
Por: José Miranda
Parabens!
Inicio esta curta reflexão parabenizando Cabo Verde pelos grandes sucessos alcançados nestes 51 anos de percurso pós‑Independência e, sobretudo, pelos grandes feios neste dia 5 de julho de 2026.
1 – Cabo Verde celebra, hoje, cinquenta e um anos da sua História como país independente e soberano, depois de ter dado suor, sangue e vida dos seus filhos para conquistar a liberdade.
2 – Completam‑se, este ano, 26 anos da implantação do regime democrático em Cabo Verde, período em que se passou a eleger os governantes nacionais através do voto direto e secreto, para a escolha da proposta considerada a melhor.
3 – Pela primeira vez se ouviu a voz de uma Mulher Cabo‑verdiana no discurso da Sessão Solene de celebração do Aniversário da Independência de Cabo Verde, enquanto Presidente da Assembleia Nacional.
4 – Regressaram ao país os Tubarões Azuis, depois de terem conseguido três empates durante a fase de grupos desta edição do Mundial de Futebol – dois deles frente a seleções campeãs do mundo – e de terem surpreendido o planeta com a sua passagem histórica para os 16 avos.
5 – As ilhas e toda a diáspora uniram‑se, primeiro na torcida e depois nesta vitória de Cabo Verde, sobretudo por ter conseguido travar, nos 16 avos, uma luta “de igual por igual” com o país campeão mundial de futebol, dentro dos 90 minutos regulamentares, vindo apenas a perder, por um golo, no prolongamento.
Na minha opinião, os nossos governantes devem, em comunhão, refletir sobre como será possível fazer os cabo‑verdianos regressarem à cultura de trabalho.
Desafios:
Os ganhos patentes nos parágrafos anteriores constituem grandes desafios para os nossos governantes e para todos os cabo‑verdianos.
Para alcançar tais conquistas foram necessárias grandes heroicidades, como todos sabemos, e as provas mais recentes são os esforços dos Tubarões Azuis. Esses feitos demonstram que nada se alcança sem esforço e que tudo é possível quando se trabalha com dedicação.
Na minha opinião, os nossos governantes devem, em comunhão, refletir sobre como será possível fazer os cabo‑verdianos regressarem à cultura de trabalho.
Ultimamente, quaisquer serviços de mão‑de‑obra, sobretudo na construção civil, estão sob o domínio e a diligência de migrantes provenientes de outros países africanos.
Muitos trabalhadores cabo‑verdianos, por terem caído nas bebidas alcoólicas ou noutras drogas, já não preferem trabalhar neste setor ou, quando o fazem, são dispensados por falta de diligência. As cabo‑verdianas, por sua vez, já não assumem os trabalhos domésticos como profissão.
Penso que, para melhorar esta situação, os governantes, em vez de beneficiarem os desempregados com “papas feitas”, devem promover políticas que incentivem cada cabo‑verdiano a ganhar o pão através do seu próprio esforço e suor, excetuando aqueles que já não dispõem de condições físicas ou mentais para o trabalho.
Por outro lado, já foi criada a lei de trabalho para os estudantes, o que é muito positivo. Mas também é necessário reduzir o número de reformados em serviços públicos, cedendo vagas aos recém‑formados que se encontram desempregados. Há necessidade de se praticar justiça nos trabalhos públicos.
Na minha opinião, não é justo, nem bom, nem aconselhável reempregar reformados em serviços públicos e “enganar os jovens” com estágios apresentados como emprego.
Muito obrigado.
Cidade de Assomada, 05 de julho de 2026.

