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Basquetebol: Indícios de falhas na gestão de fundos da Federação

Uma auditoria realizada às contas da Federação Cabo-verdiana de Basquetebol (FCBB) revela “limitações graves” na documentação e validação de operações financeiras ocorridas em 2025. O relatório já foi encaminhado à PGR para os devidos efeitos. O antigo presidente da FCBB, Hélder Gonçalves, diz que desconhece a auditoria mandada fazer pela actual direção da Federação.

A Federação Cabo-verdiana de Basquetebol (FCBB) enviou à Procuradoria Geral da República (PGR) o relatório final de auditoria independente às contas da Federação, que incide sobre o período de 01 de Abril a 31 de Dezembro de 2025.

De acordo com o ofício enviado ao Ministério Público (MP), por iniciativa da actual direcção da FCBB, liderada por José Semedo, surge no âmbito dos compromissos de transparência, boa governação e salvaguarda do interesse público que devem reger a instituição desportiva.

O relatório final, elaborado pelo auditor independente Idrissa Gomes, da firma ITG Consultoria & Auditoria, revela que cerca de  62% do total das saídas financeiras  analisadas entre 01 de Abril e 31 de Dezembro de 2025 “não dispõem de suporte documental adequado”.

No período auditado, segundo o relatório, o volume global de saídas financeiras das contas da Federação ascendeu a 20.224.393,94 CVE. Deste montante, “uns expressivos”  12.550.568,83 escudos  foram classificados como saídas sem documentação de suporte suficiente. “Isto significa que mais de metade dos fundos movimentados não pôde ser integralmente validada quanto à sua natureza, finalidade, beneficiário ou razoabilidade”.

Consoante o relatório, a análise minuciosa incidiu sobre as duas contas bancárias tituladas pela FCBB: uma na Caixa Económica de Cabo Verde (CECV) e outra no Banco BAI, totalizando 326 movimentos bancários.

A conta no banco BAI  foi a que registou o maior fluxo e o maior volume de inconformidades. Dos 260 movimentos analisados nesta conta (com saídas de 16,7 milhões de CVE), “foram identificados 58 movimentos sem comprovativo documental adequado, totalizando 10.638.677,83 CVE (cerca de 63,66% das saídas da conta)”.

A conta na CECV registou 66 movimentos. “As saídas totalizaram 3,5 milhões de CVE, das quais 1.911.891,00 CVE  (54,41%) não tinham suporte documental adequado”.

Entre as principais constatações do auditor, destacam-se movimentos com descrições genéricas ou pouco claras nos extratos — tais como “pagamentos diversos”, “diversos” ou “cheque interno” —, “o que reduz drasticamente a rastreabilidade das operações”.

O relatório individualiza ainda algumas categorias consideradas sensíveis que mereceram especial atenção devido à falta de clareza documental. Uma delas está relacionada com a rúbrica alojamento, logística e apoio operacional que “registou a maior fatia sob suspeita, com 5.651.756,18 CVE movimentados na conta no BAI”.

As despesas com viagens e agências totalizaram 1.912.909,00 CVE entre as duas contas e nos movimentos associados ao Afrobasket foram identificados 1.517.000,00 CVE  com descrição direta ao evento “sem o devido suporte”.

Foram também detectadas transferências para contas bancárias de ex-responsáveis, membros e colaboradores “sem notas justificativas ou faturas que validassem o destino final do dinheiro”.

O trabalho de auditoria, conforme o relatório, surgiu num contexto de transição de gestão na FCBB. “No âmbito do princípio do contraditório, foi concedida aos responsáveis da altura a oportunidade de apresentarem documentos em falta”.

Embora a diligência tenha permitido reclassificar e validar alguns movimentos, o auditor realça que muitos dos documentos entregues consistiam apenas em “comprovativos bancários de pagamento”.

“Os comprovativos bancários demonstram a saída de fundos, mas não comprovam, por si só, a natureza da despesa, o serviço prestado, o beneficiário final ou a finalidade institucional da operação”, alerta o relatório.

Ademais, a comissão de auditoria lamenta a inexistência ou indisponibilidade de ferramentas básicas de gestão, como balancetes mensais, diários, reconciliações bancárias formais e arquivo integral de facturas.

Antigo presidente da FCBB diz desconhecer auditoria

Contactado pelo A NAÇÃO, o antigo presidente da FCBB, Hélder Gonçalves, diz que desconhece a auditoria mandada fazer pela actual direção da Federação e afirma que, até a presente data, não teve conhecimento de nenhum relatório.

“Mas independentemente do relatório produzido à base de mentiras e falsas acusações, pergunto, como produziram um relatório sem informações da antiga direcção? Isso não passa de mais uma tentativa de tentar denegrir a minha imagem perante a sociedade, armadas pelo grupinho de dirigentes sem caráter e sem respeito ao próximo”, rematou.

Afirmou ainda que a actual direcção da FCBB deverá preocupar-se com a gestão desportiva e“não com a minha pessoa que deu provas a nível desportivo desde 2017 a 2025 como dirigente”.

Daniel Almeida

Publicado na Edição 985 do Jornal A Nação, de 16 de Julho de 2026

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