A Coris Holding, atuais donos de 59,81% do Banco Comercial do Atlântico (BCA), formalizou o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) dirigida aos acionistas minoritários do BCA. O período de submissão de ordens de venda decorre até hoje, 04 de Junho, prevendo-se a liquidação financeira logo no dia seguinte, amanhã, 05 de Junho.
A operação, cujo prospeto foi publicado pela Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVCV), visa a compra de até 40,19% do capital social remanescente do BCA, oferecendo uma contrapartida de 14.918 escudos cabo-verdianos por cada ação.
Este passo deste grupo financeiro pan-africano com sede no Burkina Faso surge como uma exigência legal e regulamentar do mercado de capitais cabo-verdiano, após a Coris Holding ter concluído, em Janeiro deste ano, a aquisição de 59,81% do BCA à Caixa Geral de Depósitos (CGD) por 82 milhões de euros.
O período de submissão de ordens de venda decorre até ao dia 4 de junho, prevendo-se a liquidação financeira logo no dia seguinte, 5 de junho. A transação está a ser intermediada pelo próprio BCA e operacionalizada através da plataforma digital Blu-X.
A OPA atual não fixa um limite mínimo ou máximo de aceitação. Para os pequenos investidores e para a diáspora cabo-verdiana que detém títulos do banco na bolsa, a oferta representa uma oportunidade de liquidez imediata a um preço fixado num contexto de estabilidade.
O BCA assegura que continua a operar com total normalidade institucional, garantindo a segurança dos depósitos e a continuidade dos serviços, enquanto o arquipélago assiste à consolidação de um novo gigante financeiro focado na integração económica regional.
Primeira OPA lançada em Cabo Verde
Esta OPA é a primeira registada no mercado de capitais em Cabo Verde. Até este momento, a Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVCV), fundada no final da década de 1990, tinha a sua atividade fortemente concentrada em Ofertas Públicas de Venda (OPV), utilizadas sobretudo nos processos de privatização de grandes empresas e na emissão de obrigações.
Ao contrário de uma OPV (onde se vendem ações ao público), a OPA é um mecanismo de consolidação ou compra de controlo, onde o investidor é obrigado por lei (neste caso, o Código do Mercado de Valores Mobiliários) a oferecer aos acionistas minoritários a oportunidade de venderem as suas posições por um preço justo, após ter adquirido uma posição maioritária (os 59,81% que pertenciam à CGD).
Expansão Pan-Africana
A saída da CGD do capital do BCA encerra um longo capítulo de liderança portuguesa na maior instituição bancária de Cabo Verde, um processo que se arrastava desde 2018 devido a entraves burocráticos e aos impactos da pandemia.
Com o aval definitivo dado pelo Banco de Cabo Verde (BCV) no final de 2025, a entrada do grupo liderado pelo empresário Idrissa Nassa redesenha as forças no xadrez bancário nacional. O BCA, classificado como um banco de importância sistémica para o país, passa a integrar uma rede que já domina mercados na Costa do Marfim, Mali, Senegal, Togo, Guiné-Bissau, entre outros.
Modernidade, eficiência e competitividade no BCA
A administração da Coris Holding já garantiu que a ambição passa por injetar modernidade, eficiência e competitividade no BCA, com forte foco na digitalização e no apoio direto à economia real. Além disso, o grupo pretende utilizar a sua vasta experiência para dinamizar o financiamento às micro, pequenas e médias empresas (MPME) cabo-verdianas, um setor tradicionalmente fustigado pela dificuldade de acesso ao crédito.
Recentemente, a Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do Banco Mundial para o setor privado, anunciou a discussão de um pacote de financiamento de até 100 milhões de dólares para apoiar os planos de expansão do grupo Coris em Cabo Verde. Este montante servirá tanto para consolidar a compra do banco como para alargar as linhas de crédito produtivo na economia local, onde o fosso de financiamento às empresas é estimado em 270 milhões de dólares.
Daniel Almeida

