PUB

Saúde

“Zé Luís Solidário” faz a diferença na evacuação de doentes para o Senegal

 

“Zé Luís Solidário”, projecto criado para auxiliar pessoas carenciadas durante a pandemia, tem feito a diferença nalgumas ilhas. Trata-se de uma iniciativa de José Luís Martins, emigrante nos Estados Unidos da América (EUA), que, rapidamente, tomou proporção nacional, não só na distribuição de cestas básicas, mas, principalmente, nas evacuações médicas dentro e fora do país

Criado em 2020 durante a pandemia da covid-19 para distribuir cestas básicas na ilha do Fogo, de onde José Luís Martins é natural, o projecto por ele criado rapidamente se propagou a outras ilhas do país, com o nome de “Zé Luís Solidário”.

Hoje, para além da alimentação, esta forma de voluntariado tem actuado em áreas como a educação, habitação e saúde através de doações dos emigrantes “Zé Luís Solidário” faz a diferença na evacuação de doentes para o Senegal nos Estados Unidos da América, principalmente.

Saúde: atenção especial às evacuações
A saúde constitui, aliás, a área mais requisitada do “Zé Luís Solidário”, conforme avança o seu promotor ao A NAÇÃO. Os pedidos de apoio para exames e consultas médicas e principalmente evacuações para o exterior têm sido recorrentes, o que o leva esse activista social a pedir uma maior atenção dos governantes na área da saúde.

“Pela quantidade de pedidos de apoios que tenho recebido na área da saúde, penso que o Governo deve analisar essa situação porque há muitos pedidos para evacuação. Sabemos que os doentes cabo-verdianos são evacuados para Portugal e há muita burocracia, mas temos um país vizinho, Senegal, com grandes condições de saúde e que pode ser aproveitado”, entende o nosso entrevistado.

Evacuações para Senegal e Portugal
“Zé Luís Solidário” tem apoiado pessoas com evacuações para o Senegal e Portugal, várias delas, como diz o nosso entrevistado, tidas como sem solução pelo sistema de saúde de Cabo Verde e “condenados” à morte.

Em 2020 conseguiu evacuar quatro doentes para o Senegal e um para Portugal, enquanto que agora, em 2021, o número de evacuados para esse país africano já é de 13 pessoas e um para Portugal.

Os casos de Zé Mário e Eusébio
Os casos mais conhecidos e partilhados nas redes sociais são do maiense Zé Mário e do santantonense Eusébio que, após vários anos com uma doença rara e tidos como sem solução em Cabo Verde, conseguiram tratamento no Senegal, através do projecto, entre vários outros casos que tiveram final feliz, após a evacuação.

No momento presente, quatro pessoas estão no Senegal em tratamento médico graças ao “Zé Luís Solidário”, o que por si só dá a ideia do seu valor, particularmente, entre os assistidos por esta forma de solidariedade humana e social.

Acordo com o Senegal
Tendo em conta a “grande procura” de pessoas por evacuação, Zé Luís é da opinião que, para atender o maior número de casos e reduzir custos, Cabo Verde deveria entrar em acordo com o Senegal para receber doentes cabo-verdianos, tendo em conta a proximidade geográfica, a pouca burocracia e a “excelente” qualidade do serviço de saúde senegalês.

Para além da evacuação, o projecto tem recebido outros pedidos, nomeadamente para a realização de Tomografia Axial Computadorizada (TAC), sendo que muitas pessoas não têm tido condições para a realização do exame.

“Se formos reparar, nenhum hospital do Barlavento tem aparelho de TAC, se as pessoas não tiverem os mais de 40 mil escudos para fazer uma TAC no privado, ficam sem esse meio de diagnóstico. O Ministério da Saúde deve olhar para essa questão, porque há muitas pessoas que ficam sem fazer esse exame”, avança Zé Luís.

A partir dos EUA, esse emigrante envia também para Cabo Verde materiais escolares e hospitalares e “bidons sociais” com roupas e alimentos para as famílias necessitadas.

Já a nível da habitação pretende entregar três casas feitas de raiz, até ao final do ano, e para 2022 já está prevista a construção de mais duas moradias.

Gratidão
“Zé Luís Solidário” possui representantes em todas as ilhas do país para identificar famílias e pessoas que precisam de apoio.

As estórias são partilhadas nas redes sociais, no sentido de mobilizar apoios, o que, até o momento, tem dado bons resultados.

Segundo o nosso entrevistado, os emigrantes têm apoiado a causa com doações de toda à parte.

Em 2020 foram arrecadados 62 mil dólares e agora, em 2021, já são 116 mil dólares em doações. Como deixa saber, enquanto houver ajudas, doações e boa vontade das pessoas, o projecto vai continuar, porque tem notado os “resultados positivos” na vida de muitas pessoas apoiadas por esta iniciativa rara em Cabo Verde.

“A maior alegria que recebo é quando as pessoas evacuadas voltam com saúde e melhor qualidade de vida”, afirma.

“O sorriso de alegria das pessoas que nós apoiamos é o meu pagamento, meu salário, porque é extremamente gratificante ver vidas transformadas”.

Do Fogo para a América
José Luís Martins, 36 anos, é natural do Fogo e vive nos EUA há sete anos. Desde Abril de 2020, vem implementando o projecto social e voluntário denominado “Zé Luís Solidário”.

De início, como disse ao A NAÇÃO, a ideia era mobilizar e distribuir cestas básicas, mas logo evoluiu para outras valências, tendo em conta o público alvo a que se dirige.

“O projecto nem sequer estava planeado. Era só e exclusivo para apoiar algumas famílias no Fogo com cestas básicas, mas deu tão certo que começámos a apoiar outras pessoas, nomeadamente na área da saúde, em todas as ilhas, através das doações”, afirma.

E, como diz, enquanto houver apoios, “Zé Luís Solidário” vai continuar a ajudar os cabo-verdianos mais necessitados.

Publicada na edição semanal do jornal A NAÇÃO, nº 742, de 18 de Novembro de 2021

PUB

PUB

PUB

To Top