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Cultura

Morreu Nanutu, saxofonista angolano que tocou com Tito Paris, Nando da Cruz e vários artistas cabo-verdianos

Morreu Sexta-feira, 15, em Portugal, o saxofonista angolano António Manuel Fernandes, artisticamente conhecido por “Nanutu”, aos 68 anos, vítima de doença. Reconhecido como uma das maiores referências do saxofone em Angola, “Nanutu” construiu uma carreira de várias décadas e tocou com Tito Paris e Nando da Cruz, entre outros músicos e artistas cabo-verdianos que já lamentaram a sua morte.

Na sua página no Facebook, o renomado músico, compositor e cantor cabo-verdiano, Tito Paris, recorda que “Nanuto”, “saxofonista gigante”, foi um companheiro de muitas frentes com quem trabalhou durante cerca de 30 anos de “cumplicidade na música e na vida”.

“Deixou a sua alma gravada em dois discos meus. Esteve lá logo no início, no meu primeiro trabalho, Dança ma mi criola, e mais tarde no Graça de Tchega.  Viajámos juntos por este mundo fora — fomos à América, a África, corremos a Europa em tantas e tantas viagens que já lhes perdi a conta”, recorda Tito Paris, lamentando que a morte de “Nanuto” “não deixa apenas um vazio na música; deixa uma saudade imensa no meu peito. Obrigado por tudo, meu irmão”.

Por sua vez, Nando da Cruz, outro conhecido músico, compositor e cantor cabo-verdiano, também lamentou a morte do “amido angolano” “e recorda que, graças à sua influência “Nanuto” chegou a tocar com a mítica banda cabo-verdiana Cabo Verde Show.

Nando da Cruz recorda, igualmente, as digressões que fez juntamente com “Nanuto” por países como Holanda, Itália, Luxemburgo e Cabo Verde.

Valorização da música instrumental angolana

Nascido no Sambizanga, em Luanda, em 1957, “Nanutu” é considerado uma das maiores referências do saxofone em Angola, com uma carreira de décadas marcada pela valorização da música instrumental angolana e pela divulgação da cultura nacional em palcos internacionais.

Começou por tocar bateria e depois clarinete, antes de se especializar no saxofone, atuando em grupos de Luanda a partir de 1974, tendo a sua estreia na música angolana acontecido com o Agrupamento Aliança FAPLA-Povo, e passado também pelos Merengues e pelo Semba Tropical.

Emigrou para Portugal em 1991, onde prosseguiu a formação musical, frequentando o Hot Club de Lisboa, o Conservatório Musical da República Dominicana em Santo Domingo e o Conservatório Nacional de Havana, em Cuba.

Em Portugal, além de Tito Paris, tocou com artistas como Luís Represas, Bonga e Paulo Flores, entre outros, tendo também acompanhado internacionalmente nomes como Pablo Milanés, Martinho da Vila, Simone, Daniela Mercury e Lecy Brandão.

Em julho de 2025, “Nanutu” foi condecorado pelo Presidente da República, João Lourenço, na “Classe Paz e Desenvolvimento”, durante a terceira cerimónia de distinções inserida nas comemorações dos 50 anos da Independência Nacional, em reconhecimento do seu contributo para a música angolana.

Da discografia de “Nanutu” destacam-se com álbuns como “Gato Vijú” (2021), “Ximbika” (2012), “Bisa” (2009), “Luandei” (2005), “Kizofado” (2000) e “Marés” (1996).

C/Agência de Notícias

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