A Assembleia-Geral das Nações Unidas voltou a colocar o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba no centro do debate internacional. Reunidos na terça-feira, os Estados-membros aprovaram, com 136 votos positivos, a realização de um novo debate sobre o tema.
Na Assembleia-Geral das Nações Unidas (AGNU), 136 países votaram a favor da realização de um novo debate sobre o bloqueio norte-americano a Cuba, incluindo Cabo Verde, que reiterou a defesa do levantamento imediato das sanções e apelou ao diálogo como caminho para a resolução das divergências.
Entre os países que votaram contra a reabertura da discussão estão os EUA, Israel, Argentina, Costa Rica, Marrocos, Paraguai, República Checa, Macedónia do Norte e Ucrânia.
Outros 18 Estados não participaram na votação por incumprimento de obrigações financeiras, entre eles a Venezuela e o Afeganistão.
Cabo Verde reafirma apoio
Na sua intervenção, a representante de Cabo Verde, a embaixadora Tânia Romualdo, afirmou que a situação se agravou desde o último debate, realizado em Outubro de 2025, e recordou que há mais de três décadas a maioria da comunidade internacional tem apelado ao fim das sanções impostas à Cuba.
Cabo Verde destacou igualmente os laços históricos de amizade e cooperação com Cuba, sublinhando o contributo daquele país ao longo de décadas, nomeadamente em áreas como a saúde e a formação técnica.
Cuba acusa EUA de intensificarem o bloqueio
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, acusou Washington de intensificar a pressão sobre Cuba.
Segundo o governante, o bloqueio petrolífero imposto desde o início de 2026 representa “um acto de guerra”, comparável a um bloqueio naval, e integra aquilo que classificou como uma “guerra multidimensional” contra Cuba.
O chefe da diplomacia cubana denunciou ainda alegadas ameaças de agressão militar por parte dos EUA e voltou a defender o levantamento das sanções económicas.
Amplo apoio internacional
Mais de 50 países usaram da palavra durante a sessão, juntamente com representantes de blocos e organizações internacionais. Nas intervenções, predominou a rejeição do bloqueio imposto pelos EUA, considerado uma medida unilateral incompatível com o Direito Internacional e com a Carta das Nações Unidas.
Várias vozes defenderam que as sanções continuam a constituir o principal obstáculo ao desenvolvimento económico e social de Cuba, agravado recentemente pelo cerco energético e pelos seus impactos nos serviços básicos.
Os participantes apelaram ainda à retirada de Cuba da Lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo, condenaram a aplicação extraterritorial das sanções e defenderam que as divergências entre Washington e Havana devem ser resolvidas através do diálogo e da cooperação internacional.

