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Cultura: Escritora canadiana Anne Carson é a vencedora do Nobel da Literatura 2026

A escritora canadiana Anne Carson, 76 anos, é a vencedora do Nobel da Literatura 2026. A Academia Sueca justifica a distinção de Anne Carson pela sua “obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”. “Autobiography of Red: A Novel in Verse”, publicado em 1998, é tida como a sua maior obra.

Poeta, ensaísta, tradutora e especialista em literatura clássica, Anne Carson construiu uma obra singular, onde cruza a tradição greco-romana com temas e figuras contemporâneas. A Academia Sueca destaca a forma como esta autora combina o rigor dos estudos clássicos com uma abordagem experimental da literatura, criando uma obra que atravessa diferentes géneros e épocas.

Entre os seus trabalhos mais conhecidos estão “Autobiography of Red, The Beauty of the Husband e Norma Jeane Baker of Troy”, obra que junta a figura de Marilyn Monroe à personagem mitológica de Helena de Troia.

Ao ser distinguida com o Nobel da Literatura 2026, Anne Carson torna-se a 19.ª mulher a receber esta distinção desde a criação do prémio. O galardão será entregue oficialmente a 10 de Dezembro, em Estocolmo, Suécia.

Escrita poética e trabalho de tradução

Anne Carson nasceu em 1950, em Toronto, Canadá. Em 1981, publicou sua tese de doutorado em Estudos Clássicos, intitulada “Odi et Amo Ergo Sum”, e, ao longo de toda a sua carreira, conciliou a escrita poética com o trabalho de tradução e o ensino em diversas universidades.

Quase toda a sua produção literária concentra-se na interseção entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta por novos significados. Ela própria apontou a etimologia das palavras como o ponto de partida para toda a sua obra.

As suas traduções do grego clássico podem ser consideradas obras independentes por si sós. Entre elas, destaca-se sua interpretação dos fragmentos de poemas de Safo, “If Not, Winter” (2002), bem como tragédias como “Electra” (2001) e “Antígona” (2015), de Sófocles, e “As Bacantes” (2015), de Eurípides.

“Autobiography of Red: A Novel in Verse”

Na década de 1990, Carson publicou “Autobiography of Red: A Novel in Verse (1998)” frequentemente aclamada como a sua maior obra. Esse livro demonstra as ua notável capacidade de atualizar a tradição literária clássica. Com uma sensibilidade precisa para as expressões e experiências contemporâneas, ela toma como ponto de partida fragmentos de poemas do poeta grego Estesícoro (século VI a.C.) sobre Gerião, o monstro vermelho alado.

Ainda na década de 1990, Carson publicou uma série de obras notáveis. Entre elas está “The Glass Essay”, integrante do livro *Glass, Irony, and God* (1995), que demonstra o potencial do poema longo num contexto onde as fronteiras de gênero se tornam difusas.

importância no cenário internacional das artes e da literatura

Conforme avançam vários estudiosos, ao longo de toda a sua trajetória como autora, “Carson explora, com leveza, as possibilidades da escrita — um processo no qual o esboço literário adquiriu um valor especial para ela”. Um exemplo disso é “Float” (2016), uma obra composta por vinte e dois livretos sobre temas variados, que podem ser lidos em qualquer ordem.

Outro exemplo apontado por esses especialistas é “Wrong Norma”, de 2024, “uma combinação diversificada de textos com um forte caráter performático, na qual Carson transita por diversos campos artísticos e acadêmicos”.

Por outro lado, as colaborações de Anne Carson com artistas visuais, coreógrafos e diretores de ópera e teatro demonstram a liberdade com que ela lida com as expectativas literárias e as normas estabelecidas. É isso que fundamenta a enorme importância que sua obra tem tido, desde a década de 1990, para o cenário internacional das artes e da literatura.

Recorde-se que, há anos que Carson era considerada favorita para o Nobel de Literatura, sendo que nesta edição concorria com nomes como a chinesa Can Xue, o australiano Gerald Murnane, a mexicana Cristina Rivera Garza e o espanhol Enrique Vila-Matas, a portuguesa Lídia Jorge assim como a brasileira Adélia Prado e o moçambicano Mia Couto.

O mais esperado e prestigiado galardão do mundo literário tem o valor pecuniário de 12 milhões de coroas suecas, o equivalente a pouco mais de um milhão de euros, ou seja, pouco mais de 100 milhões de escudos cabo-verdianos.

C/Agências de Notícias

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