Chegou ao fim a 23ª edição do Mundial de Futebol com a Espanha a sagrar-se campeã frente à Argentina. Num jogo dramático em Nova York, EUA, o espanhol Ferran Torres marcou o golo da vitória já na segunda metade da prorrogação, aos 106 minutos e 16 anos depois, o título mundial voltou a ser espanhol. Cabo Verde foi mesmo a única seleção a não sofrer golos dos espanhóis nesta edição da Copa.
Os 120 minutos da final foram totalmente controlados pelos espanhóis. A melhor defesa do torneio não deixou Messi comandar as ações da Argentina, que caiu como a França na roda de passes da La Roja.
A Espanha terminou a partida com 20 remates à baliza contra apenas três da Argentina, além disso a Espanha teve 68% de posse de bola durante a partida e fez cerca de 800 passes completos contra cerca de 440 dos hermanos.
Expulsão de Enzo Fernández
Aos 90+3 Argentina ficou com um a menos depois que Enzo Fernández foi expulso, após entrada forte em Pau Cubarsí. O revés fez a equipe sul-americana recuar ainda mais, dando espaço para o adversário.
A Espanha chegou a marcar com Nico Williams na primeira parte da prorrogação, mas o golo foi anulado pelo árbitro, que assinalou falta no guarda-redes argentino. O lance antecipava o que estaria por vir.
No segundo tempo extra, a euforia espanhola explodiu antes do relógio apontar um minuto. Após cruzamento de Pedro Porro da direita, Nico Williams ajeitou de cabeça no segundo poste e Ferran Torres soltou a bomba de perna esquerda para abrir o placar.
O golo na prorrogação garantiu o bicampeonato mundial para a Espanha, assim como em 2010, quando a seleção europeia levantou seu primeiro troféu com gol de Andrés Iniesta, também no tempo extra.
Na entrevista pós-jogo, o avançado dedicou a conquista a todo o elenco e ao povo espanhol.
“Este golo não foi só eu que marquei, foram 46 milhões de espanhóis, foram os 26 jogadores aqui. É pela Espanha. Hoje o destino estava escrito, era para que ganhássemos”, disse Ferran Torres herói do título.
Espanha domina títulos individuais

Com uma campanha marcada pelo seu forte futebol coletivo, a Espanha, além do título, também levou o prémio de melhor jogador do campeonato do campeonato.
O médio Rodrigo foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo, superando o argentino Lionel Messi, que fez uma final sem brilho, e Kylian Mbappé, que ficou em quarto lugar com a França.
Além disso, Unai Simón levou o prémio de melhor guarda-redes e Pau Cubarsí o de melhor jogador jovem da competição.
Com 10 gols, Mbappé terminou a competição como o melhor marcador desta edição, à frente de Messi, com 8, tornande-se o primeiro jogador a atingir tal marca em duas edições (2022 e 2026).
Mbappé se consagrou como o maior marcador da história dos Mundiais, com 22 no total, um a mais que o argentino, que passou em branco nos últimos três jogos.
O último tango de Messi e a consagração de Yamal
No fim da partida, Lionel Messi e Lamine Yamal se abraçaram e conversaram alguns minutos. A imagem, uma espécie de passagem de bastão do gênio argentino para a nova estrela espanhola, encerra um ciclo que começou surpreendentemente na foto emblemática da campanha beneficente para a Unicef, em 2007.
Naquela ocasião, Messi, aos 20 anos, segurava no colo Yamal, ainda um bebê de poucos meses. Agora, aos 39, após um desempenho surpreendente para um atleta dessa idade, o ídolo argentino se despede das Copas com um título (2022) e dois vices (2014 e 2026).
Já o espanhol Lamine Yamal, herdeiro da camisa 10 do Barcelona, consagrada por Messi, conquistou o seu primeiro mundial. Ele e Pau Cubarsí se tornaram o terceiro e o quarto jogadores mais jovens da história a disputar uma final e a conquistar a Copa.
Os dois nasceram em 2007: Yamal alcançou a marca com 19 anos e 6 dias, enquanto Cubarsí tem 19 anos e 178 dias. Cubarsí ainda foi eleito o melhor jogador jovem do torneio.
O primeiro mundial histórico de Cabo Verde
Recorde-se que esta edição do Mundial de Futebol foi a primeira com 48 seleções (antes eram 32), a primeira organizada por três países: Canadá, Estados Unidos e México e teve um recorde de 104 jogos.
Foi também nesta edição que Cabo Verde estreou em mundiais e foi a seleção sensação do Mundial, enfrentando os dois finalistas: empate a zeros com a agora campeã Espanha e perdeu por 3-2 com a Argentina depois de segurar um 2-2 no tempo regulamentar.
TR c/ agências

