O músico, investigador da cultura cabo-verdiana e diplomata de carreira, Manuel de Jesus Tavares da Cruz Silva, foi encontrado morto esta Sexta-feira, 05 de Junho, na sua residência, na cidade da Praia. Além do seu percurso na música como multi-instrumentista, Djúdjú, como também era conhecido, realizou trabalhos de investigação sobre a música tradicional cabo-verdiana que constam em livros e artigos publicados em jornais e revistas especializadas.
Conforme avança a Agência Cabo-verdiana de Notícias (INFORPRESS), a morte de Manuel de Jesus Tavares da Cruz Silva motivou diversas manifestações de pesar, entre as quais a do escritor, embaixador e ex-governante, Jorge Tolentino, que destacou o contributo do falecido para a cultura nacional e para a administração pública cabo-verdiana.
Numa mensagem publicada na rede social Facebook, Jorge Tolentino descreve Djúdjú como um “homem profundamente ligado à música e à cultura cabo-verdiana”, considerando que Cabo Verde perdeu “um paladino dessas causas”.
Aquele antigo ministro da República recordou ainda o percurso profissional do falecido nos Negócios Estrangeiros, nomeadamente na Direcção-Geral da Cooperação Internacional, na Embaixada de Cabo Verde no Senegal e na Direcção Nacional do Protocolo do Estado.
Além da carreira diplomática, destacou também a sua passagem por outras instituições públicas, incluindo a Presidência do Conselho de Ministros e a Câmara Municipal de Santa Cruz.
“Custa vê-lo partir assim cedo, muito cedo mesmo, com muito caminho por percorrer e, estou certo, mais obras a dar ao país”, escreveu Jorge Tolentino.
No domínio académico e cultural, Jorge Tolentino evocou a obra “Aspectos Evolutivos da Música de Cabo Verde”, publicada em 2005, considerada uma referência para o estudo da música cabo-verdiana.
Legado valioso
Por sua vez, o jornalista Luís Carvalho, sublinha que Djúdjú deixa uma “marca profunda” na memória colectiva e no coração daqueles que com ele conviveram.
“A sua dedicação à cultura, à música e à investigação deixou um legado valioso, que continuará a inspirar as gerações futuras. Era um homem de grande sensibilidade, curioso por natureza e profundamente comprometido com a preservação e valorização da nossa identidade”, escreveu na rede social Facebook, Luís Carvalho, um dos jornalistas cabo-verdianos mais antigos ainda em actividade.
Trabalhos publicados
Multi-instrumentista, Manuel de Jesus Fortes Tavares da Cruz Silva dominava instrumentos como violão, violino, cavaquinho, piano e viola baixo. Desenvolveu igualmente um trabalho de investigação sobre a música tradicional cabo-verdiana, com artigos publicados em jornais e revistas especializadas.
O seu ensaio “Aspectos Evolutivos da Música Cabo-Verdiana” foi distinguido, em 2006, com a primeira edição do Prémio Senna Barcellos, atribuído pelo Instituto Camões e pela Associação dos Escritores Cabo-Verdianos.
Em 2018, publicou a obra “Ilha do Maio – Cabo Verde”, um contributo fundamental para o conhecimento da descoberta, do povoamento e do desenvolvimento histórico da ilha e que também reflecte o seu compromisso com a valorização do património histórico e cultural cabo-verdiano.
Formação e percurso profissional
Natural de Baxona-Calheta, na ilha do Maio, Manuel de Jesus Fortes Tavares da Cruz Silva viveu parte da infância em Pedra Badejo, concelho de Santa Cruz, onde frequentou o ensino primário, prosseguindo depois os estudos secundários na cidade da Praia.
Era licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade de Lisboa e em Administração e Gestão pela Escola de Negócios e Governação de Cabo Verde, possuindo ainda formação musical obtida na École Nationale des Arts, em Dakar, Senegal.
Diplomata de carreira, exerceu funções como técnico superior da Direcção-Geral da Administração Local, secretário administrativo do concelho do Maio, director do Palácio do Governo, director do Protocolo do Primeiro-Ministro e cônsul/encarregado de negócios na Embaixada de Cabo Verde em Dakar, entre outras.
C/INFORPRESS

