O novo Conselho de Administração das Sociedades ELECTRA aponta a falta de investimentos estruturantes desde 2015 e avarias em três grupos de produção na Central de Palmarejo, cidade da Praia, como as principais causas dos cortes de energia que vêm afectando os clientes. A equipa liderada por Pedro Lima da Rocha, também alerta para a existência de um “desequilíbrio financeiro significativo”, mas, promete tudo fazer, no sentido de recuperar progressivamente a capacidade operacional das Sociedades ELECTRA.
Além da situação técnica, operacional, comercial e financeira das Sociedades ELECTRA (ELECTRA, EDEC, EPEC e ONSEC), o Conselho de Administração (CA), através de um comunicado divulgado, Sexta-feira, 06 de Novembro, também aponta outros problemas actuais, nomeadamente a degradação das condições de trabalho e a desmotivação de parte dos funcionários que, conforme realça, resultam de dificuldades acumuladas ao longo de vários anos.
“Em condições normais de funcionamento, a capacidade térmica instalada seria suficiente para assegurar a cobertura integral das necessidades de consumo nas horas de ponta, mantendo ainda uma margem de reserva operacional, sem sequer contabilizar a contribuição das energias renováveis”, lê-se num comunicado.
Entretanto, o CA diz ter encontrado uma realidade diferente. O comunicado assevera que toda a capacidade térmica actualmente instalada em Palmarejo foi incorporada até 2015, não tendo sido realizados, desde então, “investimentos estruturantes suficientes para renovar, modernizar e ampliar a capacidade de produção”.
Três grupos de produção indisponíveis devido a avarias
O novo Conselho de Administração (CA) das Sociedades ELECTRA revela que, dos 70.800 quilowatts (kW) de potência térmica instalada na Central Eléctrica de Palmarejo, em Santiago, apenas cerca de 45.500 kW se encontram efectivamente disponíveis, o equivalente a 64,3% da capacidade total.
Segundo a administração, três grupos de produção estão indisponíveis devido a avarias e à degradação progressiva dos equipamentos, situação que deixa o sistema eléctrico particularmente vulnerável, sobretudo nos períodos de maior consumo.
Nesse sentido, a prioridade imediata, segundo o comunicado, passa por assegurar que a capacidade de produção disponível consiga responder às necessidades de consumo durante as horas de ponta. A empresa explica que, para responder às necessidades de Santiago nas horas de ponta, são necessários aproximadamente 43.500 kW.
“É precisamente esta insuficiência de capacidade disponível e de reserva que está na origem dos cortes de eletricidade que lamentavelmente têm afetado os nossos clientes”, reconhece o Conselho de Administração.
“Desequilíbrio financeiro significativo”
Para além dos problemas técnicos, o novo CA das Sociedades ELECTRA admite atravessar uma situação empresarial “particularmente delicada”, marcada por um “desequilíbrio financeiro significativo”.
De acordo com a administração, as receitas da empresa são insuficientes para cobrir a totalidade das despesas de funcionamento, comprometendo a capacidade de assegurar, com recursos próprios, as necessidades correntes de exploração, manutenção e investimento.
A situação obriga a empresa a recorrer frequentemente ao apoio do Tesouro Público, aponta o CA, nomeadamente para garantir o abastecimento de combustíveis necessários ao funcionamento das centrais eléctricas.
O Conselho de Administração considera que os problemas actuais resultam de dificuldades acumuladas ao longo de vários anos e anuncia estar a concluir um diagnóstico global da situação técnica, operacional, comercial, financeira e organizacional das Sociedades ELECTRA.
“Esse trabalho permitirá conhecer, com rigor, a verdadeira dimensão dos problemas e definir as políticas e medidas mais adequadas à recuperação e sustentabilidade das Sociedades ELECTRA”, aponta.
Prioridade imediata à recuperação da capacidade de produção
Perante os constrangimentos, a administração garante estar a mobilizar os meios disponíveis para reparar as unidades avariadas, recuperar a capacidade de produção e restabelecer as condições de segurança e fiabilidade do sistema eléctrico.
A prioridade imediata, segundo o comunicado, passa por assegurar que a capacidade de produção disponível consiga responder às necessidades de consumo durante as horas de ponta, mantendo simultaneamente uma reserva operacional que permita compensar a eventual indisponibilidade de uma unidade de produção.
A empresa pretende alcançar o chamado princípio de segurança N-1, um critério técnico que pressupõe que o sistema consiga continuar a funcionar de forma segura mesmo perante a falha de um dos seus principais componentes.
Contudo, a administração reconhece que a recuperação não será fácil, tendo em conta a dimensão dos problemas encontrados, a apontada falta prolongada de investimentos, as limitações financeiras e a subida dos preços dos combustíveis.
“Ainda assim, estamos determinados a enfrentar os desafios, estabelecer prioridades e executar as medidas necessárias para recuperar progressivamente a capacidade operacional das Sociedades ELECTRA”, sublinha na missiva.
Desmotivação dos trabalhadores
O novo Conselho de Administração também manifestou a sua preocupação com a degradação das condições de trabalho e a desmotivação de parte dos funcionários porquanto existem trabalhadores que se encontram privados de meios e condições adequadas para desempenharem as suas funções, situação que considera estar a prejudicar a capacidade de resposta da empresa.
“A recuperação das Sociedades ELECTRA exige, por isso, não apenas investimentos e soluções técnicas e financeiras, mas também uma profunda mobilização dos seus recursos humanos”, refere o documento.
A administração considera os trabalhadores um elemento essencial para o processo de recuperação e apela ao seu profissionalismo, dedicação e sentido de missão para devolver à empresa a capacidade de resposta e a dignidade institucional.
Pedido de desculpa aos clientes
O novo Conselho de Administração pede desculpas aos consumidores pelos transtornos e prejuízos provocados pelos cortes de electricidade que se vem registando, reconhecendo os impactos sobre as famílias, as empresas e a economia nacional.
“A normalização do fornecimento de eletricidade é uma prioridade absoluta deste Conselho de Administração”, assegura, solicitando compreensão e paciência à população.
A ELECTRA garante que pretende recuperar a capacidade de produção, restabelecer as reservas operacionais e devolver aos consumidores a qualidade do serviço, mas não avança, no comunicado, um calendário concreto para a resolução dos constrangimentos.
A administração termina reafirmando o compromisso de recuperar a empresa com o envolvimento dos trabalhadores, a colaboração dos parceiros e o apoio do Governo.
Composição do novo Conselho de Administração
A ELECTRA, EDEC, EPEC e a ONSEC têm, desde o dia 29 de outubro, um novo Conselho de Administração. Pedro Lima Da Rocha é o novo Presidente do Conselho de Administração (PCA) e tendo como Administradores Executivos, Victor Moreno Baessa, Romina Tavares Monteiro e Claudino Monteiro Gonçalves. A equipa conta ainda como Administradora Não Executiva, Antonina Gonçalves Fidalgo.

