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Política

PAICV: Francisco Carvalho quer os cabo-verdianos no centro das políticas públicas

No rescaldo do XVIII congresso do partido, o novo líder dá o mote para 2026: uma governação tendo como centro as necessidades dos cabo-verdianos e apostada na resolução de problemas básicos. Francisco Carvalho defende que é preciso “reiniciar o processo de desenvolvimento do país”, tendo como prioridades a educação, saúde, transportes marítimos e aéreos, e habitação, para Cabo Verde “entrar num novo rumo”. E defende um partido renovado e sem exclusões, para ganhar as legislativas do próximo ano.

Ao fechar do pano da reunião magna tambarina, o novo líder traçou as linhas centrais da sua proposta de governação, caso o PAICV ganhe as eleições legislativas. As prioridades de Francisco Carvalho foram elencadas numa entrevista ao Jornal da Noite, da TCV, mas as ideias centrais já haviam sido avançadas durante a campanha interna para a liderança e nos curtos discursos de abertura do congresso e de apresentação da sua moção de estratégia.

Francisco Carvalho reiterou as propostas que têm suscitado mais polémica, nomeadamente: saúde gratuita, acesso gratuito a educação superior e transportes entre ilhas, com viagens de barco a 500 escudos e de avião a cinco mil escudos.

Cortar nas gorduras do Estado

Argumentando que se trata de imperativos constitucionais, o presidente do PAICV indicou onde pretende cortar as gorduras do Estado. E deu o exemplo de uma rubrica do orçamento, “Estudos e Consultorias”, cuja verba entre 2022 e 2025 quase quadruplicou, estando actualmente em quatro mil milhões de escudos.

Denunciando que boa parte dos estudos “ficam na gaveta”, circunstância a que se referiu como “literatura cinzenta”, Francisco Carvalho alegou que “o dinheiro é dividido entre quem promove os estudos e quem os faz”. E defendeu que as suas propostas são exequíveis, dando o exemplo do período entre 1975 e 1991, quando “Cabo Verde tinha barcos à vontade”.

Um partido renovado e sem exclusões para ganhar em 2026

Dirigindo-se aos militantes, o líder defende “um PAICV renovado, sim, mas que aglutina todos os que ajudaram a construir o partido” e salienta que “a renovação não exclui ninguém”, na linha do apelo à unidade interna que havia feita na véspera do congresso.

Sustentando que o seu partido tem todas as condições para vencer as eleições legislativas do próximo ano, Francisco Carvalho fundamenta a sua posição na evolução dos resultados eleitorais autárquicos de 2016 a 2024. “As eleições autárquicas têm tido uma evolução clara, o PAICV passa de duas câmaras para oito e, depois, para 15, no espaço de três eleições”. Isto é: “pela primeira vez, o PAICV é o maior partido autárquico”.

Sustentando a sua tese, Francisco Carvalho refere que o município da Praia, foi o único onde diminuiu a abstenção, bem expresso nos dois últimos actos eleitorais, em que o PAICV passou, em 2020, de “cerca de 920 e vinte votos em relação ao MpD, para mais de dez vezes esse número, em 2024.

Luta contra a corrupção

Defendendo o “combate à corrupção e à partidarização da administração pública”, considera que “é um assunto antigo que tem sido utilizado para enganar as pessoas em tempo de eleições”. Um assunto que Francisco Carvalho garante ir resolver. E dá um exemplo do que não se pode fazer: ter uma entidade nacional de combate à corrupção presidida, como actualmente, pelo vice-primeiro-ministro.

“Se se cria uma entidade nacional que é para combater a corrupção, tem de ser pôr um independente, longe de qualquer membro do Governo, porque, senão, não se fiscaliza coisa nenhuma”, defende o líder do PAICV, comprometendo-se em adoptar medidas que “criem condições para resolver o problema”.

Um partido unido para vencer em 2026

Durante os três dias de congresso – e ao contrário do que muitos previam -, o PAICV deu uma imagem pública de unidade, dirimindo algumas divergências internas, bem visível na constituição plural das listas para os órgãos nacionais do partido.

A foto que ilustra esta notícia com Nuías Silva, Francisco Carvalho e Francisco Pereira, traduz da melhor forma os esforços de concertação gizados dias antes e durante o congresso, mas a intervenção do líder histórico do PAICV, Pedro Pires, ajudou em muito todo o processo.

Resta saber se esta unidade é um mero elemento circunstancial ou se, de facto, corresponde a uma vontade geral de embainhar espadas que, durante as eleições internas, deram a imagem de um partido em guerra civil.

De todo o modo, tudo depende, fundamentalmente, de Francisco Carvalho que, num passado recente, já demonstrou algum jogo de cintura para enfrentar dificuldades.

António Alte Pinho

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