Moradores da “Rua da Lama”, na Achada Grande Frente, reivindicam a retoma das obras de calcetamento iniciadas pela então anetrior da Câmara Municipal da Praia, presidida por Óscar Santos. Os visados dizem-se abandonados e sem o mesmo tratamento das outras ruas do bairro. A CMP garante que as obras de calcetamento vão ser retomadas em 2022.
Os moradores da “Rua da Lama”, situada atrás do Liceu da Achada Grande Frente, dizem-se desconsiderados pela actual Câmara Municipal da Praia, presidida por Francisco Carvalho.
Reclamam, sobretudo, a retoma das obras de calcetamento iniciadas pela anterior equipa camarária liderada por Óscar Santos.
Em representação desse grupo de munícipes, Daniel “Maik” Monteiro avançou ao A NAÇÃO que “há muito” que esperam pela requalificação da sua rua, mas que “esse dia parece nunca chegar”.
“Esta zona, que chamamos de Achada Grande Baixo, nunca recebeu a devida atenção das sucessivas câmaras municipais.
A equipa do Óscar Santos iniciou obras de calçamento nos arredores, mas não chegou aqui antes das eleições. A actual equipa camarária, de Francisco Carvalho, retomou os trabalhos na zona, mas privilegiou a área mais à frente que tem sido a mais privilegiada, hoje com calcetamento de ponta a ponta, três praças e um pequeno miradouro. Tem sido sempre assim e nós não temos o mínimo sequer”, explicou Daniel.
Reivindicar o “abandono”
Indignados com a situação que consideram um abandono, os referidos moradores dizem que não estão a exigir mais do que os seus direitos.
“Não estamos a pedir muito. Só queremos ter a nossa rua calcetada. Quanto mais bonita ficar melhor, com passeio, plantas para melhorar as nossas condições de vida. Estamos no nosso dever de reivindicar porque não somos um bairro ‘de hoje’ como muitos outros que estão a nascer agora e que
têm melhor atenção do poder local”, referiu.
O porta-voz dos reclamantes explicou que eles não são contra as obras iniciadas em outras partes da zona uma vez que Achada Grande é uma só – “estão em causa as prioridades”, esclareceu.
“Começaram, por estes dias, um outro trabalho mais abaixo, um projecto financiado pela FAO, se não me engano.
Não somos contra esta nem outras obras que decorrem na nossa comunidade. Só achamos que os trabalhos por fazer dentro da comunidade deveriam ser priorizados. Não vale sair de casa para ir ao miradouro ver o Cais, usufruir da bela vista de toda a cidade e regressar para permanecer na poeira”,
reivindicou.
Para além da poeira que invade as casas, Maik diz que os moradores enfrentam muita lama na época das chuvas.
“Esta rua passou a ser chamada de Rua da Lama, precisamente, porque na época das chuvas ninguém consegue andar por aqui. E nós, os moradores, que não temos para aonde ir, temos que permanecer na lama. Trazer um visitante, então, é uma vergonha”, contou o representante dos moradores para quem “as más condições aqui não permitem os nosso filhos e netos brincarem na rua”.
Apelo ao “bom senso”
Neste sentido, os visados apelam o “bom senso” da CMP para resolver a questão, uma vez que a vereadora do Urbanismo, Planeamento Territorial, Infraestruturas e Gestão de Espaços Públicos, Kirha Varela já esteve no local e conhece as suas preocupações.
“Ela veio em Agosto com a sua equipa e percorreu esta rua inteirando-se da nossa situação. Inclusive, temos uma associação comunitária que lhes apresentou o projecto de reabilitação. A nossa preocupação é saber se vão retomar as obras e para quando”, explicou, realçando que da visita da vereadora ficou a promessa de retomar as obras, mas “sem nenhuma garantia até agora”.
Rede de esgotos e iluminação pública
Para além do calcetamento, Maik diz que a zona em causa necessita também de melhorar o saneamento, especificamente, a rede de esgotos que, apesar de existir na comunidade, também não chega à Rua da Lama.
“Uma parte da Achada Grande Frente já possui rede de esgotos, mas não chegaram às nossas casas. Disseram-nos anteriormente que é por causa de problemas de terreno, mas não acreditamos que seja isso porque estamos a falar de uma área plana. Independentemente disso, acreditamos que os
engenheiros competentes conseguem criar soluções, caso for este o problema”, apontou.
Por outro lado, a iluminação pública é um outro problema por resolver naquela área.
“Os postes de iluminação estão longe uns dos outros e não dão muita segurança. A então equipa camarária esteve cá com o pessoal da Electra na altura mas depois que saíram não ficamos a saber mais nada sobre o assunto”, afirmou.
Uma zona, duas realidades
Este munícipe diz que diante deste “abandono” por parte do poder local faz os moradores entenderem que “Achada Grande Frente está dividida em duas partes e nós, que moramos mais abaixo, fomos abandonados à nossa sorte.
Qualquer pessoa que chegar aqui consegue ver realidades diferentes de uma parte mais desenvolvida que a outra”. Insatisfeitos apelam a uma intervenção “prioritária” para melhores condições de vida
nesta rua que, para além de jovens, adultos e crianças, tem pessoas idosas que “merecem viver com mais dignidade”.
CMP garante calcetamento em 2022
Procurada pelo A NAÇÃO, para responder às reivindicações dos moradores da Rua da Lama, a CMP, através do Director de Obras, Daniel Lima, avançou que não há motivo para preocupações.
“Todas as ruas vão ser calcetadas. Neste momento estamos nos arredores do armazém com obras de requalificaçãono âmbito do PRRA, mas logo em seguida, após alguns ajustes, vamos pegar no projecto de requalificação da rua em causa em 2022”, garantiu Daniel Lima.
Segundo esta fonte, a CMP tem neste momento dossiês prontos para lançar concurso no início do próximo ano, igualmente para outras obras que estão por concluir em outras zonas da Capital.
“Temos planos de intervenção em todas as zonas. Neste momento, temos obras em curso, nomeadamente, a melhoria de acessibilidade na Jamaica, retomamos as obras de ornamento em Safende, para além de construções de trechos de Tira Chapéu”, explicitou. “Por isso pedimos um pouco mais de
paciência a esses moradores da Achada Grande Frente”, concluiu.
Publicada na edição semanal do jornal A NAÇÃO, nº 747, de 23 de Dezembro de 2021
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