PUB

Convidados

G-7: A conquista económica permanente

Por: Péricles O. Tavares

A união faz a força!

A cooperação de estados soberanos na dependência e reciprocidade de vantagens em busca de melhor satisfação mercantilista nas diversas áreas de produção, desde a agricultura, os recursos marinhos, a ciência e tecnologia, é um desafio para a OUA (Organização União Africana) e para o BAD (Banco Africano de Desenvolvimento). A exemplificar, a União Europeia, que faz- se representar ao mais alto nível pelos seus digníssimos presidentes, a Comissão e Parlamento Europeu, o FMI (Fundo Monetário Internacional), e finalmente, o BCE (Banco Central Europeu) na qualidade de participantes interventivos, são quem lança esse desafio que aparenta ser inalcançável.

Nos primeiros dias da última quinzena do mês de Maio do ano bissexto de 2023, estiveram reunidos os G-7 num fórum no Japão, ilhas de localização geográfica no continente asiático, que foram palco de extermínio humano pelos efeitos radioativos, com a contaminação do sistema terrestre e da sua biodiversidade, pelas infernais bombas atómicas largadas sobre as duas províncias de Hiroxima e Nagasaki, em 1945, para forçar a rendição incondicional das tropas nipónicas, e onde se viu o fim da Segunda Guerra mundial pela capacidade belicista e pronta intervenção americana.

A memória histórica ainda permanece como motivo de reflexão, para uns e para outros, com a ambição de conquista pela virtude contra a resistência de um povo que não se intimida e não concorda com a condição de vassalo, sendo que a luta ainda nos dias de hoje continua.

O mundo prepara-se para assistir a uma escalada de violência com efeito catastrófico para a humanidade, desta feita na Europa, com a guerra que se trava no leste europeu sob olhar atento do Ocidente. O espírito de confrontação entre estados que, em tempos idos foram aliados numa federação, e estão agora separados pela ideologia europeísta liberal, a Rússia e a Ucrânia. A desavença tem entendimento no quadro da precaução, de aproximação da América aos limites fronteiriços através da expansão da NATO (Tratado do Atlântico Norte). É bom que se perceba que a Rússia não se incomoda com a Europa desarmada, mas sim com a América belicista, com aviso dado de que a águia americana voa muito alto e enxerga tudo.

Desgraças a somar desgraças, mortes e destruição concentradas no solo ucraniano, do invasor ao invadido, com um demonstrar de repulsa e disciplinar de sanções concernentes às trocas comerciais a vários domínios pelos países da União Europeia, ficam aquém da resolução do problema. O conflito instalado no leste europeu apenas se extingue por meio de mediação imparcial, com um mediador credível, à semelhança da Santa Sé, através do seu supremo representante, o Papa.

Se a Rússia recuar e abandonar a crueldade das suas intenções, com a ocupação do território ucraniano pelas armas, oferece a promessa de cooperação na reconstrução dos danos nas infraestruturas arrasadas durante o conflito. Já a Ucrânia abdicar-se-á da adesão e integração a União Europeia, e por consequência, de pertencer à força transatlântica. Sendo tudo possível desde que permaneça o espírito negocial forte, e o compromisso como instrumento de reconciliação para a desejada paz.

A liberdade de um povo, com todo o orgulho que habita na sua alma, consiste em ter uma Pátria com história ancestral transferível para as gerações futuras, que por ela nasce e para ela morre. A guerra terá sempre que ser o último recurso para negociar, mantendo-se sempre negociável pela rendição ou por meio de tratado, e quantos mais intervenientes, mais irá demorar a reconciliação e o alcance da paz.  Na mediação, o mediador não é um negociador, mas sim, um mensageiro, um interlocutor hábil em diplomacia, e jamais um idiota com dita e sentenciado suspeito.

Volodymyr Zelenskyy, presidente da Ucrânia, foi o convidado VIP na reunião dos G-7, e por certo deverá ter-lhe passado pela mente, uma vez estando ele no Japão, os efeitos da bomba atómica e possivelmente os efeitos da mais destruidora, a nuclear, do tempo atual?

Durante a reunião, o Presidente Zelenskyy afirmou que “não quero boleia para sair da Ucrânia, quero armas sofisticadas para combater e expulsar o invasor russo”, razão pela qual motivou a intenção de ter ido ao G-7, e tudo indica que teve sucesso a nível bilateral pelos contactos mantidos.

É doloroso ver a Ucrânia destruída e o mundo permanecer impávido e sereno pelo anarquismo do poderio russo, algo que não está a ser fácil à luz do direito internacional, ao suportar de ânimo leve a diplomacia coerciva, sendo que a massiva multilateral poderá ser a porta de entrada para o fim da escalada ou a redução circunstancial da fúria do invasor russo, depois do assalto final.

