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Factos curiosos da vida da Selecção Nacional: Tubarões Azuis de A a Z, em 46 anos de história – 1978-2024

Por: Santa Clara*

Cabo Verde está a dar cartas na CAN-2023/2024, na Costa do Marfim, 32 anos depois de ter inaugurado presença nesta montra mundial de futebol (1992), apadrinhada pela estrutura maior – a FIFA. Nesta 34ª Edição, regista um feito notável: primeira Selecção Nacional (SN) a apurar-se para os oitavos de final, num trajecto irrepreensível, a invejar os colossos do seu grupo: Egipto (único a vencer a CAN por 7 vezes), Gana (4 títulos e quatro vices) e Moçambique (nunca superou a 1ª fase). 

Com duas vitórias e um empate, 7 golos marcados, 3 sofridos, 7 pontos, primeiro lugar do Grupo B, aguarda serenamente a próxima fase, que se inicia já no dia 29.

Chegados a esta fase, vejamos factos marcantes da vida da nossa SN, nos seus 46 anos de competição internacional, no abecedário de A a Z:  

A – Apelido do primeiro seleccionador a conquistar uma taça pela SN: ANTUNES “Toca” – Taça Amizade, na Guiné Bissau (GB). Foi em 1978.

BBubista, o único seleccionador a apurar-se por duas vezes consecutivas para a finalíssima da CAN. 

C – Depois de, em 2013, ter inaugurado a sua presença numa finalíssima da CAN, na África do Sul, e em 2014 falhado fortuitamente o acesso ao Mundial no Brasil-2014 – a SN volta a estar nas bocas do mundo: é a primeira a apurar-se para os oitavos de final da CAN-2024. Longe vão os tempos em que o palco maior dos Tubarões Azuis (TA) era o Conselho Superior dos Desportos em África – CSSA. Durante 13 anos (1978-91), era por aqui que procuravam afirmar-se, expondo timidamente aos olheiros ocidentais que galgavam a África à procura de talentos. A partir de 1992 – sem ter ainda conquistado uma única edição da TAC – ensaiaram a saída do CSSA da Zona II, para reorientarem a sua internacionalização, rumo às mais promissoras montras – CAN e Mundial de Futebol. 

D – Os primeiros adversários dos TA numa pré-eliminatória da CAN (1992) foram os Djurtus da GB, que lhes impuseram duas derrotas: 3-1, em Bissau e 0-1, na Praia. Seleccionadores: Alberto Gomes e Raulinho Carvalho.

E – Na XI Edição da TAC-1989, no Mali, os TA deram um show, ficando pela inédita 3ª posição. O jornal local – o L’ESSOR, principal periódico maliano – escreveu: “TA, o champagne das ilhas (…) futebol inteligente, o fair-play e o imenso respeito para o público que os apoiam até ao final da partida”. 

F – A partir de Lisboa, onde milita agora pelo Casa Pia Atlético Club, Fernando Varela, antigo defesa dos TA, acompanha este belíssimo percurso insular. Foi ele o atleta indevidamente utilizado, em 2013, no último jogo, antes dos play-off. Foi frente à Tunísia. Claro que derrotamos as Águias do Cartago em campo, mas caímos na secretaria da FIFA, desqualificados, em prantos. Era o “Adeus Mundial 2014, no Brasil”.

G – Nesta CAN-2024, os TA derrotaram o Gana (2-1) e assumiram o comando do Grupo B. Uma vingança à derrota que lhes havia sido imposta pelos Black Stars, na África do Sul-2013 (2-0). Não se ouviu agora o slogan “GANA is Back”, exibido no Nelson Mandela Bay Stadium, em Port Elizabeth, no fatídico sábado, 2 de Fevereiro de 2013.

H – Foi lindo ver os bravos dos TA a entoarem o HINO nacional… pelo menos pela expressão facial. “Canta, irmão canta, meu irmão…”, de Amílcar S. Lopes. 

IINÁCIO Carvalho “Bala”, Vice-Presidente da FCF é o chefe da delegação de Cabo Verde nesta CAN-2024. Na disputa do “Melhor Jogador da Zona II”, na IV Edição da TAC, na Praia, ele foi o mais votado, perfilando-se como o 1º internacional cabo-verdiano a ser eleito. Estávamos em 1982. 

J – José Mourinho, o “Special One”, já esteve nos caminhos dos TA. Ele e Lúcio Antunes encontram-se em 2012, semanas antes da estreia da SN cabo-verdiana na CAN/2013, na África do Sul. Lúcio Antunes tinha ido a Madrid observar os sistemas de treino e os métodos de preparação de JOSÉ Mourinho. Pretendia o jovem seleccionador aprender algumas ideias e fórmulas do “Special One” e ver até que ponto as poderia adoptar. Não é que os TA quase chegaram às meias-finais?

