O primeiro filme de terror cabo-verdiano, “Kanpamentu”, dos realizadores cabo-verdianos Belomy Xavier e Che Gonçalves, estreia hoje, sexta-feira, 23, pelas 19h, na Assembleia Nacional. O enredo gira à volta de um grupo de jovens perseguidos por uma “entidade misteriosa” na praia de São Francisco, na ilha de Santiago.
O filme da produtora Prisma Vídeos levou cerca de quatro meses para ser gravado, com cenas, na sua maioria, filmadas na praia de São Francisco e outras num edifício antigo no Platô, na cidade da Praia.
O filme é falado na língua cabo-verdiana, com um elenco de 12 actores e equipa de produção 100% cabo-verdiana e tem a duração de uma hora e vinte minutos.
Segundo explicou Belomy, a escolha do género terror está fortemente ligado às crenças populares cabo-verdianas e histórias que fazem parte do imaginário crioulo, um país “cheio de superstições”.
O realizador realça que “Kanpamentu” foi pensado para o público cabo-verdiano, inspirado em referências culturais e históricas próprias de Cabo Verde, sem reproduzir narrativas de outras realidades.
“Acreditamos que conseguimos realizar um bom filme, apesar das condições financeiras que tivemos. Garantimos que o filme tem uma história por detrás, com cabeça, tronco e membros. Criámos uma história para cabo-verdianos, para que as pessoas que vão ver o filme sintam que é um produto para crioulos”, relata.
Levar o filme a outras paragens
Belomy avançou ainda que depois da estreia, pretende levar o filme a “todas as paragens onde haja cabo- -verdianos”. Para já, o filme será apresentado em São Vicente, e depois aos Estados Unidos, Portugal, Senegal, Guiné-Bissau, Angola e outros países dos PALOP.
Desafios
Belomy apontou ainda dificuldades várias no processo de produzir um filme em Cabo Verde, já que, na sua visão, o cinema no país “ainda é muito fraco”.
Outro desafio foi em convencer as pessoas em apostar no projecto. Apesar das dificuldades, Belomy acredita que a sua equipa conseguiu realizar um bom filme com “cabeça, tronco e membros e uma história com a qual as pessoas se vão identificar”.
O realizador pede ao público que apoie o projecto indo à estreia do filme, hoje, sexta-feira, 23, às 19h na Assembleia Nacional.

