Para este que será o segundo debate televisivo dos candidatos a Primeiro-Ministro, a ser realizado hoje, às 21h, nos canais públicos de televisão e rádio, confirma-se a presença dos cinco. Sabe o A Nação Online que Francisco Carvalho confirmou a sua presença no debate de hoje, assim como Jónica Brito, líder do PTS, que por doença não esteve no primeiro debate.
No último debate, na TCV e RCV, participaram apenas representantes de três partidos políticos (MpD, UCID e PP), com destaque para a ausência do PAICV, Francisco Carvalho, o que, de certa forma, desvirtuou aquele que deveria ser o primeiro de dois confrontos de ideias num momento crucial da política interna.
Diferente dos tempos de antena ou dos comícios, onde o discurso é unilateral e controlado, o debate força o candidato a sair da sua zona de conforto. É o momento em que as propostas (como as recentes discussões sobre privatizações ou reformas fiscais) são postas à prova pelos adversários.
Um espaço de “fact-cheking” natural
Por outro lado, permite ao eleitor comparar, lado a lado, a preparação técnica e a postura emocional dos candidatos e isto, segundo os especialistas, tem um peso significativo entre os eleitores indecisos. Às vezes, a capacidade de resposta e a clareza de um candidato num debate podem definir a intenção de voto de quem ainda não escolheu um partido.
O debate é, também, um espaço de “fact-cheking” natural, porquanto, mentiras, ou promessas impossíveis tendem a ser desmascaradas em tempo real pelos oponentes. O debate é, em última análise, o “exame final” de uma campanha eleitoral, onde o poder de persuasão e a coerência são as ferramentas mais valiosas.
Linhas mestras das plataformas eleitoral
O MpD, liderado por Ulisses Correia e Silva, estruturou a sua plataforma eleitoral em torno da continuidade das reformas iniciadas e da resiliência económica. O partido, em busca do seu terceiro mandato, continua a defender o modelo de concessão dos transportes marítimos e afirma que a educação deve ser tratada como o motor da ascensão social e da competitividade económica.
Para as eleições legislativas de 17 de Maio de 2026, o PAICV, liderado por Francisco Carvalho, apresenta-se focado no “resgate” do país e na justiça social. O partido coloca a dignificação da pessoa humana como o centro da sua acção política.
A plataforma eleitoral da UCID para as legislativas de 17 de Maio tem sido apresentada com um foco central no equilíbrio do sistema político e no combate às desigualdades sociais. O partido de João Santos Luís se posiciona como a “terceira via” necessária para romper o bipartidarismo em Cabo Verde.
Para as eleições legislativas de 17 de Maio de 2026, o Partido Popular (PP), liderado por Amândio Barbosa Vicente, mantém uma linha de oposição pragmática e crítica ao sistema partidário tradicional (MpD e PAICV). Embora não disponha de recursos para grandes campanhas, a sua plataforma foca-se na reforma do Estado e na justiça social.
Sob o lema “Cabo Verde no Coração” , o Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS), liderado por Jónica Brito, apresenta-se com uma plataforma focada na renovação política e no combate ao bipartidarismo tradicional (MpD/ PAICV). O partido quer se posicionar como uma “terceira via” necessária para equilibrar o Parlamento.

