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Economia

Leila Gonçalves: a jovem sapateira que sonha ver mais mulheres nesta profissão

Leila Sofia Alves Gonçalves, mais conhecida por Nila Alves, ou então Filha Socorrinho, é uma jovem sapateira, estilista de calçado também, que decidiu manter vivo o legado do pai, “Socorrinho”, hoje falecido, que era tido como um dos maiores sapateiros da capital do país.

Nila é a mais nova de três irmãos e conta que o pai sempre quis que estudassem, em vez de lhe seguirem as pisadas.

“É que se for reparar, o sapateiro, em Cabo Verde, não tem tanto valor, nem reconhecimento. O nosso pai não queria aquilo para os seus filhos, ele sempre pretendeu trabalhar e pagar pela nossa formação académica”, recorda.

No segundo ano da formação de Nila, em Direito, o pai acabou por adoecer, devido a um câncer. Com esta condição acabou por ficar acamado e, seis meses depois, acabou por falecer.

Vendo a dificuldade da mãe em pagar os seus estudos, Nila decidiu parar a faculdade de Direito logo no segundo ano, sem comunicar à mãe, e foi aí que um amigo lhe sugeriu que fosse para a oficina de sapataria do pai, que na altura estava sob a responsabilidade de um funcionário, que era colega e amigo do pai, e assim fez.

Nila, lembra que no início acordou de fazer compras de material e ajudar em outros serviços, isto porque “em termos de produção eu não sabia nada”.

Nessa altura tomou consciência do seu “dom pela escolha de modelos” de sapato, quando depois de publicar uns sapatos no facebook, feitos pelo primo, cujo modelo ela tinha escolhido, e alcançou muitos comentários em poucas horas.

Sem conexão e conectado

A jovem conta que durante o tempo que passou na oficina fazia vídeos de máquinas e fotos de moldes, “tudo isso sem saber que um dia seria sapateira”.

Tempo depois, a pessoa que tomava conta da sapataria saiu e “eu não queria que a sapataria do meu pai fechasse as portas”, de modo que  assumiu o negócio da família, neste caso do pai.

Nila recorda que o início “não foi nada fácil”, porque nunca teve quem lhe ensinasse a fazer sapatos “o pouco que sabia aprendi através da observação”, diz.

Recorda ainda que, na altura, a sapataria tinha uma grande encomenda por entregar e então colocou “mão no cabedal”, e fez a encomenda, que “honestamente não sei como ficou, o certo é que a pessoa não reclamou nem elogiou”, relembra.

Entre erros e acertos

Entre erros, acertos e provocando avarias nas máquinas, Nila foi aprendendo, firmando o seu nome e as suas qualidades como sapateira.

Hoje, diz que contou com o apoio e suporte de algumas pessoas que conheciam o seu pai, “mas o meu maior suporte, o maior apoio que recebi, mesmo, foi da minha mãe, ela sempre acreditou em mim, sempre dizia que tudo daria certo”.

Há mais de três anos a fazer sapatos Nila diz que não vê outra coisa para si, “que não seja fazer sapatos”. “Amo o que faço, amo o respeito que as pessoas têm pelo meu pai, pelo seu trabalho”.

Orgulhosa de estar a levar adiante o legado do pai,  hoje faz modelos que já tinham sido feitos pelo pai, que “ainda estão na moda” e cria o seu próprio estilo, mais leve, mais feminino, porque ser artesã e fazer sapatos dá a liberdade de criar.

Futuro

Desta feita Nila assumiu a “Sapataria Socorrinho” e conta que, no futuro, pretende que seja uma marca registada para que todos os seus produtos apresentem esta marca.

Apesar de já receber algumas propostas do exterior, para vender os seus sapatos, Nila ainda não fechou nenhum destes negócios. É que, conforme conta, no momento, trabalha sozinha e não quer arcar com encomendas que sabe que não terá condições de entregar a tempo.

Nila carrega o sonho de ter o seu próprio ateliê e loja, querendo empoderar e incentivar mais mulheres, a se aventurarem no mundo dos sapatos, mas desabafa que seria motivo de muito orgulho se, quando abrir a sua loja e atelier , “Socorrinho”, pudesse contar com apenas mulheres.

Nila frisa que o segredo do sucesso é fazer as coisas com amor “além do mais nós mulheres somos determinadas, acredito na força da mulher”.

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