O pátio do Centro Nacional de Arte Artesanato e Design (CNAD), da cidade do Mindelo, São Vicente, foi baptizado, Sexta-feira, 10 de Julho, com o nome do músico, compositor, escritor e poeta cabo-verdiano, Vasco Martins, uma das maiores referências da criação artística nacional, falecido em Novembro de 2025. A cerimónia de baptismo teve lugar no âmbito das comemorações dos 50 anos da Cooperativa Resistência, fundada em 1976 por Manuel Figueira, Luísa Queirós e Bela Duarte.
Durante a cerimónia de baptismo, Artur Marçal, diretcor do CNAD, considerou que atribuir o nome de Vasco Martins ao pátio da instituição significa honrar e celebrar o mesmo ADN de liberdade e resistência que esteve na origem da Cooperativa Resistência.
Segundo o responsável, a homenagem não representa um novo capítulo na história do CNAD, mas a continuidade dos princípios que deram origem à cooperativa.
Legado da Cooperativa Resistência e de Vasco Martins
“Estamos a honrar e a celebrar o mesmo ADN de liberdade e de resistência que esteve na base da cooperativa e do pensamento de Vasco Martins”, afirmou, citado pela Agência Cabo-verdiana de Notícias (INFORPRESS).
O director do CNAD defendeu que, tal como a Cooperativa Resistência preservou e valorizou o artesanato cabo-verdiano, Vasco Martins fez o mesmo através da música e da poesia.
“O que a cooperativa fez com os teares, com o pano de terra, a pintura e o batique, Vasco Martins fez com a música e com a poesia”, disse, acrescentando que o compositor praticou um “acto de resistência cultural” ao introduzir novas linguagens musicais, como a música electrónica e as estruturas sinfónicas no panorama musical cabo-verdiano.
Artur Marçal sustentou que a obra do compositor demonstrou que a tradição não é estática, mas uma força capaz de evoluir e reinventar-se, considerando que Vasco Martins “desenhou o futuro do som cabo-verdiano” ao aproximar a electrónica e a música sinfónica da morna e da identidade das ilhas.
Espaço vivo de criação e reflexão
Para o responsável, o Pátio Vasco Martins deverá afirmar-se como um espaço vivo de criação e reflexão, capaz de inspirar artistas, artesãos, designers, músicos e outros criadores a prosseguirem um caminho de inovação sem perderem as raízes.
Por seu turno, a filha do homenageado, Mara Martins, agradeceu a homenagem prestada ao pai e recordou a forte ligação que este manteve com Cabo Verde, afirmando que a sua obra continua viva e permanecerá como fonte de inspiração.
Emocionada, disse sentir a ausência do pai, mas realçou que o legado artístico deixado por Vasco Martins é “profundo e eterno”, razão pela qual continua presente através da música e da influência que exerce sobre sucessivas gerações.
“Momento relevante para a história cultural de São Vicente e de Cabo Verde”, diz ministro da Cultura
Já o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, António Augusto Sequeira Duarte, manifestou o apoio do Governo à iniciativa, considerando que a atribuição do nome de Vasco Martins ao pátio do CNAD constitui um reconhecimento merecido pelo contributo do compositor para a cultura cabo-verdiana.
O governante recordou que, ainda criança, frequentava a Galeria Nhô Djunga, acompanhando a mãe, e assistia aos concertos promovidos por Vasco Martins após o seu regresso de França, experiências que, segundo afirmou, marcaram a sua formação cultural.
António Duarte considerou que a cerimónia representa “um momento relevante para a história cultural de São Vicente e de Cabo Verde”, defendendo que a homenagem perpetua o legado de um dos maiores criadores da música nacional.
Estreia do filme The Coriolis Effect
O programa incluiu, ainda, actuações musicais protagonizadas pelos filhos de Vasco Martins, uma conversa em torno da vida e da obra do falecido músico e compositor e a estreia do filme The Coriolis Effect.
Filmado em Cabo Verde, The Coriolis Effect é uma meditação cinematográfica sobre a vida, a natureza e as alterações climáticas.
Realizado por Corinne van Egeraat e Petr Lom, em colaboração com Vasco Martins, o filme convida o público a reflectir sobre a relação entre todos os seres vivos e a responsabilidade colectiva de cuidar do planeta.
As comemorações prosseguem Domingo, 12 de Julho, com uma performance musical no arco erigido por Vasco Martins, no Norte da Baía, precisamente no dia em que o compositor completaria 70 anos de idade.
C/INFORPRESS

