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A nova geografia do futebol mundial: Cabo Verde confirma a visão da FIFA

Por: William Sena Vieira 

Durante décadas, o futebol internacional foi dominado por um número reduzido de países e confederações. As grandes competições eram, na prática, reservadas às potências tradicionais, enquanto dezenas de federações nacionais alimentavam um sonho que raramente ultrapassava a fase das qualificações. Esse paradigma, porém, está a mudar. E essa mudança tem um rosto: Gianni Infantino.

Apesar das polémicas recentes, a presidência da FIFA tem sido marcada por uma estratégia clara de expansão e democratização do futebol mundial. O aumento do número de seleções participantes nas grandes competições, a criação de um novo formato para o Campeonato do Mundo de Clubes e a aposta na distribuição mais ampla das receitas geradas pelo futebol têm suscitado críticas, sobretudo em alguns setores ligados ao futebol europeu.

No entanto, essas críticas ignoram uma questão essencial: a FIFA representa 211 federações nacionais e não apenas as ligas ou associações mais poderosas.

Nessa perspetiva, parece inteiramente legítimo que o organismo máximo do futebol procure criar condições para que um maior número de países possa competir ao mais alto nível. O futebol pertence ao mundo inteiro e não apenas a uma elite histórica.

Foi precisamente nesse contexto que o aumento das vagas destinadas ao continente africano gerou debate. Alguns argumentaram que tal medida poderia diminuir a qualidade competitiva dos torneios. Contudo, os resultados recentes demonstram exatamente o contrário. O futebol africano e global evoluiram grandemente em termos técnicos, táticos, organizacionais e competitivos, dispondo hoje de seleções capazes de enfrentar qualquer adversário.

Cabo Verde é um exemplo paradigmático dessa evolução. Um pequeno país insular, com recursos limitados quando comparado com as grandes potências futebolísticas, conseguiu construir uma seleção respeitada internacionalmente graças a uma estratégia consistente, ao aproveitamento da diáspora, ao investimento na organização e à valorização do talento nacional.

As exibições da seleção cabo-verdiana nos últimos anos provam que a dimensão geográfica ou económica de um país não determina necessariamente a sua capacidade competitiva. Pelo contrário, demonstram que, quando existem planeamento, visão estratégica e competência técnica, é possível alcançar níveis de excelência.

Cabo Verde não está sozinho. Seleções como Costa do Marfim, Egito, Marrocos, Arábia Saudita, Japão, Austrália, entre outras nações, têm igualmente demonstrado que o equilíbrio competitivo do futebol mundial está a aumentar. (…) Esta realidade legitima a visão defendida por Gianni Infantino desde o início do seu mandato: mundializar o futebol e garantir que as oportunidades sejam distribuídas de forma mais equitativa. (…) Nesse novo paradigma, Cabo Verde não é apenas um participante: é uma prova viva de que essa visão faz sentido.

Mas Cabo Verde não está sozinho. Seleções como Costa do Marfim, Egito, Marrocos, Arábia Saudita, Japão, Austrália, entre outras nações,  têm igualmente demonstrado que o equilíbrio competitivo do futebol mundial está a aumentar. Estas equipas deixaram de desempenhar um papel meramente secundário para se afirmarem como adversários capazes de disputar jogos de elevado nível e surpreender candidatos tradicionais.

Esta realidade legitima a visão defendida por Gianni Infantino desde o início do seu mandato: mundializar o futebol e garantir que as oportunidades sejam distribuídas de forma mais equitativa. A expansão das competições não significa reduzir a qualidade; significa reconhecer que o talento está espalhado pelos cinco continentes e que o crescimento do jogo depende da inclusão de novas geografias.

Há também uma dimensão económica frequentemente  esquecida neste debate. O crescimento das receitas comerciais e dos direitos televisivos permitiu aumentar os prémios financeiros distribuídos pelas competições da FIFA e reforçar os investimentos no desenvolvimento das federações nacionais. 

Para muitos países de pequena dimensão, estes recursos representam uma oportunidade decisiva para melhorar infraestruturas, formar treinadores, investir no futebol jovem e profissionalizar as suas estruturas.

Sob essa perspetiva, a democratização das competições gera um ciclo virtuoso: mais participação conduz a maior investimento; maior investimento produz melhor qualidade competitiva; e uma melhor qualidade competitiva torna o futebol mundial mais atrativo para adeptos, patrocinadores e parceiros comerciais.

Naturalmente, a Europa continuará a desempenhar um papel central no futebol global. A UEFA reúne alguns dos campeonatos mais fortes, dos clubes mais ricos e dos jogadores mais mediáticos do planeta. Contudo, essa posição de destaque não deve impedir o desenvolvimento das restantes confederações nem limitar as aspirações legítimas de centenas de milhões de adeptos espalhados por África, Ásia, Oceania, América do Sul, América do Norte e Caraíbas.

O verdadeiro crescimento do futebol não reside apenas em proteger mercados consolidados, mas também em criar oportunidades para que novas nações escrevam a sua própria história. Quando um país como Cabo Verde compete de igual para igual com seleções historicamente superiores, transmite uma mensagem poderosa: o mérito desportivo pode superar limitações estruturais.

Na minha perspetiva, Cabo Verde simboliza precisamente este novo mundo do futebol. Um mundo mais aberto, mais competitivo e mais representativo da diversidade do planeta. Um mundo onde o sonho de disputar as maiores competições deixa de estar reservado a poucos privilegiados e passa a ser uma possibilidade concreta para qualquer federação que trabalhe com competência e visão estratégica.

Apesar das polémicas recentes, considero que Gianni Infantino poderá ser recordado como um dos dirigentes mais influentes da história moderna do futebol. Não apenas pela expansão das competições ou pelo aumento das receitas, mas por ter promovido uma conceção verdadeiramente global do jogo. Uma visão que reconhece que o futebol é património universal e que o seu futuro depende da capacidade de incluir, desenvolver e valorizar todas as nações.

E, nesse novo paradigma, Cabo Verde não é apenas um participante: é uma prova viva de que essa visão faz sentido.15

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