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Economia

Morabi Cooperativa é primeira entidade a emitir obrigações sociais na Bolsa de Valores

A Cooperativa de Poupança e Crédito (Morabi) vai ser a primeira entidade a emitir as obrigações sociais (social bonds), na Bolsa de Valores de Cabo Verde, para mobilizar recursos para o financiamento de projectos com impactos sociais.

A operação, que deve ser lançada em Junho, foi comunicada na passada sexta-feira, 28, durante o webinar sobre ‘social bonds’ realizado pela Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVC) no quadro das comemorações do 23º aniversário da sua criação.

Segundo o representante da Morabi, Walter Gomes, em declarações à Inforpress, a decisão de recorrer ao financiamento na Bolsa se deveu à falta de liquidez, gerada devido à pandemia que afectou gravemente os seus clientes.

Conforme explicou, durante o período de estado de emergência, que vigorou de 29 de Março a 31 de Maio de 2020, a Morabi, enquanto instituição de microfinanças, teve uma quebra de cerca de 70% das suas receitas, com quase um terço dos clientes em situação de moratória, ou seja, com o pagamento das prestações mensais suspensas.

“No entanto, logo após o estado de emergência, houve um contraste entre a redução de receitas e o volume de pedidos. Com uma redução de cerca de 70% de receitas, a Morabi viu-se com um aumento em quase 40% dos seus pedidos de crédito. Passamos a receber cerca de 400 pedidos de créditos mensais, quando a nossa capacidade de resposta é de 150 a 200 pedidos”, explicou.

Por isso mesmo, tendo em conta a necessidade de capital para reforçar a sua carteira de financiamento ao micro-crédito, e tendo em conta as dificuldades ao nível do acesso ao financiamento, a entidade decidiu abraçar o projecto de emissão das obrigações sociais.

Para o presidente da BVC, Miguel Monteiro, a emissão dessas obrigações sociais é apenas um exemplo da forma como a Bolsa de Valores e os parceiros podem materializar com eficácia o propósito da sustentabilidade.

“As instituições de microfinanças já deram provas da sua capacidade, engajamento e importância na promoção de projectos que visem a diminuição da pobreza, a inclusão social, o empoderamento das mulheres, o empreendedorismo jovem, a educação e a literacia financeira. E através do mercado de capitais podem alavancar recursos suficientes para o desenvolvimento das suas actividades”, realçou.

A Morabi Cooperativa tem operado enquanto instituição financeira regulada pelo Banco Central desde Janeiro de 2019, altura em que fez o seu respectivo registo, consequência da segregação das funções sociais e financeiras anteriormente desempenhadas pela ONG Morabi – Associação Cabo-verdiana de Auto-promoção da Mulher.

 C/ Inforpress

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