O internacional Ianique dos Santos Tavares “Stopira” anunciou o fim do seu percurso de 18 anos pelos Tubarões Azuis, no primeiro aniversário da qualificação histórica para o Mundial 2026, marcada pelo golo que apontou frente ao Essuatíni. Vozinha, Sidny Lopes Cabral, Kevin Lenini, além de outros colegas, artistas e personalidades destacaram o legado do defesa, a quem chamaram “lenda”.
A despedida foi assinalada por uma mensagem publicada nas redes sociais, na qual o defesa e um dos pilares do balneário nacional manifestou gratidão pela experiência vivida com os Tubarões Azuis e recordou a qualificação inédita do país para o Campeonato do Mundo de 2026 como um dos momentos mais marcantes da sua carreira.
A decisão foi anunciada precisamente um ano depois de Cabo Verde ter garantido o apuramento para a maior competição de selecções do futebol mundial, a 13 de Outubro de 2025, com uma vitória por 3-0 frente ao Essuatíni, no Estádio Nacional “Tubarões Azuis”, na cidade da Praia.

Naquele 13 de Outubro de 2025, Stopira marcou o último de três golos de Cabo Verde contra o Essuatíni, selando uma vitória por 3-0 e o apuramento inédito para o Campeonato do Mundo. O defesa foi convocado por Bubista para a competição, mas nunca chegou a sair do banco.
“Hoje, faz um ano de um dos dias mais felizes da minha vida: a qualificação de Cabo Verde para o Mundial”, escreveu o jogador, numa publicação em que assinalou também o encerramento de quase duas décadas de ligação à equipa nacional.
O defesa reconheceu que a decisão representa o fim de um capítulo importante da sua vida desportiva, marcado por sacrifícios, viagens, alegrias, lágrimas, vitórias e derrotas. Acima de tudo, destacou o orgulho de ter vestido a camisola de Cabo Verde e de ter representado o país ao longo de tantos anos.
“Foram anos de sacrifícios, alegrias, lágrimas, vitórias e derrotas, mas, acima de tudo, de muito amor por Cabo Verde”, sublinhou, acrescentando que leva consigo memórias inesquecíveis, amizades para a vida e o orgulho de ter representado a bandeira nacional.
Na mensagem de despedida, Stopira agradeceu aos treinadores, colegas de equipa, profissionais e a todas as pessoas que acompanharam o seu percurso na Selecção, dirigindo uma palavra especial ao povo cabo-verdiano pelo apoio e carinho recebidos ao longo dos anos.
O internacional deixou ainda uma mensagem aos jogadores que continuam a representar os Tubarões Azuis, desejando-lhes força e sucesso e apelando à continuidade da dedicação à camisola nacional.
“Saio da Selecção, mas Cabo Verde nunca sairá de mim”, escreveu, numa declaração que sintetiza a ligação que mantém com os Tubarões Azuis, mesmo depois de colocar um ponto final na carreira internacional.
A publicação motivou várias reacções de antigos e actuais companheiros de selecção, e personalidades cabo-verdianas do desporto e outras áreas, que recorreram sobretudo à palavra “lenda” para reconhecer o contributo do defesa. Entre eles estiveram o guarda-redes Vozinha, Sidny Lopes Cabral, Jovane Cabral, Yannick Semedo, Hélio Varela, Jamiro Monteiro e Dailon Livramento e tantos outros.
Dezoito anos de ligação aos Tubarões Azuis
Nascido a 20 de Maio de 1988, na Praia, Ianique dos Santos Tavares, conhecido no futebol por Stopira, construiu uma carreira marcada pela experiência internacional e pela longevidade ao serviço de Cabo Verde.
O lateral-esquerdo iniciou o seu percurso no Sporting Clube da Praia, tendo passado posteriormente pelo Santa Clara, de Portugal, e pelo Deportivo da Corunha e pelo Feirense, antes de rumar, em 2012, ao futebol húngaro, onde representou o Fehérvár FC (Antigo Videoton) durante 11 anos. Ao serviço do clube, conquistou dois títulos nacionais.
Internacional cabo-verdiano desde 2008, estreou-se pelos Tubarões Azuis num encontro frente às Maurícias, em Junho daquele ano, e participou em várias campanhas de qualificação e edições da Taça das Nações Africanas (CAN).
Ao longo de 18 anos, tornou-se uma das figuras mais imponentes da Selecção Nacional, integrando o grupo que alcançou o primeiro apuramento de Cabo Verde para um Campeonato do Mundo. Foi convocado para o Mundial de 2026, embora não tenha chegado a ser utilizado na competição.
O último encontro de Stopira com a camisola nacional foi frente às Bermudas, antes da participação cabo-verdiana no Mundial. A sua ausência da primeira convocatória após a competição, já sob o comando de Humberto Bettencourt, que sucedeu a Bubista, antecedeu o anúncio formal da despedida.
Aos 38 anos, e depois de 63 internacionalizações, o defesa encerra assim a sua caminhada na equipa nacional, deixando um percurso que atravessou diferentes gerações de jogadores e acompanhou uma das fases mais marcantes da história recente do futebol cabo-verdiano, culimando na qualificação ao Mundial 2026.
Leia a matéria na integra na Edição 998 do Jornal A Nação, de 15 de Outubro de 2026

