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III Simpósio Internacional de Literatura Infantil e Juvenil de Cabo Verde: Um convite a pensar a leitura de crianças e jovens em Cabo Verde e no mundo lusófono

Por: Karina de Fátima Gomes

Entre os dias 25 e 27 de maio de 2026, a Universidade de Cabo Verde sediará o III Simpósio Internacional de Literatura Infantil e Juvenil de Cabo Verde, evento organizado pelo Leitorado  Brasileiro do Instituto Guimarães Rosa na Uni-CV, coorganizado pela Cátedra Eugênio Tavares de Língua Portuguesa e apoiado por diversas instituições parceiras. 

O simpósio vem se consolidando como um dos mais importantes espaços de debate sobre leitura, infância, literatura e formação de leitores no contexto africano lusófono.

Mais do que um encontro acadêmico, o simpósio propõe uma discussão urgente: como formar leitores críticos, sensíveis e criativos em um mundo atravessado pela velocidade digital, pelas desigualdades sociais e pelas profundas transformações culturais do século XXI?

Em Cabo Verde, essa discussão ganha ainda mais relevância. País marcado historicamente pela oralidade, pelo bilinguismo e pela circulação entre culturas, o arquipélago vive desafios muito particulares relacionados à leitura, à formação literária e à valorização das narrativas locais. Pensar a leitura em Cabo Verde significa pensar identidade, memória, língua, infância e futuro.

A programação do simpósio demonstra a dimensão internacional e interdisciplinar do evento. Pesquisadores, escritores e mediadores de leitura de Cabo Verde, Brasil, Portugal, França, Angola, Itália e Espanha participarão de conferências, mesas-redondas e sessões de comunicação científica dedicadas às múltiplas formas de relação entre crianças, jovens e literatura.

A conferência de abertura será ministrada pela Professora Doutora Renata Junqueira de Souza, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), uma das maiores referências brasileiras na área de literatura infantil e juvenil. Em sua fala, intitulada “Estratégias de leitura: percurso pessoal, histórico e investigativo”, a pesquisadora discutirá caminhos de formação do leitor e os desafios contemporâneos da educação literária.

Outro momento de destaque será a conferência “Janela para o mundo: a educação literária na escola”, ministrada pela Professora Doutora Ângela Maria Franco Martins Coelho de Paiva Balça, da Universidade de Évora, pesquisadora portuguesa amplamente reconhecida  pelos trabalhos sobre educação literária, leitura e formação de professores.

O evento também abrirá espaço para debates profundamente humanos e contemporâneos, como a conferência “O efeito dos conflitos armados nas crianças: o caso de Serra Leoa”, conduzida pelo Professor Doutor Saidu Bangura, da Universidade de Cabo Verde. A proposta chama atenção para as relações entre infância, trauma, guerra e processos de reconstrução subjetiva, ampliando o debate literário para dimensões sociais e políticas urgentes no continente africano, tema mais do que atual, urgente.

Um dos momentos mais significativos do simpósio ocorrerá na manhã do dia 27 de maio, quando a Universidade de Cabo Verde receberá a apresentação de 74 trabalhos científicos distribuídos em 9 salas simultâneas, organizadas a partir de 11 eixos temáticos. O número expressivo de pesquisas aprovadas demonstra não apenas a relevância contemporânea das discussões sobre literatura infantil e juvenil, mas também o fortalecimento da Universidade de Cabo Verde como espaço de produção científica, intercâmbio acadêmico e circulação de pesquisas no mundo lusófono.

Entre os temas abordados ao longo dos três dias estarão ainda:
– Mediação de leitura em contextos plurais;
–Literatura infantil em língua cabo-verdiana;
– Oralidade africana;
– Práticas pedagógicas decoloniais;
– Literatura afro-brasileira;

– Poesia para crianças;
– Políticas públicas do livro;
– Representatividade negra na literatura infantil;
– Leitura e identidade;
– Materialidade do livro ilustrado;
– Literatura e inclusão;
– Memória, infância e diáspora;
– Educação literária na primeira infância.

A diversidade temática revela um movimento importante: a literatura infantil e juvenil deixou de ser vista como um campo secundário dentro dos estudos literários. Hoje, discutir os livros destinados às crianças e aos jovens significa discutir os modos pelos quais uma sociedade constrói memória, imagina o futuro, organiza valores culturais e forma cidadãos.

Nesse sentido, chama atenção a forte presença de pesquisas voltadas às literaturas africanas e afro-diaspóricas. Muitos trabalhos aprovados discutem oralidade, ancestralidade, racismo, pertencimento cultural, práticas de leitura decoloniais e representatividade negra. Isso demonstra que a literatura para crianças e jovens tornou-se também um espaço de disputa simbólica e afirmação cultural.

Um dos momentos mais significativos do simpósio ocorrerá na manhã do dia 27 de maio, quando a Universidade de Cabo Verde receberá a apresentação de 74 trabalhos científicos distribuídos em 9 salas simultâneas, organizadas a partir de 11 eixos temáticos. O número expressivo de pesquisas aprovadas demonstra não apenas a relevância contemporânea das discussões sobre literatura infantil e juvenil, mas também o fortalecimento da Universidade de Cabo Verde como espaço de produção científica, intercâmbio acadêmico e circulação de pesquisas no mundo lusófono.

A presença de investigadores de diferentes países evidencia ainda o crescimento das redes de cooperação Sul-Sul e das articulações entre universidades africanas, brasileiras e europeias em torno das questões ligadas à infância, leitura e educação literária. 

Em um contexto global marcado pela hegemonia de determinados centros de produção do conhecimento, a realização de um evento dessa dimensão em Cabo Verde possui também um forte significado simbólico e político: afirmar que o pensamento acadêmico produzido em África ocupa lugar fundamental nas discussões internacionais sobre literatura, educação e cultura.

Outro aspecto significativo do simpósio é a aproximação entre universidade, escola e comunidade. A programação reúne escritores cabo-verdianos, professores da educação básica, investigadores internacionais, artistas e estudantes universitários, reforçando a ideia de que a formação de leitores não é responsabilidade exclusiva da escola, mas compromisso coletivo da sociedade.

O encerramento do evento será conduzido por Dino d’Santiago, cantor, escritor e Embaixador da Leitura de Cabo Verde, com a conferência “A leitura como caminho de liberdade, identidade e futuro”. A presença de Dino simboliza precisamente o espírito do simpósio: compreender a leitura não apenas como prática escolar, mas como instrumento de emancipação, pertencimento e transformação social.

Em tempos em que o mundo debate os impactos da inteligência artificial, da hiperconectividade e da crise da atenção, o III Simpósio Internacional de Literatura Infantil e Juvenil de Cabo Verde reafirma uma ideia fundamental: ler continua sendo um ato profundamente humano.

Ler é construir memória. Ler é criar identidade. Ler é aprender a imaginar futuros possíveis.

E talvez seja justamente por isso  que, em pleno Atlântico, Cabo Verde esteja se tornando um dos espaços mais importantes do mundo lusófono para pensar a infância, a literatura e a formação de leitores no século XXI.

17 de maio de 2026

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