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Política

Cabo-verdianos que passaram por Cuba manifestam-se solidários com o povo cubano

Antigos estudantes cabo-verdianos, quadros civis e militares e ex- -diplomatas que cumpriram missão em Cuba, entre outros subscritores de um manifesto divulgado esta semana, manifestam-se solidários com o povo cubano que enfrenta dificuldades sem precedentes, com impactos severos em todos os domínios da vida desse país das Caraíbas, principalmente a nível do acesso a bens essenciais, incluindo combustíveis. Os subscritores desse manifesto prometem desencadear iniciativas concretas de solidariedade.

“Hoje, os desafios que Cuba vem enfrentando tornaram-se ainda maiores. O prolongado bloqueio económico, financeiro e comercial, agravado por novas medidas restritivas impostas nos últimos tempos, têm limitado severamente o acesso do país a bens essenciais, incluindo combustíveis, com impactos profundos em todos os domínios da vida nacional”, alerta o “Manifesto de Solidariedade com o Povo Cubano”, divulgado pelos subscritores, coordenado por um núcleo integrado pelos primeiros estudantes bolseiros cabo-verdianos que seguiram para Cuba após a independência de Cabo Verde, em 1975.

O referido Manifesto de Solidariedade sublinha ainda que chegou o momento de reconhecer, com gratidão, o legado de solidariedade do povo cubano que “desde os tempos da luta de libertação nacional até aos dias de hoje tem contribuído de forma generosa e desinteressada para a formação de quadros civis e militares, para o fortalecimento das instituições e, de modo muito particular, para o desenvolvimento do setor da saúde, através do envio de médicos, enfermeiros e outros profissionais altamente qualificados”.

O documento recorda ainda que a solidariedade internacional humanista de Cuba com inúmeros países, especialmente com Cabo Verde, “marcou gerações, salvou vidas e ajudou a construir caminhos de progresso e dignidade para muitos povos”.

Acções concretas de solidariedade

Partindo do pressuposto de que a solidariedade é o caminho para uma Cuba melhor, os subscritores do manifesto comprometem-se, dentro das suas possibilidades, a apoiar iniciativas de solidariedade, seja através de ações concretas, seja de contribuições materiais.

“Convidamos a todos os cidadãos, organizações e amigos da solidariedade internacional a juntarem-se a esta causa justa, reafirmando que a cooperação entre os povos deve prevalecer sobre quaisquer barreiras”, defende o manifesto, pelando à comunidade internacional para que promova o diálogo, a cooperação e o levantamento de medidas que penalizam injustamente o povo cubano.

O médico e antigo estudante em Cuba, e também ex-ministro, Sidónio Monteiro, que integra o núcleo coordenador do manifesto, avançou ao A NAÇÃO que estão em curso diligências no sentido de encontrar o melhor mecanismo de recolha e envio a Cuba dos apoios que vierem a ser disponibilizados no âmbito das incitativas de solidariedade com o povo cabano.

Bloqueio económico dos EUA

Recorde-se que Cuba vem resistindo, há mais de seis décadas, a um bloqueio económico imposto pelos Estados Unidos (EUA) que tem contribuído para uma cada vez maior fragilização da economia da ilha.

Nos últimos meses, devido ao bloqueio cada vez mais apertado do presidente Donald Trump, Cuba está a ser afectada por uma recessão económica com efeitos devastadores, agravada pela escassez de combustível provocada pela interrupção do fluxo de petróleo para a ilha, nomeadamente de um dos seus principais fornecedores, a Venezuela, após a queda de Nicolás Maduro.

Por sua vez, o México fez a sua última entrega a 9 de Janeiro, deixando o país sem abastecimento externo desde então.

Como consequência, desde Outubro de 2025, a população cubana enfrenta momentos de fome generalizada e uma crise energética sem precedentes que vem provocando quebras no sistema aléctrico a nível nacional e sucessivos apagões assim como a suspensão de voos para a ilha devido à falta de combustíveis para abastecer as aeronaves.

Por outro lado, Donald Trump, que já manifestou o seu desejo de assumir o controlo de Cuba através da asfixia económica, energética e alimentar, ameaçou impor tarifas alfandegárias e demais represálias aos países e empresas que efetuarem transações económicas e comerciais com a ilha caribenha, principalmente a venda do petróleo.

Solidariedade internacional

No entanto, vários países como a Rússia, México, Canadá e Brasil, entre outros, vêm desafiando as ameaças dos EUA, enviando para Cuba ajuda humanitária que não só incluem alimentos não perecíveis, como também medicamento e materiais hospitalares e até mesmo petróleo bruto e outros combustíveis.

Também na semana passada, no Parlamento, o líder da bancada do PAICV, Clóvis Silva, expressou a sua solidariedade ao povo cubano por estar a viver um momento tão difícil, como é do domínio público internacional.

Publicado na Edição 970 do Jornal A Nação de 02 de abril de 2026

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