Em entrevista à um dos mais importantes jornais do Brasil, O Globo, do Rio de Janeiro, o Presidente da República foi enfático em dizer que a participação destes dez “grãozinhos de terra” no Mundial 2026 é “talvez, o maior momento de comunhão nacional desde a independência de Portugal, em 5 de julho de 1975”.
José Maria Neves disse que os Tubarões Azuis costuram justamente o que a geografia e a política separam: as ilhas entre si, a diáspora ao território, partidos e gerações. “Temos democracia, temos pluralismo, mas muitas vezes há uma fragmentação. A seleção nos une”.
Sem hesitar JMN sublinhou que a copa “une mulheres, homens, jovens, crianças. Para um pequeno país como o nosso, é gigantesco. (…) É também um elemento cultural e de resistência”.
Nascem os ídolos cabo-verdianos Outro ganho importante da participação cabo-verdiana no Mundial, para o PR, é que as crianças cabo-verdianas ganham ídolos mundiais com a própria cara. “Antes, nós tínhamos o Zico, o Sócrates, no Brasil, o Cristiano Ronaldo, em Portugal, o Messi. Hoje temos o nosso Ryan, o nosso Sidney e o nosso Vozinha. Então, a criança pode ver, sentir essa proximidade e dizer: eu posso ser um deles”.
José Maria Neves salientou ainda a força do desporto em alavancar outras áreas da sociedade cabo-verdiana.
“Podemos ter tubarões azuis na saúde, na educação e tubarões azuis em outras áreas de desenvolvimento do país”, disse.
O PR apontou ainda que o sucesso cabo-verdiano no desporto vai além do futebol, já que o país já deu provas do seu talento, disputando Mundiais de andebol e de basquetebol, conquistou medalha olímpica no boxe (nos Jogos de Paris 2024, feito alcançado pelo pugilista David de Pina, bronze no peso-mosca), e medalhas paralímpicas no atletismo. Mas é no futebol, “um desporto de massa”, que ele aposta como alavanca.
“Esta participação vai dar um empurrão enorme ao desenvolvimento do futebol, de outras modalidades e do país”, prevê.
Estar no Mundial não é um evento apenas desportivo
“As pessoas sempre tiveram uma dúvida e perguntavam intimamente: será que este país é viável? ‘Será que podemos nos sustentar como um país independente?’. Há momentos em que uma nação se redefine. Esta classificação não é um evento apenas desportivo. Quando você tem uma seleção como a nossa, que vai à Copa do Mundo e está com os grandes, você acaba por acreditar que tudo é possível, não só no futebol, mas em tudo: criar um país melhor e construir o futuro. Esta vitória não é meramente desportiva, é uma vitória de um povo que se redefine e se afirma como possibilidade de futuro. Nós somos mais mar e o nosso futuro é azul”.
Publicado na Edição 980 do Jornal A Nação, de 11 de Junho de 2026

