Criadores de gado da zona do Rabil, na Boa Vista, denunciaram a morte de animais que ficam atolados em poços abertos por empresas de construção civil, causando avultados prejuízos.
Em declarações à imprensa, o criador Maximiliano Fernandes, conhecido por “Djô Bento”, explicou que as escavações terão sido realizadas por empresas de construção civil, possivelmente no âmbito de obras de infra-estruturas, como o aeroporto e estradas.
Segundo o criador, os poços acabaram por ser abandonados sem protecção ou manutenção, constituindo um perigo para os animais que circulam naquela zona.
Djô Bento conta que vacas e burros selvagens, ao procurarem água para matar a sede, acabam por entrar nos buracos e ficar presos na lama, sem conseguir sair.
“Os animais sempre pastaram nessa zona e não tínhamos esse problema”, relatou, explicando que uma fonte que existia nas proximidades está actualmente entupida e deixou de disponibilizar água.
Com a falta de alternativas, os animais passaram a procurar água num outro local onde anteriormente não existia nenhuma fonte. “Foram cavar até aparecer água”, explicou, considerando que a retirada de água daquele buraco acabou por contribuir para o problema que hoje enfrentam.
Câmara disponibilizou equipamento, mas “não tinha capacidade”
O criador adiantou que a Câmara Municipal da Boa Vista chegou a disponibilizar uma máquina para tentar resolver a situação. Contudo, segundo Djô Bento, o equipamento não tinha capacidade suficiente para realizar o trabalho necessário.
“Nós temos dinheiro para pagar a máquina, não temos esse problema. O problema é ter a máquina adequada disponível na ilha para limpar e tirar-nos desta fome de água”, afirmou.
O criador garante que os produtores estão dispostos a assumir os custos do serviço, caso seja necessário.
“Se o Governo ou a Câmara não quiserem ajudar de graça, podem cobrar pelo serviço, nós pagamos”, acrescentou.
Para além da dificuldade em garantir água para os animais, a situação tem provocado prejuízos financeiros aos criadores e deixado carcaças de animais em decomposição na zona.
Criadores dizem sentir-se abandonados
Também o criador Tertuliano Varela lamentou a falta de assistência técnica e de meios para apoiar os produtores.
“Nós não temos apoio, tanto da Câmara como do MDR, não temos apoio nenhum. São anos e anos de sacrifício da nossa parte, mas sem água em condições para os animais beberem, o criador não tem o que fazer”, desabafou.
O criador lamenta ainda que, perante a dificuldade de acesso à água, não estejam disponíveis máquinas capazes de efectuar a limpeza das fontes e dos poços.
Perante o agravamento da situação, os criadores do Rabil pedem uma intervenção urgente das autoridades competentes para evitar novas perdas de animais e garantir condições mínimas para a actividade pecuária.
Entre as principais reivindicações está a disponibilização, ou mediação do aluguer, de equipamentos pesados com capacidade adequada para limpar os locais e garantir maior segurança nos poços.
C/Inforpress

