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Sociedade

AJOC preocupada que ataques à liberdade de imprensa continuem em 2026

A Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), alertou para um ambiente de crescente pressão, intimidação e hostilidade contra o exercício do jornalismo no país, denunciando decisões administrativas e discursos públicos que configuram, segundo a organização, uma ameaça grave à liberdade de imprensa e a independência editorial. Estas preocupações constam de uma mensagem enviada à classe.

Num comunicado dirigido aos profissionais de comunicação social, a Ajoc considera que o ano de 2025 foi particularmente exigente para o jornalismo cabo-verdiano, marcado por tentativas reiteradas de silenciamento e interferências consideradas ilegítimas nos conteúdos editoriais, vindas de diferentes sectores.

Sanções administrativas vistas como ato de represálias

A associação manifesta preocupação com decisões administrativas recentes no sector público da comunicação social, que culminaram nas aplicações de sanções disciplinares a responsáveis editorias, para este, essas medidas representam atos de represálias e um ataque direto à liberdade de imprensa, à independência editorial e aos princípios consagrados na Constituição da República.

Sublinha ainda que, não se trata de meros conflitos de gestão, mas de ingerências políticas e administrativas inaceitáveis, que ferem a lei colocando em causa valores fundamentais da democracia cabo-verdiana. Neste sentido, Ajoc exige intervenções das entidades competentes e expressa solidariedade para com todos os profissionais alvo de pressões, perseguição ou tentativas de silenciamento.

A Associação Sindical repudia declarações públicas que sugerem ou legitimam o recurso à violência como forma de condicionar o exercício do jornalismo, classificando as como graves, irresponsáveis e incompatíveis com o Estado de Direito democrático, defendendo que não há espaço para violência, sobretudo quando esta emana de representantes eleitos.

Riscos excessivos da IA no jornalismo

Sobre os desafios tecnológicos, Ajoc alerta para os riscos do uso excessivo e acrítico da inteligência artificial na produção de conteúdos jornalísticos, advertindo que a mecanização da informação pode empobrecer o jornalismo e fragilizar a sua credibilidade. Reitera que o rigor, a investigação, a análise crítica e a responsabilidade editorial continuam a ser insubstituíveis.

Reconhece, por outro lado, o profissionalismo, a resiliência e o elevado sentido de serviço público demonstrados por jornalistas, repórteres de imagem e fotojornalistas ao longo de 2025, mesmo em contexto de grande adversidade e com recursos limitados. Apela ainda à união da classe e a participação ativa na vida sindical.

Ajoc finaliza reafirmando que não tem filiação político-partidária e nem serve agendas pessoais, com um compromisso com a defesa de um jornalismo livre, independente, responsável e digno ao serviço do interesse público e da democracia cabo-verdiana.

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