K – 1989. Os TA foram ao Mali conquistar o melhor lugar de sempre – 3º, na XI Edição da TAC. Deram um show de bola, com Armandinho Soares no comando técnico e George Reggae eleito o melhor jogador da Zona II. Mali venceu o torneio. Seu seleccionador, KIDIAN Jallo, melhor jogador de África (1976), rendeu-se: “Os TA portaram-se como a melhor equipa desta fase (1ª)… todos os que assistiram os jogos são unânimes em afirmar que a melhor equipa foi a de Cabo Verde… jogadores com boa técnica”.

L – O 1º seleccionador a levar os TA a uma finalíssima da CAN – LÚCIO Antunes.

M MÁRIO Semedo é um presidente longilíneo (1998-2024). É “muita tempo”, como se diz. Mas, verdade seja dita, foi ele que mais visibilidade deu aos TA no plano internacional: Top-100, uma TAC – a única (2000) –, quatro finalíssimas da CAN. 

N – Alcunha do autor do primeiro golo da SN do pós-independência – Nhu BRANCO. Foi em Maio de 1978, para a “Taça Amizade”, na Guiné Bissau, frente aos Djurtus (2-1).  

O – Nome do único seleccionador nacional a vencer uma TAC (2000, na Praia): ÓSCAR Duarte. 1-0, frente aos Leões de Teranga do Senegal, na final.

PPORTUGAL, país por onde passou a maior parte dos atletas cabo-verdianos e cuja SN chegou a ser derrotada por Cabo Verde (0-2), em Lisboa, em 2015, ainda que a feijões. Curiosamente com o português Rui Águas no comando técnico dos insulares.

Q – Mais de QUARENTA situações de foras-de-jogo alguma vez sacadas aos TA num único jogo. Foi em 1979, frente ao Senegal, na I Edição da TAC. 

RRAJINDRAPARSAD Seechurn. Nome do árbitro que apitou defeituosamente as quartas-de-final da CAN/2013, que opôs os TA de aos Black Stars do Gana. Um score de 2-0 em favor destes últimos acabou com o sonho insular. 

SSETE, a maior goleada alguma vez aplicada pelos TA: 7-1 frente aos Falcões e Papagaios de S. Tomé e Príncipe. Jogo preliminar da CAN-2017, no Gabão. 

T – Em apenas três ilhas de Cabo Verde a SN já jogou: Santiago, Sal e S. Vicente. Um TRIÂNGULO em cujos vértices há marcas distintas.  Na Praia, a lembrança da única TAC conquistada pelos TA (2000); no Mindelo, o amargo de somar pontos em casa e os perder fora – Mundial e CAN, em 2000: Argélia (0-0/2-0) e Libéria (1-0/3-0), respectivamente; nos Espargos, o sabor da primeira grande goleada (5-0) no amistoso frente à Guiné Equatorial. Foi em Março de 2009, no Marcelo Leitão;

U – Na ressaca da inédita vitória na XVI Edição da TAC – Maio de 2000, na Praia, os TA apuraram-se para a final da I Edição do torneio regional da UNIÃO das Federações Oeste-Africanas – UFOA – marcada para Abidjan. Mas esta nunca se realizaria.

VVOZ DI POVO, único jornal cabo-verdiano sempre presente nas rotas dos TA. Hoje, extinto, guarda um rico espólio.

WWAKASO (Mubarak), médio do Rubin Kazan da Rússia, o carrasco dos TA no jogo de CAN/2013. Aos 33 anos, falhou a Edição 2023/2024.

Y – Foi em YAOUNDÉ, no Estádio Omnisport Amadou Ahidjo (Camarões), que a nomenclatura “Tubarões Azuis” veio ao de cima, enquanto alcunha da SN. Estava-se Maio de 2008. Primeiro jogo rumo à dupla qualificação: CAN/2010, em Angola, e Mundial/2010, na África do Sul. Os insulares sairiam derrotados (2-0), ante os cerca de 100 mil barulhentos camaroneses que não paravam de bradar: “Lions Indomptables… Lions Indomptables… (Leões Indomáveis)”.

X – Em 2013, os TA derrotaram a Tunísia, em Túnis (2-0 – Platini e Heldon), assumindo o comando do grupo e qualificando-se para os play-off, naquela que seria a sua “quase entrada” no Mundial-2014, no Brasil. Os ecos fizeram-se sentir até na China. A agência XINHUA destacou o feito inédito.

Z – Uma espécie de versão ZERO da TAC teve lugar em Bissau, em Junho de 1975. Então desconhecido no concerto das Nações, Cabo Verde primou pela ausência, absorto que estava nos preparativos da sua independência. Participaram Guiné-Bissau, Mali, Senegal, Mauritânia e Gâmbia.

Na próxima edição, trarei “As datas mais marcantes na vida dos Tubarões Azuis”. Escreva-me para santaclaraj2m@gmail.com *Pseudónimo de José Mário Correia

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