A construção civil na ilha Brava passa por uma crise, provocada pela falta de abastecimento de cimento, que já dura há dois meses. O presidente da Câmara Municipal, Amândio Brito, confirmou ainda que as obras da edilidade, do Governo e dos emigrantes estão paradas, assim como o trabalho na fábrica de inertes da ilha.
Em entrevista à RCV, Amândio Brito disse ainda que a fábrica de inertes da ilha, Demol & TEC, está inativa.
Segundo explica, quando não há cimento não se vende brita, nem blocos e, em consequência disso, há desemprego, falta de acesso ao rendimento e quando assim é “é a Câmara que acaba por arcar com consequências”
“São muitas as famílias que se dirigem à Câmara à procura de apoio e devo dizer que, uma câmara como a nossa, num município como o nosso, onde as coisas não funcionam, não se desenvolvem, a economia local está completamente presa, não temos como acudir as famílias”, explicou ainda.
Para Amândio a situação “é grave” e tende a piorar. Esse responsável diz esperar que nos próximos dias haja abastecimento de cimento na ilha, para que o setor da construção civil possa retomar as obras e empregar as pessoas.
Conversa com o vice-primeiro-ministro
O edil bravense garantiu que aproveitará a estadia do vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças e da Economia Digital, Olavo Correia na ilha, no âmbito da cerimónia oficial de abertura da Semana Digital Cabo Verde 2026, para abordar a questão da falta constante de abastecimento do cimento na ilha.
Amândio disse que a “aflição” já foi partilhada, em outros momentos, com outros membros do Governo.
Segundo diz, a situação do abastecimento em momentos parece melhorar mas não há garantia, não há previsibilidade e nem sustentabilidade.
“É esta Brava que não queremos, queremos uma Brava que dê garantia, que dê sustentabilidade, uma Brava que dê confiança a quem reside aqui e a quem queira investir na ilha”, desabafou ainda.
Central de britagem foi inaugurada em fevereiro
A empresa Demol & TEC inaugurou no dia 01 de fevereiro de 2026, a primeira central de britagem da ilha Brava, investimento considerado estruturante para o sector da construção civil, com impacto direto na redução dos custos de materiais e sustentabilidade ambiental.
A central de britagem, orçada em cerca de 70 mil contos, produz, brita, blocos e areia. A empresa conta com o apoio do Governo, através da concessão de terreno, enquanto a Pró-Capital detém 33% do capital social da empresa Demol & TEC, proprietária da fábrica de inertes.
Acontece que a 24 de fevereiro de 2026 veio à tona notícias de que a empresa Demol & TEC, responsável pela central de britagem da ilha Brava, encontrava-se com as actividades suspensas há mais de um mês, devido à escassez de cimento na ilha.
Em declarações à Inforpress, o responsável da empresa, António de Pina, manifestou preocupação face à falta deste produto essencial para o sector da construção civil, sublinhando que, apesar da forte procura por blocos, a empresa não consegue assegurar a produção, situação que tem provocado a paralisação de praticamente todas as obras em curso no município.
Na altura, todos os trabalhadores da Demol & TEC estavam parados, numa situação que o empresário considera insustentável, caso o abastecimento de cimento não fosse regularizado brevemente.



