas mostram-se propensas, caso necessário, pagar uma certa quantia mensal de forma a que possam assegurar a regular disponibilização do tão precioso líquido e em quantidade suficiente para garantir as plantações.

O projecto da rega gota a gota na Ribeira de São Miguel funciona há cerca de dois anos e beneficia directamente 47 mulheres chefes de família. 

Resposta da autarquia

O vereador de São Miguel para a área da Agricultura, Pecuária, Pescas, Energia e Habitação, Francisco Lopes Cabral, confirmou ao A NAÇÃO que a edilidade já tem conhecimento do problema e se diz consciente de que as medidas em curso, abastecimento por autotanque e bombeiros, não são suficientes para garantir a produção.

Francisco Cabral diz que a falta da chuva fez com que o volume da água nos poços naquela Ribeira diminuísse bastante, ao ponto de neste momento não haver capacidade para abastecer toda a população.

Como forma de encontrar uma solução permanente e que satisfaça a todos, Cabral afirma que se encontra em curso um projecto junto de empresa James Water “para a exploração de um novo furo e com isso criar condições para que retomam a sua produção”.

Segundo o vereador, o estudo deste novo projecto de furo já se encontra em curso e deverá situar-se na zona da Achada Barril, na Ribeira de São Miguel. “Até ao final deste mês de Maio esperamos ter uma resposta para continuar a alimentar este projecto da inclusão socioeconómica das mulheres da Ribeira de São Miguel”, conclui. 

(Publicada na edição semanal do jornal A NAÇÃO, nº 716, de 20 de Maio de 2021)

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