A Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) manifestou-se, esta semana, na sequência do que considera ser uma “linguagem insultuosa, depreciativa, hostil e intimidatória” dirigida a uma jornalista da Inforpress, pelo cidadão e candidato presidencial Gilson Alves. O candidato, por seu lado, acusa a AJOC de “censura” e “corrupção institucional jornalística”.
O esmalte estalou quando a Inforpress denunciou e repudiou, no seu site, “palavras insultuosas, obscenas e ameaçadoras” dirigidas a uma jornalista daquela agência de notícias, pelo cidadão e candidato à Presidência da República, Gilson Alves.
Tudo terá acontecido, segundo o Conselho de Administração da Inforperss, após um pedido de entrevista, na sequência da aprovação, pelo Tribunal Constitucional, da candidatura de Gilson Alves, nos mesmos moldes em que a agência procedeu com os restantes candidatos aprovados.
“Consideramos inaceitáveis as palavras proferidas pelo candidato, que se revelaram ofensivas, ameaçadoras e desproporcionadas”, lê-se no documento, no qual a empresa afirma não tolerar manifestações que incitem a “ameaças de morte, tortura, terrorismo, conflito ou guerra”.
AJOC recomenda cuidados com a segurança
Num comunicado divulgado na segunda-feira, a AJOC recomendou aos profissionais da comunicação social, especial prudência em futuros contactos com o candidato e pediu que se privilegie contactos em grupo e em condições que garantam a segurança dos mesmos, quando presenciais, ou então por escrito.
O presidente da AJOC, Geremias Furtado, considerou que a postura do candidato “ultrapassa os limites aceitáveis” da relação com as fontes de informação e disse estar a aguardar uma reação “firme” das entidades competentes na matéria.
A AJOC reforça que “nenhum jornalista deve sentir-se obrigado a estabelecer contacto presencial, isolado ou em circunstâncias nas quais não se sinta devidamente protegido”. Por outro lado, sublinha que estas recomendações não constituem apelo à censura ou exclusão do candidato.
Gilson Alves fala em “mentiras”, “corrupção” e “censura”
Em reação ao posicionamento da AJOC, Gilson Alves diz estar a ser alvo de uma “tentativa de corrupção jornalística institucional” e acusa a associação de estar a “comportar-se como um ator político durante esta campanha presidencial”.
Para o candidato, o que a AJOC fez foi “emitir ordens de censura a jornalistas”, como uma “falaciosa falsidade de razões de segurança” e avisa que “vai tomar medidas”. A AJOC, recomenda que tenha “muito cuidado”, e deixa ameaças de medidas extremas, caso seja eleito.
Natalina Andrade

