Os três pacientes sintomáticos a bordo do navio MV Hondius, que se encontrava ao largo do Porto da Praia, partiram hoje com sucesso para os Países Baixos, a bordo de dois aviões-ambulância, no âmbito de uma operação internacional que envolveu Cabo Verde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e autoridades do Reino Unido, de Espanha e da Holanda. O navio vai, brevemente, sair das águas de Cabo Verde e seguir viagem.
A resposta à situação de emergência de saúde pública foi conduzida pelos Serviços Nacionais de Saúde de Cabo Verde, em estreita articulação com a Organização Mundial da Saúde e parceiros internacionais, avança as Nações Unidas nas redes sociais.
“A Organização Mundial da Saúde – OMS Cabo Verde e os parceiros internacionais, respondeu com rapidez, responsabilidade e solidariedade a uma situação de emergência de saúde pública internacional, demonstrando o valor da cooperação entre países perante desafios globais”, lê-se na publicação.
Na mesma publicação as Nações Unidas realça que a Organização Mundial da Saúde (OMS) esteve na linha da frente, assegurando a coordenação técnica e operacional, mobilizando especialistas, apoio logístico e recursos essenciais para garantir uma evacuação segura e eficaz dos doentes.
“Mais do que uma operação médica, tratou-se de salvar vidas humanas e proteger as pessoas em situação de vulnerabilidade e risco de vida. Este esforço coletivo mostra a importância da cooperação internacional e reflete um dos princípios fundamentais das Nações Unidas, Não deixar ninguém para trás”, continuou a ONU.
Navio vai sair das águas de Cabo Verde brevemente, OMS e Primeiro-ministro garantem
Com a evacuação concluída, a fonte explica que inicia-se agora uma nova fase da operação, que passa pela saída do navio das águas nacionais. Durante esta etapa, será mantido o acompanhamento médico e logístico necessário para assegurar a segurança de passageiros e tripulantes até ao destino final.
O Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva já disse também, via redes sociais, que o navio deverá prosseguir viagem.
“Por razões sanitárias, o navio não foi autorizado a acostar e deverá prosseguir viagem, conforme orientação das autoridades de saúde. Esta operação foi realizada em articulação com as entidades nacionais e internacionais, garantindo uma resposta responsável, segura e alinhada com as exigências de saúde pública”, lê-se na publicação do Primeiro-Ministro.
Na mesma missiva, o PM disse que a situação era delicada, mas que Cabo Verde tomou “as medidas necessárias com rapidez, responsabilidade e coordenação”.
“Após contacto com a Organização Mundial da Saúde, organizámos uma operação segura para a evacuação de três doentes com hantavírus, garantindo todas as condições de proteção sanitária, desde o desembarque controlado até ao transporte para Espanha.
Ao mesmo tempo que protegemos a saúde pública em Cabo Verde, asseguramos uma resposta humanitária responsável a quem precisava de cuidados urgentes. Foram mobilizados todos os meios necessários, com rigor, discrição e atenção permanente à segurança das pessoas”, frisou ainda.
Um médico da Organização Mundial da Saúde, especialista em epidemiologia, seguirá a bordo para apoiar os cuidados de saúde e a investigação clínica, estando igualmente prevista a integração de dois médicos holandeses para reforçar o seguimento clínico ao longo da viagem.
“Desejamos que todos os passageiros e tripulantes cheguem em segurança ao seu destino e que recebam os cuidados médicos e apoio psicológico necessários e possam regressar em segurança junto dos seus familiares e entes queridos”, escreve a ONU.
A ONU finaliza reforçando que a “resposta dada mostra que, perante desafios globais, o multilateralismo salva vidas”.
A organização avança ainda que continuará a partilhar uma comunicação transparente e atempada com o público em geral informando sobre o caso hantavírus.