O presidente do Partido Popular (PP), Amândio Vicente, lamentou a ausência de temas cruciais como a transparência e a prestação de contas no debate eleitoral que aconteceu na sexta-feira, 08, na Radiotelevisão Cabo-verdiana (RTC).
Entre as propostas centrais, o líder partidário, que ontem, 09, esteve em contacto porta-a-porta, no bairro de Lém-Cachorro, arredores da cidade da Praia, defendeu uma mudança radical na nomeação do Procurador-Geral da República visando garantir o combate à corrupção.
Especulação imobiliária
Neste capítulo, referiu-se aos escândalos imobiliários e ajustes directos, apontando o dedo à gestão municipal e central, e exemplificou com casos de alegada especulação imobiliária com venda de terrenos pela câmara municipal por valores irrisórios e revendidos em poucos meses por quantias que excedem os cem mil contos.
“A prestação de contas é um dever de qualquer político”, sublinhou o candidato do PP. O mesmo afirmou ainda que este mecanismo se tornou uma norma, coincidindo com o surgimento de sinais de riqueza injustificada entre membros do Governo e de poder local, sem que se conheça a origem de tais fundos.
O PP defende que nenhum governante ou funcionário é responsabilizado por má conduta, e, para inverter este cenário de impunidade, apresenta propostas para a independência do Ministério Público, cargo que não de ser nomeado pelo poder político.
Amândio Vicente impôs a si próprio esta missão de esclarecer a população quanto a esta matéria durante a campanha e sugeriu, igualmente, a revisão da lei que regula os crimes de titulares de cargos políticos.
Degradação social e habitacional em Lém-cachorro
A comitiva do PP disse, em Lém-Cachorro, ter-se deparado com um cenário de “degradação social e habitacional” e acusa o poder público de ignorar o direito constitucional à habitação, criticando a falta de terrenos urbanizados para as famílias mais carenciadas, enquanto o mercado paralelo de lotes continua a florescer sem fiscalização.
Cinco partidos e mais de 500 candidatos efectivos
Para as eleições legislativas de 17 de Maio próximo, a campanha eleitoral conta com a participação das três forças políticas com assento parlamentar (MpD, PAICV e UCID), assim como a participação do PP e do PTS, que concorrem em apenas seis círculos eleitorais.
Estão em disputa 72 assentos na Assembleia Nacional, sendo 66 eleitos pelos círculos nacionais e seis pelos círculos da emigração. Ao todo, são mais de 500 candidatos efectivos em destaque na campanha, que arrancou a 30 de Abril, e decorrerá até às 24 horas do dia 15 de Maio.
Recorde-se que nas últimas eleições legislativas em Cabo Verde, no dia 18 de Abril de 2021, o Movimento para a Democracia (MpD) venceu com maioria absoluta, ao eleger 38 deputados, contra 30 do PAICV e quatro da UCID.
C/ Inforpress

