Um talento é, geralmente, uma das características de uma pessoa que tem um dom para executar alguma tarefa com criatividade. Mas, hoje, trazemos um talento que não se mede apenas pela sua técnica, mas pela dedicação, pela resiliência e pela capacidade de servir os outros, com orgulho.
Carlos Mota é um senhor que, desde os 17 anos, engraxa sapatos na Praça do Platô e se preocupa com o brilho que deixa em cada par. A arte vem da família, pois cresceu a ver o pai a engraxar sapatos e acabou por ganhar gosto pela profissão. “Todo o trabalho tem de ser feito com amor. Eu gosto de fazer este trabalho.”
Apesar das mudanças na sociedade e da diminuição da procura pelos serviços de engraxador, conseguiu sustentar a casa onde vivem a sua mulher e a sua filha. “Dinheiro, nós é que vamos fazer render”, garante.
Mesmo com as dificuldades que surgem diariamente, nunca pensou em desistir ou mudar de profissão. “Dificuldades sempre haverá ao longo da trajetória. Mar de rosas nunca existiu”. Por isso, diz que o trabalho lhe ensinou o valor da honestidade, da paciência e da humildade.
Carlos defende que devemos sempre procurar uma forma honesta de sobreviver e não deixar que o preconceito e a discriminação interfiram na nossa trajetória. “Sabemos que o preconceito e a discriminação no mundo não irão acabar. Por isso, temos de aprender a não nos importar, caso contrário, não conseguiremos dar nenhum passo.”
Para ele, engraxar um sapato “é brilhar” em qualquer lugar que pisa. “Eu, quando graxo um sapato, sinto-me elegante juntamente com os fregueses.”
Com humildade, deixa um conselho aos jovens envolvidos na criminalidade: “Hoje os jovens têm vários espelhos; a escolha é deles!”. “O futuro está nas vossas mãos.”

