O presidente do Partido Popular (PP) e candidato a primeiro-ministro, Amândio Vicente, criticou ontem, 08, a gestão económica do país, defendendo reformas estruturais e acusando o modelo actual de não beneficiar directamente a população.
Amândio Vicente, que falava no último debate entre líderes partidários promovido pela Radiotelevisão Cabo-verdiana (RTC), apontou críticas ao Governo e ao PAICV, considerando que o crescimento económico não se traduz em melhorias no rendimento dos cidadãos e denunciando aquilo que classificou como “injustiça fiscal”.
O líder do PP defendeu a redução da dívida pública como prioridade central, argumentando que o nível de endividamento limita a capacidade do Estado para investir em áreas sociais e económicas.
Segundo o candidato, Cabo Verde dispõe de potencial de crescimento, mas encontra-se condicionado por uma gestão financeira que não permite libertar recursos suficientes para o desenvolvimento.
PP contesta dados do desemprego
Ao abordar o desemprego, Amândio Vicente contestou os dados oficiais, afirmando que a baixa taxa registada resulta, em grande parte, da emigração de jovens.
Para inverter o cenário, o candidato propôs reformas estruturais e uma aposta nos sectores primários, nomeadamente na industrialização das pescas e na modernização da agricultura, além da simplificação de processos para reduzir a informalidade.
Salário mínimo insuficiente e construções em zonas de risco
Amândio Vicente considerou ainda insuficiente o salário mínimo nacional de 17 mil escudos.
No mesmo debate, criticou a gestão da habitação na cidade da Praia, acusando o MpD e o PAICV de negligenciarem o sector, o que, segundo disse, tem contribuído para a expansão desordenada de construções em zonas de risco.
Questionado sobre os temas em discussão, o candidato do PP afirmou que a corrupção deveria ter sido incluída no debate, embora tenha considerado a troca de ideias “esclarecedora”.
Amândio apela ao voto consciente
Na sua mensagem de um minuto, o líder do PP apelou ao voto consciente e pediu um “voto de confiança” no PP, com vista à resolução dos “problemas estruturais” que afetam áreas como o emprego digno, a saúde, habitação, segurança pública e policiamento de proximidade.
Recorde-se que um dos objectivos do PP é eleger o seu primeiro deputado nacional.
Cinco partidos e mais de 500 candidatos efectivos
Para as eleições legislativas de 17 de Maio próximo, a campanha eleitoral conta com a participação das três forças políticas com assento parlamentar (MpD, PAICV e UCID), assim como a participação do PP e do PTS, que concorrem em apenas seis círculos eleitorais.
Estão em disputa 72 assentos na Assembleia Nacional, sendo 66 eleitos pelos círculos nacionais e seis pelos círculos da emigração. Ao todo, são mais de 500 candidatos efectivos em destaque na campanha, que arrancou a 30 de Abril, e decorrerá até às 24 horas do dia 15 de Maio.
Recorde-se que nas últimas eleições legislativas em Cabo Verde, no dia 18 de Abril de 2021, o Movimento para a Democracia (MpD) venceu com maioria absoluta, ao eleger 38 deputados, contra 30 do PAICV e quatro da UCID.
C/ Inforpress e TCV

