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Cultura

São Vicente: Faleceu Djosinha, uma das vozes mais emblemáticas e carismáticas da música cabo-verdiana

Foto @Mindelinsite

Faleceu em São Vicente na madrugada desta Sexta-feira, 05 de Junho, aos 92 anos, José Vieira Duarte, eternamente conhecido como Djosinha, uma das vozes mais emblemáticas e carismáticas da história da música cabo-verdiana. O intérprete, que marcou gerações e foi um dos pilares do lendário conjunto musical Voz de Cabo Verde, deixa um legado imensurável na promoção da identidade cultural das ilhas pelo mundo.

Cofundador do emblemático grupo Voz de Cabo Verde e considerado por muitos como um verdadeiro “Show Man”, Djosinha destacou-se pela sua energia em palco e a sua versatilidade artística.

Djosinha em 2024 Foto@ Cape Verdean Museum

A sua carreira, profundamente enraizada na tradição cabo-verdiana, também se abriu a influências latino-americanas, revelando uma paixão que ampliou horizontes e conquistou públicos diversos.

O último adeus na terra natal

Após décadas vividas nos Estados Unidos, o músico fez questão de regressar em Abril último ao seu torrão natal para uma última atuação.

O destino quis que esse regresso fosse também a sua despedida dos palcos, num gesto simbólico que reforça o vínculo eterno entre o artista e a ilha de São Vicente.

Perda de figura “maior” da cultura – diz ministro Augusto Veiga

O Ministro da Cultura cessante, Augusto Veiga, declarou que o governo está “consternado com a perda de uma figura maior da nossa cultura” e apresentou condolências à família.

Veiga acrescentou que o executivo, em articulação com os familiares, irá avaliar o que pode ser feito para o funeral do artista, sublinhando a importância de honrar a memória de Djosinha com a dignidade que merece.

Djosinha será lembrado como um pilar da cultura cabo-verdiana, um artista que soube unir tradição e inovação, emoção e espetáculo.

Caminhada artística

Natural de São Vicente, a ilha da música, Djosinha começou a sua caminhada artística ainda jovem, mas foi nas décadas de 1960 e 1970 que o seu nome se fixou no firmamento da música popular. Ao juntar-se ao agrupamento Voz de Cabo Verde — ao lado de gigantes como Luís Morais, Morgadinho, Frank Cavaquim e Jean da Lomba —, o cantor participou ativamente na modernização e na internacionalização de géneros tradicionais como a morna e a coladeira.

Com a sua voz calorosa e uma presença de palco eletrizante, Djosinha personificava a alma crioula. O Voz de Cabo Verde, sediado temporariamente na diáspora, funcionou como uma verdadeira embaixada cultural itinerante. O grupo deu voz à saudade de uma comunidade espalhada pelos quatro cantos do mundo e embalou os sonhos de independência da nação. Canções interpretadas por ele tornaram-se hinos intemporais que quebravam as barreiras da distância geográfica e uniam a diáspora ao arquipélago.

Após o fim do formato original do conjunto, Djosinha continuou a ser uma referência incontornável. Era frequentemente homenageado por colegas de profissão e pelas instituições do Estado, que nele reconheciam o guardião da matriz musical cabo-verdiana. A sua interpretação polida e, ao mesmo tempo, carregada de sentimento (sodade) influenciou diretamente as gerações de músicos que se seguiram.

A partida de Djosinha encerra mais um capítulo da era de ouro da música de Cabo Verde, mas a sua voz permanece viva em cada acorde de coladeira e na memória coletiva de um povo que sempre fez da música o seu maior refúgio e orgulho. À família enlutada e à cultura cabo-verdiana, ficam as mais profundas condolências.

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