Elisângela Varela, professora de 42 anos, realizou o sonho de ser baterista, contra todas as expectativas culturais existentes em Cabo Verde. Com teimosia, o impulso certo e muita organização, ela canta e toca bateria ao mesmo tempo.
Natural de Quartel Escola, Cidade da Praia, Elisângela Varela explica que o seu amor pela música surgiu na infância, quando ouvia a rádio ou o cantar da avó, enquanto fazia as tarefas domésticas.
Mais tarde, esse amor foi fortalecido pelas tocatinas a que foi assistindo, das quais sonhava em fazer parte um dia, embora não tivesse referências comuns de mulheres bateristas em Cabo Verde.
“Culturalmente não se vê isso”, explicou, acrescentando que as circunstâncias da vida, aliadas à teimosia e desejo incessante, permitiram-lhe realizar o sonho já em idade adulta.
“Acreditar que somos capazes”
Sobre a ideia de uma mulher dirigir um espetáculo, afirma que a aceitação precisa partir, em primeiro lugar, delas próprias.
“A mulher precisa, primeiro, acreditar que consegue e, depois, pedir apoio necessário aos mais experientes”, aconselha.
O sonho de grandes palcos
A baterista, que olha para as críticas como forma de melhorar ainda mais o seu trabalho e crescer, já levou o seu talento a festivais de Reggae na Assomada e no Tarrafal, a tocatinas em restaurantes e a festas de casamento. O sonho agora é tocar nos grandes palcos do país.
Às mulheres que sonham seguir o mesmo caminho, Elisângela aconselha focar nos objectivos, ter atitude e confiança.
Adjamir Braga
(Estagiário)

