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OMS declara surto de Ébola na RD Congo emergência de saúde global

O diretor-geral da OMS justificou que declarou como emergência de saúde pública de importância internacional a atual epidemia de Ébola na África Central, antes de convocar o comité de emergência, pela velocidade da escalada da propagação da doença.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), falava ontem, 19, perante o comité de emergência e, no seu discurso, justificou que tomou a medida de declaração de emergência, no domingo, “em conformidade com o Artigo 12.º do Regulamento Sanitário Internacional, após consultar os ministros da Saúde” da República Democrática do Congo (RDCongo) e Uganda.

Após as conversações, concluíram que “a escala e a velocidade da epidemia exigiam uma ação urgente”, acrescentou Ghebreyesus.

30 casos na RD Congo e dois no Uganda

De acordo com diretor-geral da OMS, até ao momento, foram confirmados 30 casos na RDCongo – nação vizinha de Angola – na província de Ituri, no nordeste do país, que enfrenta também um conflito com vários grupos rebeldes, nomeadamente o Movimento 23 de Março (M23).

O Uganda também informou a OMS de dois casos confirmados na capital, Kampala, incluindo uma morte, entre dois indivíduos que viajaram a partir da RDCongo, sua nação vizinha.

“Existem vários fatores que justificam uma séria preocupação quanto ao potencial de maior propagação e de mais mortes”, alertou, enumerando esses fatores.

Mais de 500 casos suspeitos 

Primeiro, além dos casos confirmados, existem mais de 500 casos suspeitos e 130 mortes.

Segundo, foram registados casos em áreas urbanas, incluindo Kampala, a cidade de Goma na RDCongo e Bunia, que é uma grande cidade, prosseguiu.

Terceiro, foram registadas mortes entre profissionais de saúde, o que indica uma transmissão associada aos cuidados de saúde, alertou.

Quarto, existe um movimento populacional significativo na área, nomeadamente na província de Ituri, que é altamente insegura, explicou.

Por fim, disse ainda que esta epidemia é provocada pelo vírus Bundibugyo, uma espécie de vírus Ébola para a qual não existem vacinas nem tratamentos terapêuticos.

A OMS tem uma equipa no terreno a apoiar as autoridades nacionais na resposta e mobilizou pessoal, mantimentos, equipamentos e fundos, anunciou.

Acionados financiamentos do Fundo de Contingência para Emergências

Para sustentar tais ações, Ghebreyesus aprovou um valor adicional de 3,4 milhões de dólares (de cerca de 3,13 milhões de euros) do Fundo de Contingência para Emergências (CFE), elevando o total para 3,9 milhões de dólares (cerca de 3,36 milhões de euros).

O Fundo de Contingência para Emergências da OMS é um mecanismo financeiro de resposta rápida, e está desenhado para libertar uma primeira tranche de até 500.000 dólares em 24 horas ou menos, de forma a que as equipas da organização, possam atuar como primeiros intervenientes imediatos.

O CFE disponibiliza capital imediato enquanto mecanismos mais lentos ou de maior dimensão — como o Fundo Central das Nações Unidas para a Resposta a Emergências (CERF) — são mobilizados.

Face à propagação da doença, hoje o prémio Nobel da Paz Denis Mukwege apelou ao movimento rebelde M23 que reabra o aeroporto de Goma, um polo humanitário no leste da RDCongo, a fim de facilitar a resposta à epidemia de Ébola.

A RDCongo é regularmente afetada por epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infetadas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

C/ Inforpress

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