João do Carmo, ministro dos Transportes e do Mar, visitou esta semana várias empresas públicas ou participadas do Estado, em São Vicente, com destaque para a ENAPOR e a Cabnave. O momento serviu para anunciar que as novas tarifas para o transporte marítimo (500 escudos) e aéreo (5 mil escudos) entrarão em vigor a 1 de Janeiro do próximo ano.
A visita do ministro João do Carmo a empresas sediadas em São Vicente serviu, entre outros objectivos, para sinalizar o esforço do novo governo, do PAICV, no sentido de responder a problemas antigos — desde os atrasos na abertura de contentores até à necessidade de transportes mais acessíveis.
A ocasião serviu para trazer à superfície questões centrais para o futuro da ilha e do país. Entre portos, reparações navais e promessas de tarifas sociais nos transportes, o governante, cabeça de lista do PAICV nas eleições de 17 de Maio em São Vicente, procurou mostrar que há uma estratégia em curso para aproximar Cabo Verde da sua diáspora e reforçar a coesão nacional.
Sem dúvida, pela sua importância, um dos pontos mais aguardados foi a confirmação de que o Orçamento de Estado 2027 vai integrar a promessa de tarifas sociais no sector dos transportes: 500 escudos para viagens marítimas e 5000 escudos para viagens aéreas.
O governante acredita que esta medida vai muito provavelmente transformar a mobilidade interna, aproximando ilhas e comunidades, e reduzindo desigualdades no acesso a serviços e oportunidades.
ENAPOR: o porto como ponte com a diáspora
Na ENAPOR, João do Carmo procurou interceder no sentido de uma maior agilização na abertura de contentores com pequenas encomendas vindas da diáspora. Trata-se de uma reivindicação antiga de comerciantes e famílias que dependem da rapidez e previsibilidade na chegada de mercadorias. Ainda recentemente A NAÇÃO trouxe ao conhecimento público as reclamações dos utentes que se queixam de prejuízos devido à forma como os referidos serviços funcionam no porto de São Vicente.
Outro anúncio relevante foi a reabertura da estrutura de frio no Porto Grande, essencial para conservar produtos perecíveis e dar maior confiança a quem investe em cadeias logísticas ligadas à alimentação e exportação. Conforme foi revelado, neste caso pelo PCA da Enapor, está-se a aguardar pelos resultados de um concurso de operadores privados.
Cabnave: reparação naval como motor industrial
Na semana anterior, o ministro havia visitado a Cabnave, ocasião que serviu, igualmente, para reafirmar o papel da reparação naval como sector estratégico para a economia de São Vicente e do país. A empresa, que enfrenta desafios de modernização e competitividade, é vista como potencial motor de emprego qualificado e de atração de parcerias internacionais. Pelo que se viu há um conjunto importante de investimentos que devem ser feitos com vista à modernização de alguns equipamentos há muito à espera de renovação ou até mesmo de substituição.
João A. do Rosário

