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Cultura

Zerbo Freire: Um jovem escritor cabo-verdiano em Macau

Rivaldo Freire Tavares é um jovem cabo-verdiano residente em Macau. Neste território encontrou a sua identidade literária. E sob o manto de Zerbo Freire expressa realidades e vivências. Aos 22 anos, deu os primeiros paços na publicação literária, fazendo chegar às bancas “Visão Direção Ação”, um livro que compila cinquenta dos poemas que já escreveu.

“Resistência”, é a palavra que Zerbo Freire usa para se definir, uma palavra que além de estar em boa parte dos seus poemas, representa também valores e ideais deste jovem.

“Resistência porque eu trabalho pela classe oprimida. Falo de resistência porque já resisti a muitos problemas e as minhas poesias também englobam essa palavra, e, por isso, eu falo de resistência”, explica Freire.

Além de poeta, Rivaldo “Zerbo” Freire se exprime no rap, entretanto, este jovem possui outras paixões. Uma delas é a Língua e Cultura Chinesa, motivo que o fez migrar até Macau para se formar nesta área.

“Eu gosto da poesia clássica chinesa, porque é uma poesia muito interpretativa, e que é preciso ter uma base cultural linguística para entender”, salienta.

Por admirar a cultura e a literatura chinesa, o autor pensa em traduzir as suas poesias para esse idioma.

 Partida e chegada

A saudade, o contraste, a experiência de uma cultura diversificada são sentimentos comuns da nossa comunidade emigrada.  Há 5 anos, Rivaldo saía de Lém Cachorro, Praia, para ir rumar à China, onde diz ter sentdio, na pele estes sentimentos.

Este jovem conseguiu uma bolsa de estudos do Instituto Politécnico de Macau, onde estuda no último ano de Língua e Cultura Chinesa. Freire relembra como foi o contacto com estes novos costumes.

“Sendo uma cultura muito diferente da nossa, houve um impacto e aquela diferença foi bem grande, mas ao longo do tempo fui me familiarizando com as coisas, a gente vai aprendendo neste país, nesta sociedade e nesta região que é Macau”, relata.

E, como escritor e poeta que está fora da sua realidade de origem, Rivaldo elenca alguns desafios enfrentados.

“Como escritor cabo-verdiano fora do país, a língua é um desafio, neste momento escrevo as minhas poesias em português, mas um dos meus planos é traduzi-las para o chinês, então vou tentar acabar com essa barreira linguística”, expõe.

A escrita e o livro

Zerbo Freire conta que o seu despertar para a escrita aconteceu quando precisou de se libertar de certas amarras. As folhas de papel tornaram-se uma forma de extravazar o que sentia e, ao colocar tudo para fora, resultaram os poemas.

“A escrita de uma certa forma me permitiu desprender de vários problemas, posso dizer que ela chegou num momento bom. A escrita de uma certa forma completou o meu silêncio”, afirma.

Com aproximadamente cinquenta poesias escritas, o jovem lançou, no início de Fevereiro, o seu primeiro livro intitulado “Visão Direção Ação”, na Fundação Rui Cunha em Macau. Com poemas em língua portuguesa, o livro representa um processo de vida

“No livro, eu falo do meu eu contornado que é a Visão, eu falo também do meu universo, Direção, e do meu ativo que é a Ação. Usei a poesia para descrever esses 3 momentos que para mim são primordiais quando se fala naquela frase «Na luta para conquista»”, explica Freire.

O autor não deixa de destacar o realismo das suas poesias, espelhadas pelas suas viências e experiências, através de problemas sociais e da sua resistência. Por esse motivo apela aos leitores a um julgamento lógico e poético.

Relativamente aos planos futuros, este jovem escritor cabo-verdiano diz ainda não pensar regressar ao país, porém afirma que continuará a escrever. Com os olhos posto no horizonte Zerbo Freire pretende traduzir o seu livro em língua chinesa.

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