Num espaço de poucos dias o jornal inglês The Guardian, um dos mais lidos e conceituados do Reino Unido, trouxe nas suas páginas duas reportagens sobre Cabo Verde, este mês de Maio: uma na área da cultura, “Temos de manter o seu nome vivo”, numa espécie de rememoração da cantora Cesária Évora, e outro com o título “Cabo Verde aposta na tecnologia para reverter a fuga de cérebros”.
São dois longos artigos que parecem surgir na contra a maré de algumas notícias negativas no Reino Unido sobre as intoxicações alimentares registadas em alguns resorts do país. De qualquer forma, são dois olhares sobre as ilhas num meio de comunicação com penetração mundial e que contribuem para um maior conhecimento internacional de Cabo Verde.
Assinado por Garth Cartwright, o primeiro artigo tem uma forte razão de ser, já que a Orquestra Cesária Évora, juntamente com a convidada especial Mayra Andrade, são esperados para um concerto no Barbican Hall, em Londres, a 13 de Junho, integrado na próxima série de Project a Black Planet. Este artigo foca o álbum Miss Perfumado, de 1992, e o surgimento de Cesária Évora na cena internacional, aos 51 anos de idade. Explica como Cabo Verde, situado a 400 milhas da costa do Senegal, alberga uma população de 530,000 pessoas, a mesma população da cidade de Leicester, cuja música até há relativamente pouco tempo era completamente desconhecida.
O que mudou com o disco Miss Perfumado, que vendeu só em França 500 mil cópias, fazendo de Cesária a artista africana que mais discos vendeu no século XX. Depois de explicar as origens e a ideia do estilo musical morna, o jornalista inglês adianta o concerto do próximo mês e a actuação de cantora cabo-verdianas (Ceuzany, Elida Almeida, Lucibela, Teófilo Chantre) e Mayra Andrade.
“O sucesso de Miss Perfumado trouxe a Cesária fama e fortuna aos 51 anos, depois de uma vida ensombrada pela pobreza. Nascida no Mindelo, a cidade portuária da ilha de São Vicente, a sua mãe viúva não era capaz de alimentar todos os filos e aos 10 anos Cesária foi enviada para um orfanato. A sua carreira musical começou com actuações em bares durante a adolescência”, escreve o The Guardian.
No artigo “Cabo Verde aposta na tecnologia para reverter a fuga de cérebros”, assinado por Eromo Egbejule, Pedro Fernandes Lopes, o até agora secretário de Estado da Economia Digital, diz querer o país como um bastião para a circulação livre de pessoas e capitais através da diáspora africana. “As rotas que as pessoas escravizadas seguiram a partir de África são as mesmas dos cabos submarinos que atravessam o Atlântico, o que é incrível,” diz Lopes numa entrevista no seu gabinete na Praia. “A História repete-se – mas cada geração tem a oportunidade para contar a sua própria história.”
Outra figura entrevistada neste artigo é Jessica Sanches Tavares, conselheira da direcção da TechParkCV, uma estrutura tecnológica avaliada em 44,78 milhões de libras, com uma central incubadora de start-ups, centro de formação para jovens e um auditório para conferências.
Joaquim Arena

