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Burkina Faso vai pedir a Marrocos extradição de Compaoré

O Burkina Faso vai pedir a Marrocos a extradição do presidente deposto Blaise Compaoré, anunciou, esta quinta-feira, o primeiro-ministro interino Isaac Zida.
“Se ao nível da justiça, uma queixa é apresentada contra o presidente Compaoré, penso que nós vamos pedir a Marrocos, embora não exista um acordo judiciário (…) que preveja que o coloquem à disposição da justiça burquinense”, declarou Zida, num encontro com a imprensa nacional no seu gabinete na capital.
Blaise Compaoré fugiu do país e procurou refúgio na Costa do Marfim antes de ir para Marrocos, onde chegou na semana passada, após ter sido deposto, a 31 de outubro, na sequência de uma série inédita de manifestações populares, após 27 anos no cargo, por ter querido reformar a Constituição para se poder candidatar a um quinto mandato presidencial em 2015.
Michel Kafando, de 72 anos, tomou posse como presidente de transição do Burkina Faso, por um período de um ano que deverá terminar com a realização de eleições em novembro de 2015.
Compaoré liderou uma revolta contra um ex-chefe de Estado burquinense e a sociedade civil pede que seja acusado.
O tenente-coronel Zida anunciou que o dossiê do antigo presidente Thomas Sankara “será totalmente reaberto” e que será feita justiça.
O capitão Thomas Sankara foi assassinado a 15 de outubro de 1987, na sequência de um golpe de Estado que levou ao poder o seu amigo e irmão de armas Blaise Compaoré.
Quando assumiu a presidência no governo de transição, Michel Kafando anunciou a realização de investigações para identificar os alegados restos mortais de Sankara, considerado o “Che Guevara africano”.
A família de Sankara exige, desde 1997, a exumação do corpo para que se verifique se é mesmo dele, algo que a justiça burquinense nunca aceitou.

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