Aquele que apoia o invasor contra o invadido, se a mágoa faz parte da culpa, então que se console com o desdém merecido!

Eis as nações que marcam a atualidade detentora de metade da riqueza global: Canadá, Estados Unidos da América, Itália, França, Reino Unido, Alemanha e Japão. Os interesses entre estados falam mais alto, as desavenças de outros tempos ultrapassados, agora num tempo novo, com uma geração nova, e outras mentalidades para novas conquistas, onde todos saem a ganhar.

E por onde anda a África? Sonâmbula, um continente adormecido de recursos e riquezas embrutecidas à espera de estímulos, com o conhecimento e a ciência tecnológica para a prosperidade competitiva. Aconselhar, fazer reparos em relação ao comportamento de governo aqui e ali, não significa interferências na diplomacia interna e da soberania, mas tem a ver com o desenvolvimento globalizante para melhor equilíbrio das trocas comerciais.

A África e a Europa têm um percurso secular comum, tanto para o bem, mas também, para o mal, como a história testemunha, e ao mesmo tempo não constitui empecilho para o relacionamento de entendimento delineado que conduzam ao desenvolvimento, para a felicidade das nações, num caminho que nos leva ao progresso.

A escravatura, vergonha da humanidade, que leva todos os intervenientes ao arrependimento, pelo facto de terem acordado a exercer o ridículo papel, uns de caçadores, sequestradores e fornecedores, outros de comerciantes burlões, de atalaia na orla marítima ansiosos pela permuta, de intermediários e traficantes, e finalmente na travessia transatlântica com a “mercadoria” para o seu dono; o homem negro, para a longínqua América levado, logo que desfalece e morre, sente a morte como um resgate ao partir sem honra nem glória, porque como ser humano viveu ausente de tratamento condigno.

A escravatura só termina com a libertação do espírito, ao ascender a evolução, e ser verdadeiramente livre das correntes que nos aprisionam tanto física como mentalmente. Em primeiro plano as elites governantes capacitadas em matéria de conhecimento, maturidade e consciencialização, podem transferir para a nação esse conhecimento para poder crescer e diferenciar-se.

Hoje, todos os humanos são pessoas dignas, de respeito, de igual atenção e intenção, de braços estendidos e de mãos dadas para construir o mundo em prol da felicidade generalizada, o que foi, já era, uma autêntica lixeira, depósito da produção sofrível mental retrógrada.

Foi no Japão, em que, de entre tantas questões a ventilar, a defesa e segurança por zona de influência e a produção alimentar e sua distribuição, foram delineadas. Na primeira, afirma-se na indústria de guerra ou do armamento de alta precisão tecnológica aplicável na geoestratégia, algo que privilegia os Estado Unidos da América; já na segunda, onde a geoeconomia da agricultura detém um papel decisivo, com o cultivo de cereais em grande extensão de solo arável, em que a Ucrânia é detentora de carta branca para a sua adesão à União Europeia, sem deixar de mencionar a África, que ainda é uma carta fora do baralho, onde Cabo Verde pode ser achado em estado latente em permanentes fanfarras e festivais para esquecer as amarguras deste mundo a que pertence!

Oh, quantas gerações perdidas sem o amanhã, sem aurora, nem sonhos, condenadas a saldar dívidas que não contraíram em nome do progresso sustentável nacional, onde come a elite, mas paga a nação inteira, com os cabo-verdianos conformados com os desconfortos. Acordai-vos em reclamações enquanto tendes fôlego de vida.

Cabo Verde deve definir a sua política externa, construir lóbis para a sua candidatura a membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, condição que se reclama na atualidade para melhores decisões e amplitude consensual e proporcional a nível continental. Cabo Verde, em representação do continente africano, constituí uma mais-valia na construção da paz e recíproca cooperação entre as nações. As oportunidades, são algo a conquistar pelo mérito negocial diplomático, acreditado em talento e especialização, para cumprir com as cotizações pré-estabelecidas e isentas de calotes, e eventualmente lá chegaremos.

O mundo, o planeta de todos para todos sem intrigas, sem ressentimento de ódio de recordações do passado rancoroso, com a melhor das intenções para o bem servir, e saber usufruir dos recursos naturais e artificiais disponíveis para a satisfação da humanidade, no seu todo: o progressismo.

Cidadela, 23 de Maio de 2023

Publicada na edição semanal do jornal A NAÇÃO, nº 822, de 01 de Junho de 2023

PUB

Adicionar um comentário

Faça o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

PUB

PUB

To Top