O Sindicato Nacional dos Pilotos da Aviação Civil (SNPAC) reagiu, em nota, às declarações do Ministro da dos Transportes e do Mar, João do Carmo, que durante uma visita de trabalho à Capital, admitiu “todos os cenários para a TACV”, incluindo a de liquidação da companhia. Na missiva, a SNPAC afirmou que as declarações são mais um duro golpe na credibilidade da companhia e na confiança que passageiros, parceiros, investidores e trabalhadores depositam na empresa.
Na comunicação, o sindicato começa por apontar que a confiança é um dos principais ativos de uma companhia aérea no mercado atual e que as palavras proferidas pelo ministro “têm consequências”.
“Independentemente de quem governa ou das opções políticas legitimamente defendidas, qualquer declaração pública que fragilize a confiança na companhia prejudica diretamente a sua credibilidade e os interesses do país”, avança o Sindicato, alertando ainda que uma única declaração desta natureza “pode destruir, em minutos”, o trabalho de anos desenvolvido pelos profissionais “que diariamente lutam para manter a empresa operacional, segura e credível”.
Segundo a mesma fonte, as declarações de João do Carmo surgem num momento que Cabo Verde beneficia de uma crescente projeção internacional, impulsionada pelo turismo e pela extraordinária campanha da Seleção Nacional e diz que a companhia e transportadora oficial da Seleção Nacional, deveria estar a capitalizar esta visibilidade para reforçar a sua marca, conquistar novos mercados e promover Cabo Verde além-fronteiras.
“Em vez disso, lança-se um balde de água fria sobre a confiança na companhia, desperdiçando uma oportunidade única para fortalecer a imagem do país e da sua transportadora de bandeira”, lamenta.
Empresa estratégica
Ainda de acordo com a SNPAC, a TACV é uma empresa estratégica para Cabo Verde, essencial para a mobilidade entre as ilhas, para a ligação à diáspora, para o turismo, para a economia e para a afirmação internacional do país e não “um slogan político nem um instrumento de debate partidário”.
O sindicato apontou que uma possível paralisação da empresa tem consequências “já conhecidas e demonstradas pela história”, como isolamento, redução da conectividade, aumento significativo do preço das passagens e enormes dificuldades para milhares de cabo-verdianos residentes no país e na diáspora.
A associação sindical diz ainda que Cabo Verde, sendo um país arquipelágico, não pode tratar o seu principal instrumento de transporte aéreo “com ligeireza”.
O Sindicato Nacional dos Pilotos da Aviação Civil assevera que a gestão da TACV é responsabilidade do Estado mas alertou que preservar a sua credibilidade “também o é”.
No entender do Sindicato Declarações públicas que fragilizam a confiança dos mercados, dos passageiros e dos parceiros internacionais “apenas dificultam a recuperação da empresa e anulam parte do esforço desenvolvido pelos seus trabalhadores”, sublinhando que na aviação, a confiança demora anos a conquistar, “mas basta uma única declaração para a destruir”.
O Sindicato reitera que a TACV não pertence aos governos, pertence ao interesse estratégico de Cabo Verde e afirma que qualquer declaração que fragilize a confiança na companhia prejudica o país, independentemente de quem governa.
“Os trabalhadores da TACV continuam a demonstrar profissionalismo, dedicação e sentido de missão, mesmo perante sucessivos incumprimentos laborais, atrasos salariais e inúmeras dificuldades. Apesar de tudo, continuam a honrar a bandeira de Cabo Verde, assegurando a continuidade das operações e a segurança dos passageiros. Importa igualmente recordar que, durante muitos anos, a TACV desempenhou um papel determinante no desenvolvimento nacional”, lê-se ainda na comunicação.
O caso
Conforme noticiado pela Inforpress, no passado dia 16 de julho, no âmbito de uma visita de trabalho que o governante João do Carmo manteve com entidades fundamentais dos sectores sob a sua tutela, o ministro admitira todos os cenários para a TACV e a necessidade de encontrar uma solução sustentável para a empresa.
Sobre os TACV e o setor aéreo, Do Carmo reconheceu que a realidade financeira da companhia é “muito crítica”.
Segundo afirmou, a empresa vive permanentemente numa situação financeira “negativa”, razão pela qual o Governo irá promover estudos para analisar todos os cenários possíveis.
Entre as opções apontadas estão uma reestruturação profunda da empresa, o estabelecimento de parcerias estratégicas ou a entrada de investidores, a redefinição do modelo de negócio e, apenas como último recurso, um eventual processo de liquidação.
No entanto, o ministro sublinhou que seria irresponsável falar apenas da liquidação da companhia sem analisar previamente outras alternativas, mas considerou igualmente irresponsável manter a empresa nas actuais condições.
João do Carmo garantiu que qualquer decisão será tomada com responsabilidade, procurando proteger os trabalhadores tanto quanto possível e assegurar a continuidade dos serviços considerados essenciais.

