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Cultura

Natacha Magalhães: “falar do desenvolvimento das crianças e não falar na importância dos livros é meio que uma contradição”

A escritora Natacha Magalhães considera que quanto mais cedo se introduzir os livros e a leitura  na vida das crianças, melhor. Isto porque, como defende, a leitura vai ajudá-las no relacionamento com os seus pares e no desenvolvimento do raciocínio crítico. Um olhar da relação entre os livros e os mais pequenos, neste dia mundial da criança.

Para a escritora infanto-juvenil, Natacha Magalhães, “falar da criança, no desenvolvimento das crianças e não falar na importância dos livros é meio que uma contradição”.

Isto porque, segundo a autora, os livros contribuem para o seu crescimento, uma vez que estimulam o seu pensamento e o raciocínio crítico.

Ao falar da literatura para a pequena infância, Natacha Magalhães considera necessário não se esquecer da importância das ilustrações, isto, porque, “ a partir das ilustrações, a criança vai construindo a própria história”.

A escritora defende que ao contar histórias a uma criança, está-se ajudar a desenvolver a sua audição, imaginação e “outros aspetos que podem ser relacionados, como a música e a própria expressão corporal”.

Para a escritora, quando mais cedo se introduzir o livro na vida da criança melhor. No entanto, diz que  deve-se ter o cuidado de adequar o livro à sua idade, pois, “para cada faixa etária há um livro adequado”, sublinha a Natacha Magalhães.

Antes da alfabetização, a escritora aconselha que sejam dados às crianças livros com ilustrações, já depois da alfabetização podem ser introduzidos outros livros.

“Mesmo assim, em crianças alfabetizadas até aos 10 anos, é preciso apostar em livros que tenham ilustrações e cujos textos não sejam longos. Se o texto for muito longo, os pais podem fazer a leitura junto com os seus filhos”.

Natacha Magalhães diz não concordar quando alguém diz que uma criança deve ler só quando já sabe ler, isto, porque, conforme explica, existem outras formas de leitura que a criança pode fazer sem ter necessariamente o domínio da palavra escrita.

Dicas para os pais                     

A escritora considera ser importante em primeiro lugar prestar atenção à idade da criança, de modo a escolher livros com os quais a criança se possa identificar. Um outro aspecto a se ter em conta, é também o de associar outras atividades de leitura.

Magalhães destaca que, se se pretende ter uma geração de crianças que gostem de ler, é preciso, em primeiro lugar, que se cultive o hábito de lhes contar histórias.

“Contar histórias vai introduzi-las num universo do fantástico e do imaginário”.

Nas escolas, Natacha Magalhães considera que os professores podem recorrer ao teatro para incentivar a leitura, isto através da dramatização sobre uma história lida.

“Acima de tudo é preciso encontrar uma história que interesse a cada leitor” declara a escritora.

Mais incentivos 

A escritora considera que a produção da literatura infanto-juvenil no país está no bom caminho.

No entanto, reconhece que podia haver mais “se houvesse maiores incentivos à produção literária, particularmente à impressão e ilustração”, os processos de produção de livros que são “os mais caros”.

A nível do aparecimento de escritores que se dedicam a esta faixa etária, Natacha Magalhães considera que tem havido uma evolução bastante positiva ao longo dos anos.

Diz ainda que, do momento, se assiste a uma fraca produção de livros, devido a este contexto pandémico, mas considerando a importância da cultura, lembra que é “importante que quem tenha esta responsabilidade social de apoiar a edição de livros infanto-juvenil, o faça porque se queremos ter leitores, temos de formar leitores e, para isso, é preciso começar pelas crianças”, finaliza.

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